O Dia de Ação para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero (17 de novembro) destaca o papel da vacinação contra o HPV, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal estratégia global para eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030. Países que atingiram altas coberturas vacinais, como a Escócia, já observam a quase eliminação do câncer de colo do útero entre mulheres vacinadas.

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou importantes avanços na prevenção do HPV, graças à implementação da vacinação em escolas e campanhas educativas para desmistificar questões relacionadas à imunização contra o HPV. Mas ainda segue longe da meta de alcançar 90% do público-alvo.

Para ampliar o alcance da vacina e atingir a meta global da OMS de erradicar a doença até 2030, a pasta decidiu ampliar a vacinação contra o HPV no Brasil para adolescentes e jovens entre 15 e 19 anos. Desde o início de setembro, mais de 115 mil adolescentes e jovens foram vacinados. Mas, diante da baixa procura, a ação  foi prorrogada até dezembro e deve imunizar 7 milhões.

O esforço para aumentar a vacinação contra o HPV no Brasil ganhou mais uma aliada de peso. A empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e líder do grupo Mulheres do Brasil, está se mobilizando para disseminar a importância da vacinação contra o HPV e ajudar a desmistificar a vacina, que ainda é vista com receio por boa parte da população

Criado em 2013 e que reúne quase 200 mil mulheres no País, o grupo atua em defesa de causas públicas, como educação, redução da pobreza e acesso da população a tratamentos de saúde, e vem difundindo a importância da vacinação do HPV.

Luiza participou da Fisweek 2025 e conversou com a jornalista Rosayne Macedo, editora do VIDA E AÇÃO, sobre a importância da vacina contra o HPV para a prevenção do câncer de colo do útero e outros tipos de câncer genital. “Precisamos acabar com o câncer de útero no País”, destacou Luiza, ao lembrar que o HPV é responsável pela imensa maioria dos casos.

Confira uma entrevista exclusiva com a empresária no youtube – @vidaeacao.

Campanha do Grupo Mulheres do Brasil prevê várias ações

Grupo Mulheres do Brasil, fundado e presidido por Luiza Helena Trajanolançou o movimento Juntos Contra o HPV para combater a falta de informação e aumentar a adesão à vacinação contra o vírus, prevenindo o câncer do colo do útero. As ações incluem campanhas informativas, parcerias com escolas e uso de consentimento digital para otimizar a vacinação, especialmente nas escolas. 

Iniciativas e objetivos

  • Conscientização: O grupo busca conscientizar a população sobre a importância da vacina contra o HPV e a prevenção do câncer do colo do útero, considerado o terceiro câncer mais comum entre as mulheres no Brasil.
  • Mobilização: Luiza Trajano lidera o movimento, que trabalha para unir esforços e mobilizar pessoas de todo o país para alcançar a eliminação do câncer de colo de útero.
  • Ações nas escolas: Uma das estratégias é intensificar a vacinação nas escolas, utilizando o consentimento digital das famílias para facilitar o processo.
  • Parcerias: O movimento conta com a colaboração de diversas entidades, como a Aliança Nacional para Eliminação do Câncer do Colo do Útero, o Instituto Vencer o Câncer, e outras organizações do setor da saúde e varejo. 

O papel das empresas na democratização da saúde

A empresária Luiza Helena Trajano protagonizou o painel sobre o tema “Como a Sociedade Civil pode Ajudar a Aumentar o Acesso à Saúde”, sendo entrevistada pelo presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Josier Vilar.

Além de relatar a experiência à frente do movimento Unidos pela Vacina, que garantiu mais de 80 milhões de doses aplicadas durante a pandemia da Covid-19, ela ainda aproveitou para falar da campanha e defender o Brasil e o Sistema Único de Saúde (SUS).

É o melhor sistema de saúde do mundo. Só temos que fazer ele funcionar exatamente como foi criado, como está previsto na lei”, afirmou.

Baixa adesão pode atrasar meta da OMS de eliminar a doença

Entre 2014 e 2023, apenas 56,8% dos meninos e 81,1% das meninas de 9 a 14 anos receberam a primeira dose da vacina contra o HPV.  Diversos especialistas acreditam que na pandemia as medidas restritivas impostas para evitar o aumento do contágio pela covid-19, assim como o fechamento das escolas, pode ter impactado em uma menor procura pela vacinação contra o HPV, uma vez que muitas das campanhas são realizadas nas instituições de ensino.

No entanto, a cobertura vacinal contra o HPV tem crescido no Brasil, impulsionada por estratégias eficazes das autoridades de saúde.  De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, a aplicação da vacina contra o HPV avançou significativamente em 2024, atingindo quase 85% do público-alvo.

A cobertura superou 82% entre as meninas, índice acima da média global de 37%, e chegou a 67% entre os meninos. Entre os adolescentes de 14 anos, a adesão foi ainda maior, chegando a 96%.  Além disso, entre 2022 e 2023, o número de doses aplicadas cresceu mais de 42%, passando de 4,3 milhões para mais de 6,1 milhões.

O aumento foi de 16% entre as meninas e chegou a 70% entre os meninos, refletindo uma adesão maior do público masculino. Esse avanço ocorre porque, historicamente, as meninas se vacinam mais. O resultado é reflexo da adoção da dose única do imunizante, medida implementada no ano passado para simplificar o acesso e aumentar a adesão.

Vacinação contra HPV tem prazo estendido até dezembro

Estratégia inédita busca vacinar 7 milhões de adolescentes que não receberam a imunização na idade recomendada

Apesar do visível progresso na cobertura vacinal contra o HPV entre crianças e adolescentes, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios quando se trata dos jovens mais velhos. O desafio é resgatar quem perdeu a imunização na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. A preocupação dos especialistas é que a baixa adesão comprometa o compromisso assumido pelo Brasil com a OMS. Para isso, seria necessário alcançar índices de vacinação acima de 90%.

A campanha nacional lançada pelo Ministério da Saúde em fevereiro deste ano, voltada a adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina no período regular (dos 9 aos 14 anos), alcançou apenas 1,5% desse público até agosto, o equivalente a pouco mais de 100 mil doses aplicadas em um universo estimado de 7 milhões de adolescentes. O esforço, que vai até dezembro, busca recuperar justamente quem ficou de fora da faixa etária inicial do SUS.

A preocupação dos especialistas é que a baixa adesão comprometa o compromisso assumido pelo Brasil com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que definiu como meta global eliminar o câncer do colo do útero nas próximas décadas. Para isso, seria necessário alcançar índices de vacinação acima de 90%. Hoje, o Brasil está na casa dos 77% entre os adolescentes de 9 a 14 anos, taxa ainda distante do ideal.

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Mulheres Positivas reforça a urgência da prevenção ao câncer de colo do útero

Evento reuniu líderes e especialistas para falar sobre tratamento da doença que pode ser evitada através da vacina do HPV

O ecossistema Mulheres Positivas também abraçou a campanha de prevenção ao câncer de colo do útero, tema central do 1º Summit de Saúde e Prêmio Mulheres Positivas na Saúde, evento que colocou a saúde feminina no centro das atenções, em junho deste ano. A atriz e apresentadora Aline Campos da Silva emocionou o público ao compartilhar sua experiência pessoal com o diagnóstico de lesão causada pelo HPV.

Fui diagnosticada com uma lesão e, felizmente, tive o acolhimento da minha médica, que me orientou com muito cuidado e carinho. Após o diagnóstico, fiz a vacina contra o HPV e também vacinei meu filho de 14 anos. Seis meses depois, repeti os exames e a lesão já havia evoluído para NIC3, pré-cancerígena. Precisei fazer uma cirurgia, que deu certo, e agora sigo em acompanhamento a cada seis meses durante dois anos”.

Segundo ela, o cuidado e o acolhimento são fundamentais. “Isso faz toda a diferença. Infelizmente, muitas mulheres passam por experiências dolorosas, em que são culpabilizadas por profissionais ao receberem esse tipo de diagnóstico. Algumas saem do consultório se sentindo envergonhadas, achando que fizeram algo errado por terem tido relações sexuais. Isso precisa acabar”.

Aline destacou a importância de compartilhar sua vivência. “Recebi mensagens de mulheres passando por situações semelhantes, como uma menina que, há um ano, recebeu o mesmo diagnóstico e não teve apoio – inclusive por conta de uma traição. São muitas dúvidas e medos que surgem. Por isso precisamos de espaços como esse, para trocar experiências, acolher e informar”.

Ações que fazem a diferença

Sob o tema “Conectadas pela Vida – Saúde Feminina em Foco”, o encontro foi realizado no Hotel Fasano, em São Paulo, reunindo especialistas e lideranças para promover diálogos fundamentais sobre informação, autocuidado e protagonismo feminino. Representando a ONU, Adriana Alves, diretora de Pessoas & Cultura Organizacional, chamou atenção para os desafios de acesso enfrentados por muitas brasileiras.

Sabemos da importância de democratizar o acesso à informação e ao cuidado, especialmente para mulheres periféricas, negras, trans e com deficiência. Muitas são chefes de família, acumulando diversas responsabilidades. O maior desafio é garantir que tenham não apenas acesso aos exames, mas também acolhimento nos ambientes de trabalho e nas instituições de saúde. É essencial construir redes de apoio que respeitem suas realidades, para que possam cuidar da saúde sem medo de represálias ou prejuízos profissionais”.

Também pela ONU Mulheres, a representante adjunta Ana Carolina Querino ressaltou o impacto das desigualdades sociais como entrave para o combate à doença. “Vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, negligencia a prevenção, inclusive quando se trata de exames simples como o Papanicolau. Na América Latina, barreiras culturais, sociais e econômicas dificultam o acesso, sobretudo para mulheres negras e moradoras de áreas rurais, como no Nordeste. O tempo para realizar exames e receber resultados é longo, e as desigualdades no atendimento são evidentes. Precisamos romper esses ciclos para garantir acesso à informação, vacina e exames a todas as mulheres”.

CEO do Grupo Alta, Claudia Cohn, também reforçou o papel essencial da comunicação. “Vejo como é importante que a comunicação chegue a adolescentes e jovens, para que, quando entrem na idade reprodutiva, já estejam protegidos. Dá para prevenir, dá para vacinar. Esse é um ponto em que temos uma enorme oportunidade. E há uma outra verdade: países que adotaram essa prática há anos já registram uma redução significativa da doença. A comunicação é uma ferramenta poderosa para tratarmos dessa doença – e tratá-la de verdade”.

A fundadora do ecossistema Mulheres Positivas, Fabi Saad, celebrou os resultados do evento e reafirmou o compromisso com a democratização da informação em saúde. “Este é um manifesto pela vida. Informação é um direito, e prevenção precisa estar ao alcance de todas”

Com Assessorias

 

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