Entre agosto de 2025 e julho de 2026, as notificações de eventos adversos associados ao uso de cosméticos registraram um salto expressivo de 130%, pulando de 257 para 592 ocorrências no Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária (Notivisa). O motor desse aumento foi o engajamento das próprias empresas do setor, cujos relatos cresceram cerca de 366% no período, passando a representar mais de 90% das notificações no sistema.

Para especialistas e autoridades sanitárias, esse aumento numérico não reflete necessariamente uma deterioração da qualidade dos produtos, mas sim a estruturação da cultura de vigilância e a rápida identificação de potenciais riscos. Contudo, o alerta ganha maior gravidade quando somado à persistência da venda de cosméticos irregulares e clandestinos no mercado nacional.

Cerco da Anvisa ao mercado de cosméticos ilegais

O mercado de produtos de beleza e cuidados pessoais vem passando por importantes transformações regulatórias no Brasil. Esta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou o balanço do primeiro ano de vigência da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 894/2024, norma que consolidou as Boas Práticas de Cosmetovigilância no país.

Também esta semana, a agência decretou a proibição e apreensão de produtos como o Bunne – Pó fibra capilar e o Maycheer Hair Rich Shading Powder, vendidos por empresas sem autorização de funcionamento e sem registro sanitário prévio.

Situações como essa ilustram um problema comum: a presença de substâncias proibidas, contaminantes microbianos ou concentrações inadequadas de ativos químicos.  Além de reações alérgicas ou lesões, o monitoramento oficial passou a abranger queixas de ineficácia de produtos, exposições ocupacionais e intoxicações.

Efeitos adversos dos cosméticos irregulares: o perigo invisível

Enquanto os produtos regularizados passam por rigorosos testes de segurança e estabilidade, os cosméticos fabricados e comercializados sem autorização da Anvisa representam uma ameaça direta à integridade do consumidor.

Os principais efeitos adversos decorrentes do uso de cosméticos irregulares incluem:

  • Dermatite de contato e queimaduras químicas: Provocadas por ingredientes não autorizados, metais pesados ou substâncias fora dos limites de segurança permitidos.

  • Reações alérgicas severas: Edema (inchaço), prurido intenso, vermelhidão e lesões cutâneas que podem exigir atendimento médico de emergência.

  • Danificação e perda capilar: Produtos capilares clandestinos podem conter substâncias como formaldeído em excesso, levando à queda acentuada, irritação no couro cabeludo e até danos oculares.

  • Ineficácia e complicações sistêmicas: Em casos de absorção cutânea prolongada de substâncias tóxicas, o uso contínuo pode afetar órgãos internos e causar intoxicações agudas ou crônicas.

Fortalecimento da fiscalização e capacitação profissional

Para garantir a efetividade da nova regulamentação, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) promoveu a capacitação de 407 profissionais de vigilâncias sanitárias estaduais e municipais entre 2025 e 2026, culminando na realização da primeira inspeção piloto em Boas Práticas de Cosmetovigilância.

A iniciativa integra a estratégia contínua da Anvisa de aprimorar o monitoramento pós-comercialização, alinhando a cosmetovigilância aos padrões já consolidados na farmacovigilância e na tecnovigilância.

O papel do consumidor e os canais oficiais

Identificar produtos sem registro e denunciar irregularidades é uma etapa fundamental no combate ao mercado clandestino. O consumidor pode verificar a regularidade de cosméticos diretamente no portal da Anvisa e, diante de qualquer reação indesejada ou queixa técnica, realizar o relato oficial.

Para saber mais e registrar ocorrências:

Com informações da Anvisa

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