Epidemia no RJ: casos de dengue já superam todo o ano de 2023

Número de casos prováveis de dengue no estado este ano chega a 59.162. Capital inicia vacinação em crianças e doses chegam a mais 11 cidades

Nas escolas municipais do Rio, crianças e adolescentes entram na 'guerra' contra o mosquito Aedes aegypti (Fotos: Divulgação)
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Subiu para 59.162 os casos prováveis de dengue no Estado do Rio de Janeiro, que está em situação de epidemia, conforme o Decreto 48.969/24, publicado nesta quinta-feira (22), no Diário Oficial. O número já é maior que todo o ano de 2023, quando foram registrados 51.526 casos prováveis. A taxa de incidência, agora, está em 368 casos por 100 mil habitantes. Já o número de óbitos confirmados pela doença permanece o mesmo – quatro, de acordo com o boletim Panorama da Dengue semanal, produzido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), por meio do Centro de Inteligência em Saúde (CIS).

Em meio ao cenário epidemiológico de agravamento da situação, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) informou que dará início nesta sexta-feira (22) à vacinação contra a dengue em crianças e adolescentes, conforme diretrizes do Ministério da Saúde. O evento de lançamento da campanha acontecerá no Super Centro Carioca de Vacinação, em Botafogo, com a presença do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

A campanha de vacinação contra a dengue na cidade do Rio será realizada de maneira escalonada, para a faixa de 10 a 14 anos, começando pelas crianças de 10 anos, que poderão se vacinar nesta sexta, a partir das 14h, em qualquer uma das 238 unidades de Atenção Primária do município. A faixa de 11 anos será contemplada a partir da próxima quarta-feira (28), e os demais grupos terão suas datas anunciadas nos próximos dias.

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Estado do Rio recebe mais de 230 mil doses da vacina

A capital foi a primeira dentre as 12 cidades Estado do Rio escolhidas para a fase inicial da campanha de vacinação. Para o município do Rio foram destinadas 141.710 doses, entregues pelo Governo do Estado nesta quinta-feira (22/02), quando chegou o primeiro lote de vacinas contra a dengue, enviado pelo Ministério da Saúde. Ao todo, 231.928 doses chegaram à Central Geral de Armazenamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), em Niterói.

Seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde, as primeiras doses serão aplicadas aos que têm entre 10 e 11 anos, em cidades da Região Metropolitana I, a mais populosa e também a mais atingida pela epidemia, que inclui a capital e 11 municípios da Baixada Fluminense.

Com a chegada de mais doses, a vacinação será ampliada até atingir o público-alvo, que é dos 10 aos 14 anos. Os critérios para a quantidade de doses para os municípios e a definição do público-alvo levam em consideração a população e o volume de casos de crianças hospitalizadas de 2019 a 2023.

“Estamos agilizando as entregas das vacinas aos municípios, para que eles deem início à imunização. Nesse momento, o Ministério da Saúde nos enviou doses para a faixa etária que foi considerada prioridade por não ter tido contato com epidemias anteriores e ser mais suscetível”, destacou o governador Cláudio Castro, que decretou a situação de epidemia, seguindo orientação da área técnica da Secretaria de Saúde.

Veja quantas doses vão para outras 11 cidades da Baixada

Primeiros lotes da vacina da dengue para crianças e adolescentes começam a chegar no Estado do Rio (Fotos: Mauricio Bazilio / SES-RJ)

Além da capital, serão distribuídas nesta sexta-feira (23) as seguintes quantidades de doses a 11 municípios da Baixada Fluminense: Nilópolis (3.080), Duque de Caxias (21.113), Nova Iguaçu (20.320), São João de Meriti (10.806), Itaguaí (3.365), Magé (6.218), Belford Roxo (12.709), Mesquita (4.179), Seropédica (2.159), Japeri (2.517) e Queimados (3.740).

Os técnicos da SES.RJ fizeram a avaliação técnica no recebimento das doses e fiscalizaram o controle de temperatura, a integridade e a validade do lote. Cada lote foi separado por municípios e guardado em câmaras frias com temperatura entre 2 e 8 graus celsius. O tempo de validade da vacina é de 5 anos. Cada município ficará responsável pela aplicação da vacinação por meio das secretarias municipais de Saúde.

“Já temos uma logística de distribuição de vacinas rápida e eficaz para os municípios. Implementamos esse serviço durante a Covid e esse ficou como um dos nossos maiores legados”, disse a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.

11 das 27 UPAs estaduais ampliam salas de hidratação

Onze das 27 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da rede estadual de saúde começaram a receber, nesta quinta-feira (22.02), equipamentos para ampliar o atendimento em suas salas de hidratação. As unidades de Marechal Hermes, Engenho Novo e Botafogo já receberam os kits (com poltronas e longarinas). Além dessas, também terão salas ampliadas as UPAs de Jacarepaguá, Bangu, Campo Grande 1, Santa Cruz, Irajá, Ricardo de Albuquerque, Nova Iguaçu I e Realengo.

Cada uma das 11 unidades está recebendo cinco poltronas, além de insumos, medicamentos e outros equipamentos. Com esse conjunto, é possível atender em média 50 pessoas por dia a mais do que já vinham sendo atendidas. A previsão é de que até o fim desta sexta-feira (23/02) todos os novos equipamentos estejam instalados.

As 27 UPAS da rede estadual de saúde possuem salas de hidratação – também conhecidas como salas de hipodermia – mas estas 11 estão sendo ampliadas por terem registrado aumento nos atendimentos a pacientes com dengue. A ampliação das salas de hidratação é parte da segunda etapa do Plano Estadual de Combate à Dengue, anunciada na quarta-feira (21/2) pelo governador Cláudio Castro e pela secretária Claudia Mello. 

“A principal estratégia para minimizar o número de casos graves e óbitos é um manejo clínico rápido e adequado. Por isso, as salas de hidratação funcionam como importante ferramenta para monitoramento dos pacientes e realização do tratamento. Essa é uma medida ainda preventiva para um cenário com fluxo de atendimento mais intenso, o que ainda não notamos na nossa rede”, pontuou a secretária, durante a vistoria das salas de Marechal Hermes e no Engenho Novo, já em funcionamento.

Atendimentos em UPAs cresceram em três semanas

O boletim semanal Panorama da Dengue, divulgado nesta quinta-feira (22/02) pela SES-RJ), passa a divulgar a partir desta semana uma análise dos atendimentos suspeitos de dengue nas UPAS estaduais, que vêm aumentando por três semanas consecutivas. Na Semana Epidemiológica 5 (SE 5), que compreende o período de 28/01/2024 a 03/02/2024, foram feitos 5.631 atendimentos; na SE 6 (de 04/02 a 10/02) foram 8.411; e na SE 7 (11/02 a 17/02) foram 9.348 atendimentos.

O boletim apresenta nessas sete primeiras semanas epidemiológicas o excesso de casos (EC), indicando quantas vezes o número de casos registrados excede o limite máximo previsto. Por essa métrica, as regiões Metropolitana I, Serrana e Centro-Sul encontram-se em Nível III de acionamento à resposta a Emergência de Saúde Pública para Epidemia de Dengue, por apresentarem excesso de casos maior que 10 vezes o limite do canal endêmico por três semanas consecutivas.

Elaborado pelo Centro de Inteligência em Saúde (CIS) da SES-RJ, o boletim tem como diferencial o uso de um modelo de cálculo epidemiológico conhecido como nowcasting, que leva em conta o atraso de inserção de dados no sistema de vigilância. Os dados referentes à dengue no estado do Rio de Janeiro se encontram disponíveis no Painel Monitora da SES-RJ, no link: https://monitorar.saude.rj.gov.br/.

Escolas do Rio iniciam mobilização contra a dengue

  

Também nesta quinta-feira (22/02), na cidade do Rio, começou a “Semana Mobilizadora de Combate às Arboviroses”. Em função do aumento de casos de dengue na cidade do Rio e com a volta às aulas, começou nesta quinta-feira (22), a ações de mobilização, combate e conscientização que irão ocorrer em todas as 1.613 escolas municipais pactuadas no Programa Saúde na Escola Carioca (PSE Carioca), entre os meses de fevereiro e março.
A primeira ação aconteceu no Ciep Doutor Ernesto Che Guevara, em Campo Grande, região que concentra os maiores números de casos da doença no Rio. O evento também contou com a participação dos jovens promotores da saúde, o RAP da Saúde, que distribuíram material educativo sobre as arboviroses.
 
Entre as atividades, o destaque do dia foi justamente ele, o Aedes aegypti. O mosquitão – uma professora fantasiada – chegou no Ciep pronto para dominar o território, mas não foi fácil passar pelos alunos. Com um teatro divertido, os estudantes mostraram como fazer a sua parte e, no final, o mosquitão não se criou e foi derrotado pelos guardiões de combate às arboviroses.
“Na peça, eu sou uma guardiã que derrota o mosquito da dengue. Foi muito legal essa ação na minha escola! A gente aprende mais sobre como se proteger da dengue e como evitar o mosquito nas nossas casas”, disse Luiza Regina, de 9 anos, aluna do 4º ano do Ensino Fundamental.
 
A “Semana Mobilizadora de Combate às Arboviroses” traz uma série de atividades preventivas e de conscientização contra a dengue nas escolas, com a participação da comunidade. Os 850 alunos do Ciep Doutor Ernesto Che Guevara deram início à semana com exposição de trabalhos e oficinas sobre como combater o Aedes aegypti. E, com o auxílio de maquetes e até microscópio, fizeram uma exposição sobre o ciclo de vida do mosquito.
Até o dia 1° de março, outras dez escolas, distribuídas em diferentes regiões da cidade, também terão ações especiais marcando o início do projeto, que acontece até o final do mês. A ação conta com o apoio do projeto Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde (RAP da Saúde), desenvolvido há 15 anos, voltado para adolescentes e  jovens cariocas entre 14 e 24 anos.
Com informações da SES-RJ e da SMS-Rio
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