Altamente contagioso, o sarampo voltou a preocupar autoridades sanitárias internacionais devido à queda nas coberturas vacinais nos últimos anos. O reaparecimento de casos no Brasil reforça a importância de manter a vacinação em dia e de ampliar a cobertura vacinal em todo o país. Embora o Brasil tenha eliminado a transmissão endêmica da doença, casos importados ainda podem provocar surtos quando encontram grupos desprotegidos.
Diante desse cenário, a Academia Nacional de Medicina (ANM), uma das mais tradicionais instituições científicas do Brasil, divulgou um alerta para a importância da vacinação e para o risco de reintrodução de doenças que já haviam sido controladas no país.
A alta velocidade de disseminação do sarampo exige que o sistema de saúde responda com rapidez. Contudo, a entidade chama a atenção para um obstáculo no diagnóstico clínico inicial. A identificação precoce dos casos demonstra que o sistema de vigilância está atento, mas a rapidez na transmissão do vírus exige um diagnóstico igualmente ágil.
Para o médico infectologista e membro da ANM, Celso Ramos Filho, embora a detecção a tempo seja um sinal positivo da vigilância epidemiológica, a falta de convivência de muitos profissionais com a doença pode retardar a identificação.
A detecção a tempo de casos de sarampo, como vem ocorrendo, é um bom sinal. Mas é preciso lembrar que a capacidade de diagnosticar clinicamente uma doença exige fundamentalmente que o médico tenha familiaridade com a mesma”, pondera Celso Ramos Filho, alertando que a maioria dos médicos em atividade atualmente nunca atendeu um paciente com a infecção, o que pode favorecer a disseminação inadvertida do vírus.
Fundada em 1829, a ANM é dedicada ao avanço da medicina, da saúde pública e das ciências afins. Promove debates, cursos, congressos e premiações, contribuindo para o desenvolvimento científico e para a orientação de políticas de saúde no país
Adesão a campanha de multivacinação
.Casos de sarampo reacendem alerta no Brasil e reforçam a importância da vacinação. Entenda por que o país precisa ampliar a imunização e identificar pessoas que ficaram sem proteção
Além da vigilância epidemiológica, outro desafio é recuperar a confiança da população na vacinação. O imunizante contra o sarampo, que é altamente contagioso, é um dos principais exemplos. A queda da cobertura vacinal é apontada como um dos fatores centrais para a volta de surtos da doença.
A redução da cobertura vacinal nos últimos anos, somada aos efeitos da pandemia e ao crescimento da hesitação vacinal, ampliou o número de pessoas suscetíveis ao vírus. Muitas delas sequer sabem se receberam todas as doses recomendadas ou perderam o registro da vacinação, tornando as campanhas de imunização fundamentais para identificar e proteger quem permanece vulnerável”, ressalta a ANM.
Diante deste cenário, a campanha de multivacinação iniciada recentemente pelo Ministério da Saúde representa uma oportunidade para que pessoas até 59 anos atualizem sua situação vacinal e fortaleçam a proteção coletiva contra uma das doenças mais contagiosas conhecidas. A campanha contempla pessoas de até 59 anos porque se considera que a maior parte da população acima de 60 anos adquiriu imunidade natural antes da introdução da vacinação em larga escala.
Para especialistas, ampliar a cobertura vacinal também significa proteger aqueles que, por diferentes motivos, não podem ser imunizados, reduzindo a circulação do vírus e evitando que casos isolados evoluam para surtos de maior dimensão. Nesse contexto, a Academia Nacional de Medicina reforça que o momento exige mobilização da sociedade e adesão à campanha de vacinação.
A estratégia busca não apenas ampliar a proteção individual, mas também reduzir a circulação do vírus e impedir que pessoas não imunizadas se tornem o ponto de partida para novos surtos da doença. Com a intensificação da campanha de vacinação, especialistas reforçam que este é o momento de verificar a situação vacinal e completar o esquema de imunização, quando necessário.
A medida é considerada a forma mais eficaz de evitar que casos isolados evoluam para novos surtos e de proteger pessoas que, por idade ou condição clínica, estão mais vulneráveis às complicações da doença. Em um cenário de circulação internacional do vírus, manter altas coberturas vacinais continua sendo a principal estratégia para impedir a reintrodução do sarampo no país.
Surto de sarampo nos EUA e México reacende importância da vacinação
Infectologista reforça importância da imunização antes de viagens internacionais
A vacinação continua sendo uma das medidas mais eficazes da saúde pública para prevenir doenças graves, reduzir internações e evitar mortes. Além da proteção individual, as vacinas desempenham papel essencial no controle da circulação de vírus e bactérias, ajudando a impedir surtos e epidemias.
A doença pode causar complicações graves, como pneumonia, encefalite e até morte, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas”, alerta a infectologista Mariana Otake Yamada, professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi.
Segundo a infectologista, uma única pessoa infectada pode transmitir o sarampo para muitas outras, principalmente em ambientes fechados. “Quando a cobertura vacinal cai, o risco de surtos aumenta”, destaca. Além da proteção individual, a vacinação tem impacto coletivo. “Quando grande parte da população está imunizada, cria-se a chamada imunidade coletiva, mecanismo que dificulta a circulação do vírus e protege pessoas mais vulneráveis, como bebês, gestantes, idosos e indivíduos com alterações da imunidade.”
Apesar de muitas pessoas associarem a vacinação apenas à infância, a imunização deve ser mantida ao longo de toda a vida. “Entre as vacinas recomendadas para adultos estão as doses contra tétano, difteria e coqueluche, gripe, Covid-19, hepatite B, febre amarela e a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Em alguns grupos específicos, também podem ser indicadas vacinas pneumocócicas e contra herpes-zóster”, detalha a professora.
Vacina antes de embarcar
A proteção ganha ainda mais importância diante do aumento das viagens internacionais, já que os turistas podem entrar em contato com vírus e bactérias em circulação em outros países. “O principal risco é se expor a doenças preveníveis durante a viagem e trazer essas infecções ao retornar, favorecendo novos surtos”, reforça.
Dois dos três países que sediaram recentemente a Copa do Mundo de Futebol da Fifa – Estados Unidos e México – enfrentam surtos ativos de sarampo, o que eleva a preocupação das autoridades sanitárias mundiais.
Os EUA registraram mais de 2,2 mil casos da doença em 2025, o maior número desde que o vírus foi considerado eliminado no país, em 2000, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Os casos foram registrados em dezenas de estados e acenderam o alerta de autoridades sanitárias devido ao risco de avanço da doença.
No México, o cenário também preocupa. O país já contabiliza milhares de casos confirmados desde o início do surto e mantém circulação ativa do vírus, segundo autoridades sanitárias mexicanas e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Por isso, o Ministério da Saúde do Brasil e a OPAS recomendam que viajantes revisem a carteira de vacinação antes do embarque para estes países. A orientação é que a vacina tríplice viral esteja atualizada e, se necessário, seja aplicada pelo menos 15 dias antes da viagem.
Em caso de dúvidas sobre o histórico vacinal, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação. “A vacinação é segura e pode ser realizada mesmo quando a pessoa não tem certeza se já tomou a vacina”, garante a médica.
Com Assessorias




