Como enfrentar as ‘ondas de calor’ na menopausa e climatério

Calor intenso e sudorese acometem 3 a cada 4 mulheres. Saiba como aliviar os fogachos típicos da menopausa. Médicos também explicam as diferenças entre as duas fases

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Se a onda de calor já está difícil de encarar em todo o Brasil, que dirá para mulheres que estão no período da menopausa, que já sofrem com os conhecidos fogachos? Ondas de calor intenso e sudorese excessiva, também chamados de fogachos, são sintomas comuns durante o climatério, que é o período mais intenso da temida menopausa. Eles acometem três a cada quatro mulheres que passam por essa fase.

O ginecologista Joab Lima, professor do Instituto de Educação Médica (Idomed), explica que esses sintomas surgem devido à grande alteração hormonal que acontece no corpo da mulher.

“A falência dos ovários pela idade avançada da mulher leva à deficiência na produção de hormônios sexuais, principalmente o estrogênio, e a nível do hipotálamo, que é a região cerebral do centro termorregulador, leva a uma vasoconstrição e em seguida um desequilíbrio na regulação da temperatura corpórea”, explica.

Em algumas mulheres as ondas de calor e a transpiração acontecem várias vezes durante o dia ou a noite e duram em torno de dois a cinco minutos. O fogacho costuma começar de repente na região do rosto, superior do tórax e depois se generaliza pelo corpo.

“É interessante ressaltar que mesmo a paciente sentindo o corpo aquecido, a temperatura corporal mantém-se normal, em torno de 36,5º”, alerta o especialista. Ainda segundo Joab Lima, o fogacho também pode vir acompanhado de vermelhidão na pele, principalmente na face. “Isso ocorre em consequência da dilatação dos vasos sanguíneos como forma de compensar a constrição proveniente da falta de estrogênio e o desequilíbrio termorregulador”.

Segundo o professor, apesar de ser uma sensação ruim, os fogachos não representam nenhum problema direto para a saúde da mulher.

“É um sintoma normal, apesar de causar muitos desconfortos. Muitas mulheres têm o dia a dia afetado, pois as ondas de calor podem até gerar uma redução de pressão e, em outros casos, se a vasoconstrição for muito intensa poderá levar a quadros de infarto do miocárdio em pacientes com outros fatores de riscos”, alerta Dr. Joad Lima.

Segundo ele, não há tempo exato para o fim dos sintomas, pois varia de mulher para mulher, mas que costuma desaparecer espontaneamente após alguns anos.

Como aliviar os fogachos típicos da menopausa

O ginecologista explica que não há como os sintomas da menopausa serem  evitados por se tratar de um processo natural do organismo feminino, porém existem algumas formas de amenizar os desconfortos enfrentados nesse período.

“Uma das formas de aliviar é com  medicação natural como os fitohormônios ou até com reposição hormonal. No entanto, para isso é imprescindível o acompanhamento médico para avaliar primeiramente a intensidade dos sintomas, o histórico da paciente e os fatores de risco”.

Mudanças de hábito também são fortes aliadas para amenizar os sintomas da menopausa. “Perder peso, ter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente,  parar de fumar, evitar bebidas alcoólicas, comidas apimentadas e cafeína também funciona. No verão, é importante a mulher usar roupas leves, procurar ficar em ambientes ventilados e beber muita água”, complementa Dr. Joab Lima.

Experiência da menopausa varia entre as mulheres

O fim do período reprodutivo é uma fase importante na vida da mulher. Uma das características dessa passagem de fase na vida da mulher é a carência de certos hormônios, como o estrogênio, causada pelo encerramento das atividades ovarianas.

Durante a transição desde os anos reprodutivos, através da menopausa, até os estágios posteriores, a mulher passa por muitas alterações físicas e também emocionais, causadas tanto pela deficiência hormonal que caracteriza a menopausa, como pelo avanço da idade.

Os sinais mais conhecidos, como as ondas de calor, são típicos após o último ciclo menstrual. Além dos fogachos (calorões), as mulheres enfrentam neste período mais dificuldade para dormir, labilidade de humor e secura vaginal.

No entanto, a experiência da menopausa varia pelo mundo e entre grupos étnicos, o que sugere que a cultura e a genética influenciam a experiência.

A mulher pode ver o fim da fertilidade como uma libertação das preocupações com controle de natalidade, ou pode lamentar pelo fim da sua capacidade reprodutiva. Certas mulheres terão sintomas incômodos, enquanto outras podem ter poucos ou, até mesmo, nenhum sintoma.

Diferença entre menopausa e climatério

Diferentemente do que muita gente pensa, climatério não é sinônimo de menopausa, que se refere somente à última menstruação. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o climatério é uma fase biológica da vida da mulher, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. Inicia-se, em geral, por volta dos 45 anos, como consequência do esgotamento da função ovariana.

menopausa é um acontecimento normal e natural, que decorre do esgotamento da função dos ovários, que acompanha a idade e que resulta na diminuição dos níveis de estrogênio e outros hormônios. É definida como a última menstruação, geralmente confirmada após 12 meses consecutivos sem a ocorrência de um período menstrual, a não ser que haja outras causas aparentes.

Segundo o ginecologista e obstetra Luciano de Melo Pompei, ex-presidente da Sobrac (Associação Brasileira de Climatério), geralmente ocorre por volta dos 50 anos. Com a chegada da menopausa, a mulher já não pode mais engravidar de forma natural – é o fim de seu período reprodutivo.

As mulheres passam mais de um terço da vida delas no climatério. O principal sintoma do climatério é a alteração no fluxo menstrual. Com o passar do tempo, os sangramentos vão ficando mais espaçados até chegar à menopausa. Os sinais mais conhecidos, como as ondas de calor, são típicos após o último ciclo menstrual.

Tratamento hormonal ajuda a evitar complicações

Outras mudanças que podem ocorrer como consequência da idade incluem diabetes, distúrbios da tireoide, hipertensão arterial, aumento do risco cardiovascular. Para mulheres com um estilo de vida pouco saudável, um alto nível de estresse, ou uma genética desfavorável, as alterações da menopausa e do avanço da idade podem ser particularmente desafiadoras.

O tratamento hormonal tende a amenizar os efeitos e alterações ocasionadas por esse momento, além de diminuir o perigo de doenças cardiovascular e perda de massa óssea, podendo acarretar predisposição à osteoporose.

José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que há maneiras de realizar a terapia em situações de hipertensão, diabetes, tabagismo e artrite.

“É de uma importância enorme falar sobre esse assunto, já que as mulheres passam mais de um terço da vida delas no climatério”, ressalta o especialista. Segundo ele, para enfrentá-la é necessário adotar um estilo de vida saudável.

“Ela precisa ter uma dieta adequada, não pode ser muito calórica, pois é uma etapa que se ganha peso. Praticar atividade física, diminuir o estresse diário e ter uma boa noite de sono é essencial.”

Para esclarecer dúvidas

Essa fase da vida é permeada por medos e dúvidas. Para esclarecer alguns deles, os especialistas explicam:

1- Não existe idade padrão para o início do climatério, a despeito de ser mais comum entre os 40 anos e os 45 anos.

2- Entre os sintomas usuais, estão o distanciamento entre os ciclos menstruais, ocorrência de fogachos e suores noturnos e alterações do sono.

3- Em algumas mulheres, ocorrem alterações psicológicas, como irritabilidade, insônia, depressão, perda de memória e mudanças de humor.

4- Para diagnosticar o climatério a mulher deve procurar o seu médico e, eventualmente se submeter a exames clínicos e laboratoriais.

5- Mamografia, papanicolau, ultrassom transvaginal e densitometria óssea são exames complementares que podem ser solicitados com regularidade durante o climatério.

6- Manter uma dieta saudável, rica em cálcio e vitamina D é muito importante neste período.

7- A desidratação pode afetar o sistema nervoso, o que estimula as ondas de calor. Hidrate-se com mais frequência.

8- Praticar exercícios físicos ajuda a melhorar a densidade óssea, evitar fraturas e também ajuda na flexibilidade e no equilíbrio.

9- A Terapia Hormonal (TH) é o tratamento mais indicado para aliviar fogachos, suores noturnos advindos das ondas de calor, sintomas psicológicos e melhorar a qualidade de vida da mulher, todavia, existem opções não-hormonais.

10- Há algumas contraindicações para a TH, como maior risco de câncer de mama em mulheres com maior propensão à doença. Portanto, é essencial consultar um médico que irá avaliar o histórico da paciente para indicar o tratamento adequado.

Com Assessorias

 

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