Baixa procura por vacina da dengue preocupa especialistas

Só 300 mil das 1,3 milhão de doses foram aplicadas em crianças e adolescentes. Farmacêutico destaca pioneirismo do Brasil na vacina

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Famílias brasileiras que convivem há décadas com o mosquito Aedes aegypti, agora se preocupam com as novas gerações – as crianças são as mais afetadas pela dengue, além dos idosos. Para elas, já tem vacinação entre 10 e 14 anos na rede pública. No entanto, ainda é muito baixa a procura nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Das mais de 1,2 milhão de doses já fornecidas pelo Ministério da Saúde, apenas 300 mil foram aplicadas nos 521 municípios selecionados na fase inicial da campanha

Em meio a expectativas e avanços, o farmacêutico Thiago de Melo, professor de pós-graduação nos cursos de Ciências Farmacêuticas e Farmacologia e no curso de graduação de Medicina pela Universidade Vila Velha (UVV), acredita que a Qdenga representa uma importante ferramenta na luta contra a dengue.

Ele lembra que o Brasil alcançou um marco significativo na saúde pública ao se tornar o primeiro país do mundo a oferecer a vacina Qdenga de forma gratuita no sistema público de saúde. Segundo ele, a iniciativa surge como “uma estratégia robusta para combater a incidência da dengue no país”.

“O movimento de disponibilizar a vacina gratuitamente no SUS mostra o comprometimento do Brasil em ampliar o acesso a imunizações eficazes no combate à doença”, afirma. Paralelamente à distribuição pública, a vacina a também está disponível em clínicas privadas no Brasil, seguindo a tendência de países da União Europeia, Indonésia, Tailândia e Argentina.

Desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda Pharma, a vacina Qdenga foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) pelo Ministério da Saúde. Inicialmente, a distribuição visa atender jovens de 10 a 14 anos em 521 cidades brasileiras com alta incidência da doença. “Essa abordagem restrita reflete a disponibilidade limitada de doses, totalizando 6 milhões e 300 mil em 2024”, explica o especialista.

Vantagens em relação a outra vacina

Antes da chegada da Qdenga, a vacina Dengvaxia era a única medida farmacêutica disponível contra a dengue. No entanto, de acordo com o farmacêutico, a nova solução conta com algumas vantagens quando os dois medicamentos são comparados.

“Um dos primeiros pontos é o fato de a Qdenga ser administrada em pessoas dos 4 aos 60 anos, enquanto a Dengvaxia é indicada para indivíduos dos 9 aos 45 anos, requer três doses e é destinada apenas a quem já teve dengue”, pontua.

Por outro lado, a Qdenga é indicada tanto para pessoas que já tiveram contato com o vírus da dengue, quanto para aquelas que nunca foram infectadas. “Esta é a primeira vacina no Brasil liberada para indivíduos que nunca estiveram em contato com a doença, ampliando ainda mais o leque de possibilidades”, declara o especialista.

Reações e contraindicações

De acordo com o pesquisador na área de Ciências Farmacêuticas, os estudos clínicos mostraram que pode haver algumas reações após a injeção.  “Dores e vermelhidão no local da injeção, mal-estar, fraqueza e dores de cabeça são alguns dos principais sintomas apresentados. No entanto, as reações registradas foram de gravidade leve a moderada, durando entre um e três dias”, revela.

O farmacêutico destaca que a vacina não é recomendada para pessoas alérgicas a seus componentes, aquelas com sistema imunológico comprometido, condições imunossupressoras, gestantes e lactantes. Um dado importante é que pacientes alérgicos a ovo podem ser vacinados com Qdenga.

A eficácia da Qdenga é baseada em um esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações. “Estudos indicam que o medicamento induz respostas imunológicas contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A duração exata da proteção ainda está sendo monitorada”, alerta.

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Campanha de multivacinação vai a escolas de SP

Objetivo é colocar em dia caderneta de vacinação de 7,9 milhões de crianças e adolescentes. Entre as vacinas do PNI, estão Covid-19 e HPV

A partir desta segunda-feira (18) até o dia 19 de abril, as escolas públicas do estado de São Paulo recebem uma campanha de multivacinação contra doenças preveníveis, incluindo a vacina da Covid-19 e a vacina contra o HPV (entre meninas e meninos de 9 a 14 anos). Equipes da Secretaria Estadual da Saúde vão vacinar crianças e adolescentes que estejam com seus esquemas vacinais incompletos e farão ações educativas para estimular a vacinação.

O objetivo é aumentar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes menores de 15 anos, público estimado em cerca de 7,9 milhões de pessoas no estado. O foco, segundo a Secretaria, é elevar as coberturas vacinais, reduzir a disseminação de doenças imunopreveníveis e impedir a reintrodução de doenças eliminadas ou controladas. Não foram informadas as taxas atuais de cobertura vacinal no estado.

A ação vai oferecer vacinas do calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Serão disponibilizadas as seguintes vacinas: poliomielite, meningocóccica C conjugada, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), febre amarela, pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae b), HPV (entre 9 e 14 anos de idade), meningocócica ACWY e covid-19.

Para garantir a prevenção contra essas doenças é fundamental que os pais ou responsáveis pela criança encaminhem à instituição escolar a caderneta de vacinação, além da assinatura do Termo de Assentimento para Vacinação para qualquer atualização necessária. Informações pelo Vacina 100 Dúvidas, que reúne as 100 perguntas mais frequentes sobre vacinação na internet. A ferramenta esclarece questões como efeitos colaterais, eficácia das vacinas, doenças imunopreveníveis e quais os perigos ao não se imunizar.

Com Assessorias e Agência Brasil

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