É praticamente certo que o Brasil atravessará um super El Niño até o verão de 2027. Projeções internacionais apontam que há 96% de probabilidade de o fenômeno climático se consolidar mais uma vez no Brasil, trazendo ondas de calor mais frequentes e estiagem severa para o Sudeste já neste segundo semestre.
Com sua geografia acidentada, o estado do Rio de Janeiro deverá enfrentar temperaturas acima da média histórica, ondas de calor mais frequentes, períodos de estiagem alternados com chuvas intensas, aumento do risco de incêndios florestais e pressão sobre os sistemas de abastecimento de água e energia.
Diante desse cenário, o governo estadual vem fortalecendo ampla rede de monitoramento, prevenção e resposta, envolvendo diferentes secretarias e órgãos estratégicos para reduzir riscos e proteger a população.
Foco no impacto do calor extremo no organismo
Na corrida contra o tempo, a grande prioridade do comitê será proteger a integridade física das populações em situação de maior vulnerabilidade social — como idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e portadores de doenças crônicas —, que são os primeiros a sofrer com a elevação extrema das temperaturas e a baixa umidade do ar.
O planejamento contará ainda com uma Sala de Situação do El Niño na Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec-RJ), operando em conjunto com o Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) 24 horas por dia.
O foco das autoridades, especialmente após os alarmes falsos disparados por hackers nos celulares no mês de junho, é restabelecer a segurança digital e garantir canais de comunicação rápidos, claros e humanos, para que cada cidadão saiba como agir e se proteger nas próximas ondas de calor.
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Ação integrada entre 18 órgãos e secretarias
Para estruturar essa rede de cuidados, 18 órgãos e secretarias estaduais vão trabalhar de forma integrada, utilizando a estrutura administrativa já existente, sem gerar novas despesas para o estado. As ações práticas voltadas à preservação da vida e do bem-estar humano serão coordenadas por meio de quatro frentes principais:
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Vigilância em Saúde e Assistência: A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) monitora os impactos do calor na saúde humana por meio do inédito Índice Multidimensional de Excesso de Calor (IMEC). A ferramenta permite acompanhar diariamente as condições climáticas e o risco de surtos de doenças ou sobrecarga na rede hospitalar. Além disso, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a secretaria promoverá uma capacitação específica sobre o El Niño para gestores dos 92 municípios fluminenses.
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Aparo social e emergências: A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos capacitou equipes municipais para atuar no acolhimento de famílias vulneráveis. O estado mantém articulados programas de suporte pós-desastre, como abrigos temporários, o Aluguel Social e o Cartão Recomeçar, que já atendeu mais de 105 mil famílias afetadas por eventos extremos.
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Segurança hídrica e energética: A qualidade e a disponibilidade da água tratada são vitais para evitar surtos de desidratação e doenças de veiculação hídrica. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que atende mais de 10 milhões de pessoas, ativou seu Plano de Segurança da Água e inaugurou o Centro de Monitoramento Ambiental (CMA) para proteger mananciais, com atenção especial à Bacia do Rio Paraíba do Sul. Ao mesmo tempo, o plano setorial da Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (Seenemar) atua junto a concessionárias como Light, Enel e Energisa para evitar apagões que desativem aparelhos de refrigeração e climatização hospitalar e residencial durante os picos de calor.
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Qualidade do ar e combate a queimadas: O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) deflagrou a Operação Extinctus 2026. O combate rápido a incêndios florestais na estiagem é fundamental para a saúde respiratória da população, reduzindo a fumaça e as partículas tóxicas no ar que superlotam as emergências médicas com crises de asma e bronquite. O trabalho tem o suporte da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
A urgência da Saúde Única
Por trás dos mapas meteorológicos e do termo técnico “El Niño”, existe uma realidade que afeta de forma direta e preocupante o corpo humano: o calor sufocante que adoece, a desidratação severa, o agravamento de doenças respiratórias devido às queimadas e o estresse térmico em grupos vulneráveis.
Proteger a vida humana e aliviar a pressão sobre os hospitais exige um esforço conjunto que envolve o monitoramento do clima, a preservação da qualidade da água e a proteção ambiental.
A mobilização no Estado do Rio reflete a urgência da Saúde Única (One Health): um olhar humanizado que entende que cuidar da saúde das pessoas é impossível sem cuidar, ao mesmo tempo, do meio ambiente, dos animais e do equilíbrio do planeta.
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