Mesmo sendo uma doença evitável, o câncer do colo do útero segue como um importante problema de saúde pública no Brasil. Terceiro tumor mais incidente entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal, deve registrar cerca de 19 mil novos casos em 2026, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

É nesse contexto que a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) lança, no Março Lilás, a campanha O futuro não precisa repetir o passado”, destacando a vacinação contra o HPV, o rastreamento organizado e o acesso à informação de qualidade como pilares para a construção de um futuro sem câncer do colo do úteroO site oficial da campanha é www.marcolilassbrt.com.

Durante o Março Lilás, a SBRT mobiliza profissionais de saúde, instituições parceiras e a sociedade para reforçar a mensagem de que este é um câncer que pode ser evitável. Ao posicionar a vacinação contra o HPV como uma decisão capaz de transformar o presente, a campanha destaca prevenção, rastreamento e informação de qualidade como caminhos concretos para reduzir de forma sustentável a incidência da doença no país

A associação direta com a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) explica por que a vacinação é apontada como uma das estratégias mais eficazes para mudar esse cenário, com potencial de evitar até 97% dos casos. O lema escolhido para a campanha de 2026 traduz esse posicionamento.

O objetivo central da campanha é incentivar famílias, homens e mulheres a buscarem informação, atendimento e vacinação. “Quando entendemos que estamos falando de um câncer que pode ser evitado, a responsabilidade deixa de ser apenas do sistema de saúde e passa a ser também coletiva. Informação de qualidade, vacinação e rastreamento salvam vidas”, completa.

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Câncer é causado por infecção sexualmente transmissível

O câncer de colo de útero é um tumor que se desenvolve na parte inferior do útero, chamada “colo”, que fica no fundo do canal vaginal. Sua principal causa é a infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV), transmitido na relação sexual. A maioria das pessoas tem contato com esse vírus ao longo da vida, sem apresentar sintomas. Na maioria dos casos, o próprio organismo elimina a infecção espontaneamente.

Contudo, se a infecção persistir, após vários anos podem aparecer lesões que, se não tratadas, podem causar câncer.  “O risco surge quando a infecção se torna persistente, especialmente por tipos de alto risco, capazes de provocar alterações celulares progressivas que podem evoluir para lesões precursoras e câncer ao longo de anos ou décadas”, explica Almeida Jr.

O câncer de colo de útero é importante destacarmos que ele pode ser prevenido e até eliminado com as estratégias de vacinação e rastreamento precoce que temos disponíveis hoje. A maior parte dos casos é causada pelo HPV, um vírus sexualmente transmissível que tem como principal forma de prevenção a vacinação”, ressalta Renata Fernandino, médica oncologista do Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), administrado pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed).

A infecção genital por esse vírus é muito frequente e, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Por isso, é importante o uso de preservativos e a conscientização sobre a prevenção desse tipo de tumor, pois na maioria das vezes ele pode ser evitado.

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Vacina e exame preventivo podem evitar a doença

De acordo com a médica ginecologista e obstetra do HCN,  Elbia Maria de Sousa, o câncer de colo de útero vem acometendo cada vez mais mulheres muito jovens e, por isso, é essencial falarmos sobre o combate e prevenção.

A principal forma de prevenção é a vacina contra o HPV, disponibilizada pelo SUS. Além disso, temos também o exame preventivo, conhecido como Papanicolau, que é simples e pouco invasivo”, conclui a médica.

O exame deve ser feito periodicamente por todas as mulheres após o início da vida sexual, pois é capaz de detectar alterações pré-cancerígenas precoces que, se tratadas, são curadas na quase totalidade dos casos, não evoluindo para o câncer e salvando inúmeras vidas.

No Brasil, desde 2025, o teste molecular de HPV-DNA integra a rede pública de saúde, permitindo identificar a presença do vírus e seus subtipos, inclusive os de alto risco, e intensificar o acompanhamento antes da progressão da doença. A vacinação, por sua vez, segue como a estratégia mais eficaz de prevenção.

Oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, a vacina também está disponível, em situações específicas, para outros grupos. Apesar disso, a cobertura vacinal nessa faixa etária foi de cerca de 77% em 2025, abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030.

Ao afirmar que o futuro não precisa repetir o passado, a SBRT propõe romper um ciclo histórico de adoecimento que atravessou gerações de mulheres e substituí-lo por uma trajetória sustentada em prevenção, cuidado e informação qualificada.

Vacinar meninas e meninos contra o HPV, ampliar o rastreamento e garantir acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento são medidas concretas para transformar um panorama que ainda resulta em milhares de novos diagnósticos todos os anos.

A radio-oncologista Denise Ferreira Silva Alves, diretora de Comunicação da SBRT e responsável técnica da campanha, explica que o câncer do colo do útero permite uma abordagem distinta daquela tradicionalmente associada ao câncer.

Quando falamos em câncer, a sociedade costuma pedir cura. Mas, no caso do câncer do colo do útero, nós temos algo ainda melhor do que a cura, que é a prevenção primária, ou seja, evitar, de fato, que ela ocorra. Podemos evitar com vacina disponível no SUS e rede privada e exames capazes de identificar alterações antes mesmo de se transformarem em câncer”, reforça Denise.

Na avaliação do radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT, a campanha também dialoga diretamente com a prática assistencial. “A radioterapia desempenha um papel essencial no tratamento do câncer do colo do útero, especialmente nos casos localmente avançados, incluindo o uso de modalidades como a braquiterapia, que é uma técnica de radioterapia de alta complexidade, muitas vezes associada à quimioterapia. Nosso maior objetivo é reduzir o número de mulheres que precisam desse tratamento”, afirma,

Para o presidente da SBRT, investir em prevenção também significa fortalecer a sustentabilidade do sistema de saúde. “Quando conseguimos evitar a doença, a radioterapia pode ser direcionada de forma mais estratégica para cânceres multifatoriais e que ainda não podem ser prevenidos. Isso é melhor para as pacientes e para o sistema como um todo”, reforça Almeida Jr.

Campanha vai além do câncer de colo do útero

A campanha da SBRT, disponível no site www.marcolilassbrt.com, inclui um vídeo manifesto e uma ampla oferta de materiais de conscientização disponíveis para download gratuito, como artes para camisetas, adesivos, folhetos e banners.

O conteúdo informativo vai além do câncer do colo do útero e aborda outros tipos de câncer associados ao HPV, como os de vagina, vulva, pênis, ânus e orofaringe, trazendo informações sobre sintomas, rastreamento, diagnóstico e prevenção, além de orientações detalhadas sobre a vacina contra o HPV e a importância da imunização de meninos e meninas.

Como parte do esforço educativo, a campanha disponibiliza ainda um material com dez perguntas e respostas sobre a vacina contra o HPV, reunindo informações claras e baseadas em evidências científicas para apoiar famílias e profissionais de saúde na tomada de decisão.

Eliminar o câncer do colo do útero é uma meta possível quando ciência, vacinação, rastreamento, informação de qualidade e políticas públicas caminham juntas. Vacinar contra o HPV é uma escolha concreta para que o futuro não repita um passado marcado por uma doença que hoje pode ser amplamente evitada.

Com Assessorias

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