Especialistas, gestores públicos, profissionais de saúde, jornalistas e representantes da sociedade civil se reuniram nesta sexta-feira (5/12), no Rio de Janeiro, no Simpósio Câncer de Colo de Útero: O Brasil pode ficar sem. O encontro marca mais um passo importante no fortalecimento das ações nacionais pela eliminação do câncer de colo do útero, uma das doenças que mais afetam mulheres em países de baixa e média renda, reforçando a necessidade de políticas públicas robustas, ampliação da cobertura vacinal contra o HPV (vírus que transmite a doença) e acesso adequado ao rastreamento, diagnóstico e tratamento.

Pela segunda vez consecutiva, o Portal VIDA E AÇÃO – que há quase 10 anos desenvolve a série Câncer Tem Cura e dá destaque à luta pela prevenção ao HPV – marca presença no evento, a convite do Instituto Lado a Lado pela Vida, que promove a iniciativa, em parceria com o Ministério da Saúde , o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). 

Rosayne Macedo, editora do VIDA E AÇÃO, fala das ações para combater fake news sobre HPV (Fotos: Divulgação)

A jornalista Rosayne Macedo, editora do VIDA E AÇÃO, participou do painel A importância da imprensa e comunicação na conscientização e combate das fake news em torno da vacinação contra o HPV, que foi mediado pela médica infectologista Luana Araújo. Também participaram a jornalista Tâmara Freire, repórter da Agência Brasil, e a publicitária Marise Mentzingen, chefe do Serviço de Comunicação Social do Inca.

Meta é eliminar o câncer de colo do útero até 2030

Segundo estimativas do Inca, o Brasil deve registrar 17.010 novos casos da doença no triênio 2023–2025. Para eliminar o câncer de colo de útero até 2030, o país precisa atingir 90% de cobertura vacinal contra o HPV em meninas até 15 anos, 70% de rastreamento com teste de alta performance aos 35 e 45 anos — com possibilidade de autocoleta — e 90% de tratamento adequado para mulheres diagnosticadas.

Além do impacto sanitário, investir na eliminação de doenças gera retorno econômico expressivo. De acordo com estimativas da OPAS e OMS o retorno econômico da vacinação e das iniciativas de eliminação de doenças apontam taxa anualizada de retorno de 30% para cada dólar investido, e o retorno de US$ 26,35 por dólar aplicado especificamente em vacinação. Entre 2021 e 2030, os benefícios econômicos globais podem chegar a US$ 16,6 bilhões.

Campanha ‘Câncer por HPV: o Brasil pode ficar sem’ 

O simpósio realizado no Rio faz parte do movimento “Câncer por HPV: o Brasil pode ficar sem”, criada em 2021 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida para ampliar o acesso à informação sobre os cânceres relacionados ao HPV e estimular a vacinação de crianças e adolescentes — medida comprovadamente eficaz para reduzir, a longo prazo, a incidência de doenças como o câncer de colo de útero.

Para a jornalista Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, o evento ajuda a fortalecer a articulação entre diferentes setores e incentivar a implementação de ações contínuas que garantam atendimento adequado aos pacientes, reduzam desigualdades e ampliem o impacto das iniciativas de prevenção, representando um marco na mobilização nacional pela prevenção.

O Brasil tem todas as condições de liderar o movimento pela eliminação do câncer de colo de útero. Isso exige compromisso, integração entre setores e investimento contínuo na vacinação, no rastreamento e no atendimento das mulheres. Queremos com este encontro que seja mais um passo para transformar essa meta em realidade”, afirma.

Iluminação do Cristo Redentor encerra evento

Após o simpósio, foi realizada a iluminação no Cristo Redentor, ponto alto da campanha “Câncer por HPV: o Brasil pode ficar sem”, Em entrevista ao VIDA E AÇÃO gravada aos pés do Cristo Redentor, Marlene Oliveira reforçou o papel da informação.

O câncer de colo do útero é o único que é 100% prevenível, através da vacinação, do rastreamento. Então, a sociedade precisa estar engajada, precisa conhecer, precisa ter informação para exigir políticas públicas e para cobrar também a eliminação dessa doença,” disse a presidente do Instituto Lado a Lado.

A cerimônia reuniu cerca de 30 convidados, como a pediatra Ana Goretti Kalume Maranhão, do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde; o médico oncologista Gustavo Guitmann, chefe do setor de Oncologia Ginecológica do Inca, e a assistente social Verônica Savatin, vice-presidente Centro-Oeste do Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde).

Confira a entrevista de Marlene Oliveira ao VIDA E AÇÃO aos pés do Cristo Redentor:

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Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

A quinta edição do “Câncer por HPV: o Brasil pode ficar sem”  aconteceu no Pestana Rio Atlântica Hotel, em Copacabana. Ao longo do dia, o evento contou com debates sobre o cenário atual da doença no Brasil, os principais desafios enfrentados pelo sistema de saúde e as propostas viáveis ​​para avançar rumo à eliminação da doença. 

Também foi destacado o papel da imunização como estratégia essencial para cumprir metas globais de saúde, especialmente o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, que busca garantir saúde e bem-estar para todos. Integrada à Agenda de Imunização 2030, a vacinação contra o HPV contribui direta ou indiretamente para 14 dos 17 ODS, reforçando sua importância para a promoção da equidade em saúde.

Como alcançar as populações mais vulneráveis?

Ex-morador de rua, Paulo Celso levou a voz dos invisíveis (Fotos: Divulgação)

O evento foi encerrado com o painel “A voz da comunidade na Eliminação do Câncer do Colo do Útero – Mobilização Social para a Vacinação, Rastreamento e Tratamento”, que discutiu ações de comunicação necessárias para atingir as populações mais vulneráveis. O debate contou com representantes de entidades que assistem pacientes e familiares de câncer, como Solange Gomes de Oliveira,  voluntária na Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes de Câncer (Abrapac) e Denner Amorim, coordenador do Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC). 

Paulo Celso, coordenador do Movimento Nacional de População em Situação de Rua (MNPR) no Rio de Janeiro; Carolinna Saraiva, do Conselho Municipal da Juventude Carioca,Anderson Gonçalves Vieira, coordenador do G10 Favelas RJ, também marcaram presença no debate, mediado por Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.. A instituição criadora de outra campanha bastante conhecida no calendário nacional da saúde, o Novembro Azul, de combate ao câncer de próstata e em defesa da saúde do homem.

Atualizado em 06/12/25

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