A crise do metanol desacelerou, mas a preocupação permanece. Quase sete em cada dez (67%) brasileiros dizem estar preocupados ou muito preocupados com o risco de que eles próprios, familiares ou amigos consumam bebida adulterada com metanol. Os dados são de um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec mostra a percepção dos brasileiros sobre o caso das bebidas alcoólicas adulteradas com a substância.
Apesar disso, entre quem costuma consumir bebida alcoólica (43%), pouco mais da metade (53%) afirma que raramente ou nunca verifica a procedência do produto no momento da compra, seja por meio da avaliação do selo, do rótulo, do registro, do lacre ou da origem da bebida. Por outro lado, 34% dizem verificar sempre ou na maioria das vezes e 12% somente às vezes.
A pesquisa revela um amplo conhecimento sobre os casos de intoxicação, mas há um descompasso entre a preocupação de ingerir uma bebida adulterada com metanol e a baixa verificação da procedência no ponto de venda entre os consumidores. Existe espaço para campanhas de orientação prática, para reforço da fiscalização ao longo da cadeia e para a implementação de medidas que ajudem a garantir o consumo seguro”, afirma Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec.
Número de casos confirmados chega a 62 e mortes sobem para 16
O número de mortes causadas pela intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas subiu para 16 em todo o país, além de 62 casos confirmados, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (19). São agora 97 casos registrados e 35 em investigação. No geral, 772 suspeitas foram descartadas.
São Paulo é o estado mais atingido, com 48 casos confirmados, sendo cinco em investigação. Nove óbitos são do estado. 511 notificações de intoxicação foram descartadas pelas autoridades paulistas.
As demais mortes são três no Paraná, três em Pernambuco e uma em Mato Grosso. Há outros 10 óbitos sob análise, com cinco em São Paulo, quatro em Pernambuco e um em Minas Gerais. Mais de 50 notificações de mortes já foram descartadas.
Foram confirmadas intoxicações por metanol também em outros estados: seis no Paraná, cinco em Pernambuco, dois em Mato Grosso e um no Rio Grande do Sul. Casos suspeitos são investigados em Pernambuco (12), no Piauí (5), no Mato Grosso (6), no Paraná (2), na Bahia (2), em Minas Gerais (1) e no Tocantins (1).
Saiba mais sobre os resultados da pesquisa
Pergunta: O quanto está preocupado(a) com o risco de você, de um familiar ou amigo consumir bebida adulterada com metanol? (Estimulada – %)

Pergunta: (apenas para quem consome bebidas alcoólicas) Com que frequência o(a) sr(a) verifica a procedência das bebidas alcoólicas que costuma comprar, como por exemplo, verificar selo, rótulo, registro, lacre, origem? (Estimulada – %)
17% dos que bebem trocaram destilados por cerveja
Dentre os consumidores de bebidas alcoólicas que souberam dos casos de intoxicação, 54% adotaram alguma medida para se resguardar, sendo as mais citadas: parar de consumir bebidas destiladas e passar a consumir apenas cerveja (17%) e interromper temporariamente o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica (14%). Já 44% não mudaram o comportamento de consumo, percentual que chega a 55% entre os entrevistados de 45 a 59 anos.
Pergunta: (apenas para quem consome bebidas alcoólicas e ficou sabendo dos casos de intoxicação) O(A) sr(a) tomou alguma dessas medidas após ficar sabendo dos casos de intoxicação pelo consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol? Mais alguma? Alguma outra? (Estimulada – %)
Na opinião dos brasileiros, os principais responsáveis por evitar que bebidas alcoólicas adulteradas com metanol cheguem ao consumidor são os órgãos fiscalizadores (41%), indicados de forma mais significativa entre os mais escolarizados e por aqueles com maior renda familiar. Em patamar muito próximo, aparecem em seguida os fabricantes/indústria de bebidas alcoólicas (40%) e as distribuidoras de bebidas alcoólicas (39%).
Pergunta: Na sua opinião, quais desses é o principal responsável por evitar que bebidas adulteradas com metanol cheguem até o consumidor? (Estimulada – %)
Quanto às fontes de informação mais confiáveis sobre consumo seguro, destacam-se agentes de segurança/Polícia, órgãos fiscalizadores, Ministério da Saúde/secretarias de saúde (13%, cada) e fabricantes/indústria de bebidas alcoólicas (11%).
Pergunta: Qual dessas fontes consideraria a mais confiável, caso precisasse de informações sobre o consumo seguro de bebidas alcoólicas? (Estimulada – %)
Metade da população não sabe mencionar para qual órgão uma pessoa pode denunciar uma suspeita de adulteração de bebidas alcoólicas. Entre as menções apontadas espontaneamente, a Polícia aparece em primeiro lugar (22%), seguida pela Vigilância Sanitária (14%).
Pergunta: O(A) sr(a) sabe para qual órgão uma pessoa pode denunciar uma suspeita de adulteração de bebidas alcoólicas? (CASO SIM) Para qual órgão? Mais algum? Algum outro? (Espontânea – em %)

Praticamente a totalidade (94%) dos brasileiros tomou conhecimento dos casos de intoxicação por consumo de bebidas adulteradas com metanol. As principais fontes de informação a respeito foram a mídia tradicional (72%), com maior alcance entre entrevistados de 45 anos ou mais, e as redes sociais (52%), especialmente entre quem tem até 34 anos e entre aqueles com o ensino médio ou superior.
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A pesquisa quantitativa foi realizada a partir de entrevistas domiciliares, face a face, com o objetivo de conhecer a percepção dos brasileiros sobre os casos de intoxicação pelo consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. O levantamento aconteceu entre os dias 24 e 28 de outubro de 2025, quando foram realizadas 2000 entrevistas, em 132 municípios brasileiros.
Não há diferença de opinião por segmentos sociodemográficos do estudo, incluindo os consumidores de bebidas alcóolicas. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2023, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Saiba como identificar o metanol e possíveis sintomas
Infelizmente, o metanol não tem cheiro, cor ou sabor característicos que possam diferenciá-lo do etanol, mas há alguns indícios que levam à suspeita, como: bebida com cheiro forte e irritante, ou que lembra solventes de tinta; preço muito baixo e fora do comum; embalagens diferentes, improvisadas, sem rótulos ou sem etiquetas que indiquem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além das dicas que podem ser observadas antes da compra ou quando for ingerir os produtos, uma grande diferença entre o metanol e o etanol é a queima. Por ter estrutura química diferente, o metanol tem queima irregular: sua chama é azul-clara, quase invisível, já a do etanol é azul-amarelada, brilhante e visível.
Caso a ingestão tenha acontecido, é importante que o atendimento médico aconteça com urgência, pois os sintomas aparecem cerca de 6h a 24h após a ingestão. Dentre os principais, estão náusea, tontura, dor de cabeça, dores abdominais intensas, visão borrada ou com manchas, falta de coordenação motora e, em casos mais graves, cegueira e coma. Apesar dos sintomas serem semelhantes a uma “ressaca”, eles tendem a se agravar rapidamente.
Com Assessorias










