Onda de calor: cuidados vão além de água e filtro solar

Especialistas alertam para riscos de desidratação, insolação, congestão alimentar, danos à pele, pressão alta e problemas cardíacos e alérgicos

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Na temporada de calor, é preciso se alimentar corretamente, amenizar o desconforto causado pela alta temperatura e ter melhores cuidados com o excesso de sol. A pele fica mais exposta aos agentes externos, como o sol, o sal, o cloro, o suor e os insetos, que podem causar irritações, inflamações e infecções.

Para orientar a população sobre como prevenir e tratar os problemas de saúde com o calor extremo, especialistas alertam para os principais riscos, como desidratação, insolação, queimaduras solares e doenças transmitidas por mosquitos, que podem ser evitados com medidas simples.

Você é do tipo que perde o apetite nos dias quentes? Ou encara aquela feijoada e outras comidas pesadas mesmo com os termômetros nas alturas? Cuidado! Tudo isso pode fazer mal a sua saúde. Karina Santos, médica do Time de Saúde da Sami, healthtech focada em atenção primária à saúde, explica o que acontece com o corpo nessa época.

“Durante as altas temperaturas, o corpo perde mais água por suar muito mais. Além disso, diferente do inverno, onde temos mais apetite, o calor inibe a fome, fazendo com que nossa nutrição fique desequilibrada. As mudanças fisiológicas do verão também precisam ser ajustadas a uma alimentação mais leve para compensar a perda de água e nutrientes e a pouca vontade de se alimentar”, explica.

Sem contar que nosso corpo diminui a produção de energia, se comparado às temperaturas frias, com isso, nossa alimentação também precisa ser menos calórica. O efeito inibidor da fome causado pelo calor acaba provocando um jejum prolongado que não é nada saudável para o organismo. Optar por uma alimentação saudável e leve é investir no seu bem-estar.

“Dê preferência por saladas durante as refeições e frutas para os lanches. Além disso, os sucos repõem os minerais perdidos pelo suor e hidratam o corpo. Substitua o acompanhamento por carnes brancas ou carnes mais magras, bem como varie entre grelhados, cozidos e assados. Comece cortando a fritura, que pode acabar pesando no calor, e aproveite para trazer alimentos mais saudáveis à mesa. Andar com garrafinhas de água também é fundamental”, explica a médica.

Atenção com hidratação e pressão arterial

Em geral, o ser humano perde todos os dias aproximadamente dois litros e meio de água eliminados pela urina, fezes, saliva e suor. Em dias de muito calor, esse volume pode ser ultrapassado – o que exige a adequada reposição de líquidos com a ingestão de mais água.

O cardiologista e professor do Idomed, Jober Teixeira Bastos, explica que a perda excessiva de líquido ou a realização de atividades que exigem grande esforço podem aumentar os riscos para o coração. Segundo ele, o calor em excesso provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode reduzir a pressão arterial.

“Por esse motivo, é necessária uma atenção especial com a hidratação, para que o corpo não sofra tanto nos períodos de calor intenso e nem corra o risco de desidratar. É recomendável a ingestão de alimentos leves e a utilização de roupas adequadas à estação para minimizar os impactos do calor no corpo”, diz o cardiologista.

A sede não é o único sinal de que o corpo precisa de mais água. O indivíduo também pode apresentar intestino preso, pele seca, inchaço (retenção de líquido), fome, cansaço, fadiga e dores de cabeça. Apostar em consumo de alimentos e bebidas saudáveis é o trunfo para aproveitar os dias de calor sem percalços.

A nutricionista Elisa de Espíndola, professora do curso de Nutrição da Estácio, comenta que alimentos gordurosos e frituras devem ser evitados nos dias de maior calor ou ainda antes das atividades.

“Alimentos gordurosos costumam deixar a digestão mais lenta, piorando sintomas como mal-estar e fadiga, sensações comuns em dias de calor e de atividades. Salgados, frituras e outros petiscos também são ricos em sal e favorecem a retenção hídrica”, diz a nutricionista.

 A nutricionista ressalta ainda que, para quem quiser variar um pouco na hora de se hidratar sem fugir do saudável, existem opções refrescantes e deliciosas. “Dá para aromatizar a água com hortelã, aproveitar os chás gelados, de preferência à base de ervas, flores e especiarias e sem açúcar, e – é claro – provar uma água de coco”.

Como evitar a congestão alimentar

É bem provável que você já tenha percebido que o calor nos deixa com a sensação de cansaço. Isso acontece devido à digestão, que se torna mais lenta. Por isso, evitar comidas pesadas e gordurosas precisa ser uma prioridade para evitar a congestão alimentar.

“Trata-se de um mal-estar ocasionado por um grande esforço físico depois de uma refeição consideravelmente pesada, como, por exemplo, almoço ou jantar. Isso acontece porque durante o esforço físico o organismo precisa alterar a direção do fluxo sanguíneo — antes, focado na digestão dos alimentos —, fazendo com que o corpo entre em estado de congestão. Isto é, o sangue, que está concentrado no intestino e no estômago, invade os músculos para conseguir fazer digestão”, explica Dra Karina.

Por isso, principalmente durante a infância, muitas pessoas chamam a atenção para o fato de não poder entrar na piscina logo após a refeição. Mas o que muitos indivíduos não sabem é que a causa da congestão alimentar não vem somente do esforço físico na água.

“Essa condição pode surgir depois de qualquer tipo de esforço físico, seja: ir para a academia; correr;  pegar muito peso; nadar, seja no mar ou na piscina. Resumindo: o que causa uma congestão é o hábito de realizar uma refeição pesada e, em seguida, fazer esforço físico com intensidade”, afirma a médica.

Como fazer exercícios físicos ao ar livre no calorão?

Segundo André Siqueira, especialista em medicina esportiva e ortopedista, as atividades físicas não devem ser suspensas porque a regularidade é fundamental para as pessoas evoluírem em seus treinos e em seus resultados.

Porém, o médico enfatiza que uma certa adaptação deve ser realizada neste período pontual de calor excessivo, como praticar exercícios físicos em locais climatizados, quando possível.

E aqueles que gostam treinar ao ar livre devem alterar suas rotinas, mudando o horário para fugir do pico de calor, a partir das 6h da manhã ou no final da tarde, quando a temperatura tende a baixar.

Para o especialista em medicina esportiva, uma outra adaptação que deve ser pensada é a intensidade dos exercícios, pois a pressão arterial tende a cair, logo, os treinos mais intensos acabam tendo que ser adequados, de forma a diminuir a intensidade e adaptar as condições climáticas no momento.

“O  de isotônicos é preferencial para ajudar a repor não apenas a água, mas também outras substâncias importantes para o organismo, que são perdidos de forma abundante durante o suor”, afirma.

A outra dica recomendada por ele é jogar água na cabeça, porque não basta apenas hidratar, mas também diminuir a temperatura do organismo. Quando a pessoa molha a cabeça, ela diminui um pouco a sua temperatura, melhorando a sua resistência para quem faz exercício ao ar livre.

Alerta vermelho contra a insolação 

Mais comum nos meses mais quentes, a insolação acontece quando há exposição excessiva ao sol ou ao calor. A temperatura corporal passa a aumentar de maneira muito rápida e o corpo não consegue transpirar o suficiente para resfriar o corpo. Assim, começam os primeiros sinais de mal-estar da insolação.

Podendo levar ao coma e até à morte, a insolação precisa ser evitada ao máximo, com o uso de protetor solar adequado, evitar o sol entre 12h e 16h, prefira lugares arejados e com sombra, não usar roupas pesadas e escuras e reaplicando o protetor solar sempre que necessário.

Afinal, a exposição excessiva ao sol pode gerar queimaduras graves e aumentar o risco de câncer de pele e desidratação. De acordo com o Ministério da Saúde, a insolação acontece quando a temperatura corporal passa de 40 °C e o indivíduo perde minerais, sais e muita água de maneira muito rápida.

A médica da Sami explica que a forma de tratamento da insolação dependerá do estado do paciente. Em estados críticos, com desmaios, coma e extremidades arroxeadas, será necessário um atendimento mais intensivo e hospitalar.

Quadros leves geralmente apresentam apenas alguns sintomas mais fracos, podendo ser tratados com medidas simples. Algumas das medidas essenciais são:

  • mover a pessoa para um local fresco e com sombra;
  • remover peças de roupa ao máximo;
  • caso esteja consciente, mantê-lo com a cabeça elevada e em repouso;
  • oferecer água gelada ou fria, ou qualquer bebida que não contenha álcool;
  • borrifar água no acidentado;
  • aplicar compressas de água fria nos mesmos locais onde são aplicados em caso de febre: axilas, testa e pescoço;
  • se possível, dar banho gelado em pacientes ou colá-lo com o corpo todo dentro da água, uma banheira ou piscina podem ajudar.
  • Caso não consiga, encharque roupas com água gelada e o cubra.

Cuidados com a saúde da pele

Camila Hoffmann, dermatologista do Hospital Vergueiro, enfatiza a importância dos cuidados com a exposição solar para prevenir danos à pele, especialmente para quem vai à praia ou piscina ou quer se exercitar ao ar livre.

“Recomenda-se o uso de filtro solar, preferencialmente com FPS 30 ou mais, aumentando para FPS 50, 60 ou 70 para peles sensíveis. Reaplicar a cada duas a três horas, principalmente na praia ou piscina, é crucial. Além disso, é importante usar roupas com proteção UV, chapéus e bonés para proteger o rosto e couro cabeludo.”

Ela  também comenta sobre os problemas de pele comuns no verão, como micoses, alergias ao sol, água do mar, protetor solar e alimentos específicos, bem como queimaduras por água-viva e alimentos cítricos. “Essas queimaduras podem causar bolhas e ardência na pele. Por isso, é recomendado lavar a área com água corrente e aplicar compressas frias ou gelo, e procurar um médico se necessário”, afirma.

Para prevenir certas reações alérgicas, é importante usar produtos hipoalergênicos, testar o protetor solar em uma pequena área da pele antes de usar, e evitar alimentos que possam causar alergia.  A Dra. Camila também ressalta que a alimentação influencia na qualidade da pele no verão.

“Evite alimentos gordurosos, fritos, condimentados e perecíveis, que podem causar desconforto estomacal, intoxicação alimentar, acne e dermatite. Além disso, é importante lavar bem os alimentos, conservá-los em geladeira e evitar o consumo de produtos de procedência duvidosa”, alerta.

Para evitar picadas de insetos, a dermatologista recomenda o uso de repelentes sempre depois do filtro solar e o uso de roupas protetoras em caso de longa exposição aos insetos, como em uma trilha, por exemplo. Em caso de picadas, ela aconselha evitar coçar e buscar ajuda médica se necessário. Ela dá uma dica para evitar coceira: aplicar uma fita microporosa sobre a ferida, especialmente em crianças, além de manter a área protegida com protetor solar e hidratante.

Idosos e crianças podem sofrer mais com desidratação

Sara Morhbacher, clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que em dias quentes também é importante beber bastante água, para evitar a desidratação corporal. Uma alimentação leve, composta de carboidratos, frutas, legumes e verduras contribui para uma boa digestão e evitar sintomas de desconforto como azia e enjoos.

A especialista diz ainda que as pessoas devem estar mais atentas a proteção dos idosos e crianças durante o período. “A atenção deve ser redobrada com a saúde desse público, que geralmente não sente muita sede e pode se desidratar com mais facilidade. Idosos e crianças são mais vulneráveis as bruscas alterações climáticas”, disse.

A clínica geral explica que a hidratação adequada requer o consumo frequente de água, mas também pode ser alcançada com a ingestão de líquidos naturais como água de coco, sucos e chás. Além disso, é importante evitar bebidas alcoólicas, cafeinadas e açucaradas.

“Para evitar desidratação e insolação, é essencial evitar atividades físicas extenuantes durante os horários de sol intenso, que são entre 10h e 16h, e procurar locais frescos e ventilados”, recomenda.

Em relação à alimentação, a Dra. Sara aconselha optar por cardápios com alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, legumes, cereais integrais, carnes magras (frango ou peixes) e frutos do mar.

Se for viajar uma dica importante é evitar o contato ou consumo de água contaminada e levar sempre um kit de primeiros socorros. A Dra. Sara também lembra que, embora a gripe seja mais comum no inverno, outros vírus respiratórios, como o rinovírus, o adenovírus e o vírus sincicial respiratório, podem circular no verão, especialmente em ambientes fechados e com ar-condicionado. “Para prevenção, é aconselhável lavar as mãos, evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados, além de manter o calendário vacinal atualizado”.

Em casos de traumas como quedas e fraturas durante viagens, é crucial manter a calma, buscar assistência médica imediata e adotar medidas como imobilização da lesão, aplicação de gelo, elevação do membro afetado e limpeza de ferimentos. “Para prevenir acidentes, é essencial utilizar equipamentos de proteção, evitar superfícies perigosas e seguir as normas de segurança, além de evitar o consumo de álcool antes de atividades físicas”, destaca a clínica geral.

Cuidados para manter a saúde durante os dias quentes

  • Utilize protetor solar: é fundamental para auxiliar nos cuidados com a pele e proteger contra os efeitos nocivos dos raios solares.
  • Roupas leves e assessórios para ajudar a enfrentar o calor: roupas leves e claras, uso de acessórios como chapéus, óculos de sol ou até mesmo sombrinhas ajudam quem precisa se locomover pelas ruas em dias de muito sol e calor.
  • Beba água: a hidratação é fundamental para garantir o bom funcionamento do organismo.
  • Evite realizar exercícios físicos entre às 10 horas e às 16 horas: durante esse período, o calor é predominante e pode prejudicar a saúde física e respiratória.
  • Lavar nariz e olhos com soro fisiológico: a lavagem pode evitar a secura e o sangramento das narinas.
  • Mantenha a casa limpa, higienizada e arejada: a poeira e a sujeira podem auxiliar na manifestação de bactérias, prejudicando a saúde respiratória.
  • Com Assessorias

 

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