Ganhei no Dia das Mães uma máscara de cílios que nunca tinha usado antes e estava querendo há muito tempo. Qual não foi a minha surpresa quando, ao usar o produto antes de uma aula de dança, senti os olhos irritados, como se tivesse um cisco gigante. Ou melhor, vários em ambos os olhos. Após lavar e retirar o produto, o incômodo passou, mas fica o alerta: até que ponto não arriscamos nossa saúde diariamente com produtos feitos para nos trazer beleza e bem-estar?

O uso diário de maquiagem, produtos de skincare, cílios postiços e finalizadores capilares exige atenção redobrada para evitar danos à saúde ocular. A oftalmologista  Regina Cele Silveira Seixas alerta que substâncias presentes nesses itens — como colas, conservantes, fragrâncias e agentes fixadores — podem desencadear desde irritações leves até quadros mais graves, como alergias, inflamações e até lesões na córnea.

Segundo a especialista, a região dos olhos é extremamente sensível, e qualquer contato inadequado pode provocar reações importantes. “A pele das pálpebras e a superfície ocular têm alta permeabilidade. Produtos mal aplicados ou inadequados podem causar dermatites, conjuntivites alérgicas e até queimaduras químicas”, explica Regina Cele.

Cílios postiços também requerem bastante atenção

Outro ponto de atenção são os cílios — tanto os postiços quanto as extensões. Segundo Regina Cele, o uso inadequado pode trazer riscos significativos. “As colas utilizadas em cílios postiços podem conter substâncias altamente alergênicas. Além disso, a aplicação incorreta pode causar tração dos fios naturais, inflamação na pálpebra e até queda dos cílios”, explica.

A médica também alerta para casos de infecção associados à falta de higiene. “Extensões de cílios exigem manutenção rigorosa. O acúmulo de resíduos pode favorecer a proliferação de bactérias e ácaros, levando a quadros como blefarite e conjuntivite”, destaca.

No campo do skincare, a médica chama atenção para o uso inadequado de cremes e ácidos próximos aos olhos. “Produtos anti-idade e clareadores frequentemente contêm substâncias irritantes. Quando aplicados muito próximos da margem palpebral, podem atingir o filme lacrimal e causar ardência, lacrimejamento e inflamação crônica”, afirma.

Dificuldade para enxergar de perto prejudica na hora da maquiagem

Além dos riscos químicos e mecânicos, a especialista chama atenção para um fator pouco discutido: o impacto da presbiopia — dificuldade natural de enxergar de perto — na rotina de beleza. “A mulher gosta de maquiagem, mas chega um momento em que se maquiar passa a ser um desafio, porque ela não enxerga bem de perto. Isso aumenta o risco de erros na aplicação, como lápis dentro da linha d’água ou contato direto com a córnea”, afirma.

De acordo com Regina Cele, esse cenário pode levar a microtraumas oculares e infecções. “A presbiopia não afeta apenas a visão, mas também a precisão dos movimentos. Um simples delineado ou a colocação de cílios pode se tornar um risco se feito sem os recursos adequados, como espelhos de aumento e boa iluminação”, complementa.

O caso de Cacau Protásio com uso de pomadas capilares

O alerta ganha ainda mais relevância diante de casos recentes envolvendo cosméticos capilares. A atriz Cacau Protásio relatou perda temporária da visão e dor intensa após uma reação alérgica provocada por pomada de cabelo. O episódio evidencia os riscos do contato desses produtos com a região ocular e reforça a necessidade de atenção ao uso e à procedência dos cosméticos.

Para a oftalmologista, o caso ilustra um problema recorrente. “Produtos capilares podem escorrer com o suor, água ou até durante o sono. Quando entram em contato com os olhos, alteram o pH da lágrima e provocam uma reação inflamatória imediata”, afirma. Ela reforça que, em situações como essa, a orientação é lavar os olhos com água em abundância e procurar atendimento médico rapidamente.

Conjuntivite Química: Oftalmologista alerta sobre os riscos da extensão de cílios

Uma jovem publicou um vídeo na plataforma TikTok em que mostra os olhos machucados após fazer uma extensão de cílios. A autora do vídeo, Marcelle Santos, explicou que solicitou à profissional cílios com “volume russo”. No entanto, não apenas o resultado ficou exagerado, como Marcelle desenvolveu um quadro de conjuntivite química.

Ciscos nos olhos: O que fazer quando algo estranho atinge sua visão

Poeira, insetos e até mesmo os próprios cílios: qualquer pessoa já passou pela incômoda sensação de ter um corpo estranho nos olhos. Mas, quando isso acontece, como devemos agir? E em quais situações é necessário procurar ajuda médica?

É normal ficarmos apreensivos quando entra um cisco nos nossos olhos, afinal, não sabemos se, de fato, o que se inseriu será um problema. O que fazer quando acontece essa situação? O oftalmologista Fernando Ramalho, especialista em cirurgia refrativa no Oftalmos – Hospital de Olhos, da Vision One, em Santa Catarina, alerta que a presença de um corpo estranho no olho pode causar dor, irritação, vermelhidão, ardência e coceira intensa.

Durante períodos de ventania, como os registrados em diversas regiões do Brasil, a entrada de poeira, areia e outros fragmentos no globo ocular se torna mais frequente. O ideal é sempre proteger os olhos ao sair ao ar livre.

Ao perceber um cisco no olho, a principal recomendação é não esfregar os olhos, pois essa ação pode piorar a irritação, aumentar o lacrimejamento, provocar visão embaçada e até causar lesões na córnea. Segundo o Dr. Fernando Ramalho, a melhor conduta nesses casos é manter a calma e seguir os seguintes passos:

  • Lave bem as mãos com água e sabão antes de qualquer tentativa de remoção;
  • Aplique colírio lubrificante algumas vezes para ajudar a eliminar o corpo estranho;
  • Evite piscar excessivamente ou pressionar as pálpebras, pois isso pode agravar a sensação de desconforto;
  • Se necessário, lave os olhos com água potável e corrente e procure atendimento oftalmológico o quanto antes.

O ideal é que qualquer corpo estranho no olho seja retirado da forma correta e por um especialista, para evitar riscos de complicações. Em alguns casos, o paciente pode confundir a sensação de cisco no olho com sintomas de inflamações, conjuntivites, terçol ou síndrome do olho seco. Por isso, o diagnóstico oftalmológico é essencial para indicar o tratamento adequado”, explica o Dr. Fernando Ramalho.

Além disso, o especialista reforça que medidas preventivas simples, como lavar bem as mãos antes de tocar os olhos e higienizar corretamente as lentes de contato, ajudam a manter a saúde ocular em dia.

Com Assessorias

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *