A morte da influenciadora digital paulista Bianca Dias, de 27 anos, vítima de uma embolia pulmonar 20 dias depois de passar por uma cirurgia plástica reacendeu o sinal de alerta para complicações decorrentes de procedimentos estéticos. O caso repercutiu internacionalmente, sendo classificado por tabloides estrangeiros – como o britânico The Sun – como umatragédia da beleza“. As autoridades locais investigam as circunstâncias relacionadas à morte, a cirurgia que ela realizou dias antes e o atendimento recebido em duas unidades públicas de saúde do Guarujá (SP).
Com Bianca se recuperava de uma mastopexia para retirada de excesso de pele das mamas e troca da prótese de silicone. Moradora de Mauá (SP), ela passava o feriado de Carnaval com a família em uma casa de praia no Guarujá, litoral de São Paulo, quando se queixou de fortes dores abdominais e procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Enseada no último dia 19.
A influenciadora foi medicada e liberada, mas voltou à UPÀ horas depois com uma piora do quadro. Por volta das 2h30, ela foi transferida, já intubada, para o Hospital Santo Amaro, onde teve uma parada cardiorrespiratória logo na entrada e não resistiu.  O óbito foi constatado às 3h30, por embolia pulmonar. Seu corpo foi enterrado no dia 20 em Mauá. Bianca deixa duas filhas – Beatriz e Lavinia – e sua morte chocou moradores da cidade e as redes sociais. 

Sociedade de Angiologia de SP faz alerta sobre embolia pulmonar

Nesta terça-feira (24), a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) fez um alerta à população sobre os riscos da embolia pulmonar, que pode evoluir de forma silenciosa e está entre as principais causas de morte cardiovascular.
O tromboembolismo venoso, que engloba a trombose venosa e a embolia pulmonar, figura como a terceira causa de morte cardiovascular, atrás apenas do infarto agudo do miocárdio e do acidente vascular cerebral (AVC).  Além disso, representa a principal causa de morte evitável em pacientes hospitalizados”, explica o presidente da SBACV-SP, Prof. Dr. Antonio Eduardo Zerati.

Segundo Zerati, a embolia pulmonar pode evoluir de forma silenciosa, com sintomas que muitas vezes são confundidos com outras condições clínicas. O reconhecimento precoce dos sinais de alerta e a avaliação médica imediata são determinantes para reduzir complicações e óbitos.

Um dos maiores desafios é que, em muitos casos, os sintomas iniciais são leves e podem ser confundidos com problemas respiratórios comuns. Essa semelhança atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicações fatais”, completa o médico.

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Algumas cirurgias podem aumentar o risco no pós-operatório

Questionado por VIDA E AÇÃO sobre o caso específico de Bianca Dias, o cirurgião vascular não confirma se a embolia pulmonar que Bianca sofreu pode ter sido decorrente de complicações na recuperação da cirurgia plástica a que se submeteu dias antes de sua morte. No entanto, disse que “alguns procedimentos cirúrgicos podem estar associados ao risco de tromboembolismo venoso no pós-operatório”.

Segundo ele, isso pode ocorrer com frequência maior ou menor dependendo dos fatores, como tipo de cirurgia, tempo de cirurgia, eventual restrição de mobilidade no pós-operatório e fatores associados ao próprio paciente individualmente influenciam no risco.

Algumas complicações durante a cirurgia podem aumentar esse risco (sangramento excessivo, lesão vascular, por exemplo), mas o tromboembolismo venoso também pode ocorrer mesmo após cirurgias tecnicamente bem-sucedidas”, destacou.

Segundo Zerati, “medidas de prevenção com o intuito de reduzir esse risco, tanto clínicas como medicamentosas, podem estar indicadas a depender do tipo de cirurgia e de fatores individuais de cada paciente”.

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Conheça os fatores de risco da embolia pulmonar

A embolia pulmonar pode atingir qualquer idade, mas a incidência aumenta com o envelhecimento e em situações específicas, como:

  • Internação prolongada e imobilização
  • Cirurgias de grande porte, especialmente ortopédicas e abdominais
  • Fraturas em membros inferiores
  • Câncer e quimioterapia
  • Insuficiência cardíaca
  • Gravidez
  • Uso contínuo de anticoncepcionais hormonais
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Longos trajetos (acima de duas horas) com pouca mobilidade
  • Histórico familiar ou distúrbios hereditários da coagulação

Orientações sobre condição potencialmente grave

De acordo com a SBACV-SP, a embolia pulmonar é uma complicação potencialmente grave da trombose venosa profunda. Algumas condições de maior risco podem exigir medidas de prevenção que variam desde orientações gerais (estimular a movimentação, hidratação) até uso de medicamentos anticoagulantes (restrito a casos específicos e sempre sob orientação médica).

O desafio está justamente em identificar essas situações de maior risco. Para isso, é importante consultar um médico especialista, principalmente pessoas que já tiveram o diagnóstico de trombose venosa previamente, têm familiares próximos que já sofreram trombose venosa, vão passar por cirurgias de médio e grande porte ou que têm viagens aéreas com tempo de voo superior a duas horas”, alerta o médico.

Quando é hora de correr para uma emergência

O especialista da SBACV-SP orienta que sinais como falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, inchaço em uma perna ou mais acentuado em uma das pernas, palpitações, tontura e desmaio exigem avaliação médica imediata.

Em casos mais graves, a primeira manifestação pode ser um colapso cardiovascular. Quando o coágulo é volumoso, há comprometimento importante da circulação pulmonar e sobrecarga aguda do lado direito do coração, o que pode levar ao choque e à parada cardiorrespiratória.

Um ultrassom com doppler colorido pode evidenciar a trombose venosa profunda, enquanto o diagnóstico de embolia pulmonar é feito por tomografia computadorizada do tórax.

Quanto mais precoce a identificação da trombose ou da embolia pulmonar, maiores as chances de recuperação. Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente com medicamentos anticoagulantes. Em alguns casos, procedimentos específicos podem ser necessários”, orienta o Dr. Zerati.

Para a SBACV-SP, a prevenção representa a estratégia mais eficaz. Pacientes hospitalizados ou com risco elevado devem passar por avaliação individualizada para definição de medidas preventivas adequadas. Já diante de suspeita de trombose venosa profunda e/ou embolia pulmonar, a orientação é procurar atendimento médico de urgência.

Com informações da SBACV-SP e de agências

 

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