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Alerta para a temporada de casos de bronquiolite em bebês

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Mesmo antes do inverno, as infecções virais respiratórias podem colocar a saúde das crianças em risco. Desde o início de abril, todo o território brasileiro entrou na alta temporada do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal agente causador de infecções do trato respiratório inferior em bebês de até dois anos – estima-se que 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias nesse público sejam decorrentes do vírus. O vírus exige cuidados adicionais dos pais com as crianças menores de 2 anos e, em especial, bebês prematuros.

Antes característico das estações mais frias, o VSR está em circulação no Brasil desde o início do verão, provocando uma alta significativa das doenças respiratórias. A sazonalidade do vírus varia de acordo com a região do país – começa no Norte, durando de fevereiro até junho, vai atingindo as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, onde registra picos entre março e julho, chegando ao Sul em abril e permanecendo até agosto com alta de casos na região.

Werther Brunow de Carvalho, pediatra do Hospital Santa Catarina – Paulista explica que as infecções virais respiratórias são as causas mais frequentes no período entre março e junho, sendo prevalente nos pacientes mais vulneráveis. “A doença se manifesta pela presença de bronquiolite, pneumonia viral, pneumonia bacteriana ou quadros mais leves de infecções de vias aéreas superiores”, conta.

Vacina contra a bronquiolite em gestantes e idosos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou no início de abril a liberação do registro para o imunizante Abrysvo, da farmacêutica Pfizer, contra a bronquiolite, uma doença viral que se não cuidada pode ser agravar e até levar bebês e crianças pequenas de até 2 anos à morte. O imunizante também está aprovado para pessoas acima de 60 anos – outra vacina da GSK para este público também já havia sido aprovado ano passado pela Anvisa.
“A vacina Abrysvo é aplicada em dose única durante a gestação e previne contra o vírus VRS (principal motor da bronquiolite)”, explica a médica Anna Dominguez Bohn, pediatra pela SBP. Sendo assim, gestantes que estiverem com 32 a 36 semanas e 6 dias entre dezembro e julho poderão tomar a vacina para proteger os bebês que nascerão na sazonalidade do vírus, de fevereiro a agosto. “A previsão de chegada da vacina é para o segundo semestre de 2024”, avisa a médica.

Para o professor de Pediatria do Centro Universitário São Camilo, Marcelo Iampolski, a liberação do registro para a vacinação contra a bronquiolite é uma ótima notícia. Ele explicou que a princípio a vacina deve ser aplicada em gestantes, em dose única intramuscular, o  que se mostrou eficaz principalmente nos primeiros três meses da vida do recém-nascido.

“Ela protege o bebê em até 85% dos casos no primeiro trimestre após o nascimento, principalmente considerando a passagem dos anticorpos através do aleitamento materno. Essa proteção se estende ainda por seis meses de vida com uma taxa de cerca de 50 a 55% de imunização, o que é um índice alto para que tenhamos queda nas taxas de internação”, disse o professor.

Entenda a bronquiolite

A bronquiolite é uma doença infecciosa, de causa viral, na maior parte das vezes causada pelo Vírus Sincicial RespiratórioBebês e crianças pequenas, menores de 2 anos, são os mais afetados. O vírus ataca a região do bronquíolo, provocando uma inflamação que leva ao estreitamento das vias respiratórias, dificultando a passagem do ar. Quando o contágio ocorre em bebês prematuros e cardiopatas, a preocupação é ainda maior, em razão da gravidade das implicações.

A patologia é mais comum no inverno, mas o vírus sincicial respiratório (SRV), que causa a maior parte dos casos de bronquiolite, circula em todas as épocas do ano e a doença pode ser confundida com gripe ou resfriado forte. O vírus é responsável por até 60% a 80% dos casos de bronquiolite infantil (infecção dos brônquios, nos pequenos tubos respiratórios dos pulmões) e até 40% dos casos de pneumonia pediátrica.
A maioria dos bebês que precisam de cuidados hospitalares por causa de infecção por VSR são bebês saudáveis e nascidos a termo. No Brasil, segundo dados do SIVEP-Gripe, entre os meses de abril e julho de 2023, o número de crianças menores de 2 anos que foram hospitalizadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave causada por VSR foi quase o dobro do observado no mesmo período em 2022, e mais que o triplo do observado em 2021.

“O principal vírus causador da bronquiolite é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que tem distribuição em períodos de mais sazonalidade, principalmente a partir de março até meados de junho ou julho. Mas ele circula durante o ano inteiro. É uma infecção viral que acomete o trato respiratório inferior, geralmente precedido de outra infecção viral que tem sintomatologia variada.”, explicou o professor de pediatria.

Sintomas do VSR são parecidos com os da gripe

Segundo o professor, em crianças mais novas o sistema imunológico ainda é imaturo e favorece as infecções respiratórias, cujo sintomas são coriza, dificuldade para mamar, chiado no peito, tosse seca, diminuição do apetite e um padrão respiração que varia bastante, desde o desconforto respiratório mais leve até sinais como presença de cianose, que é uma condição clínica que apresenta unhas, lábios e mucosas com coloração azulada causada pela baixa oxigenação do sangue.

Os sintomas iniciais são parecidos com os do resfriado comum, como tosse, obstrução nasal, coriza e às vezes chiado no peito, durando, em média, entre 3 e 15 dias. Porém, um indicativo de gravidade é a dificuldade para respirar e a falta de ar..

“Como os primeiros sinais são bastante corriqueiros, é essencial que um médico avalie a criança para o diagnóstico correto, no intuito de evitar o agravamento do quadro e o desenvolvimento de outras doenças respiratórias mais graves, como pneumonia e asma, e a presença do vírus sincicial respiratório que ocasiona doença sazonal”, relata Dr. Werther.

Ele destaca também outros sintomas: “Um terço das crianças apresentam febre que, no geral, fica abaixo de 39ºC. Há também dificuldade da criança em se alimentar, o que ocorre normalmente após 3 a 5 dias do início da doença. É preciso ficar atento, pois nas lactentes abaixo de 6 semanas de idade pode ocorrer apneia”.

Quando é hora de levar o bebê ao hospital

“Em casos benignos, o tratamento geralmente acaba sendo a boa hidratação da criança, mas nos casos graves é necessário o suporte ventilatório para garantir a oxigenação da criança, com internação e monitorização cardíaca”, afirmou o professor de Pediatria Marcelo Iampolsk

Dr. Werther aponta que é preciso estar atento aos sinais. “Se perceber que a tosse está piorando, a ponto de a criança não conseguir dormir, que o peito dela está se movendo para cima e para baixo, de forma ofegante, deve-se procurar a emergência”.

A maioria das crianças com bronquiolite aguda pode ser tratada de maneira ambulatorial utilizando medidas de suporte como aspiração das secreções nasais, elevação da cabeceira da cama e fracionamento da alimentação.

“Nos pacientes com acometimento respiratório mais importante, o protocolo é a internação para mantermos as vias áreas com uma boa ventilação”, conclui o especialista.

De acordo com o pediatra, quando o vírus age de forma mais agressiva contra as defesas da criança, o pulmão pode perder um pouco de sua capacidade, levando a repercussões mais sérias que, em alguns casos, demandam até mesmo internação na UTI.

Por essa razão, anualmente, o Hospital Santa Catarina aumenta o número de leitos pediátricos na época do ano em que há um aumento dos casos de bronquiolite e outras doenças respiratórias em bebês e crianças.

Bronquiolite tem novos tratamentos aprovados pela Anvisa

De acordo com o professor de Pediatria Marcelo Iampolsk, em casos benignos, o tratamento geralmente acaba sendo a boa hidratação da criança, mas nos casos graves é necessário o suporte ventilatório para garantir a oxigenação da criança, com internação e monitorização cardíaca.

O tratamento atual é feito com antivirais como a ribavirina que é recomendada para pacientes imunodeprimidos com infecção grave pelo vírus sincicial respiratório.

“E temos também a disponibilidade de uso profilático através de anticorpos monoclonais, ou seja, uma proteína produzida em laboratório que imita a capacidade do nosso sistema imunológico de combater patógenos nocivos, como os vírus, sendo que o palivizumabe está disponível há algum tempo para utilização profilática para pacientes pediátricos com alto risco”, relata o pediatra.

“O outro anticorpo monoclonal aprovado pela Anvisa ano passado, o nirsevimabe, inibe a etapa essencial de fusão da membrana no processo de invasão viral, neutralizando o vírus e bloqueando a fusão célula a célula. Ele é para uso profilático contra o vírus sincicial respiratório, e deve ser aplicado em dose única e visa fornecer proteção durante toda a temporada do VSR.

Ele é recomendado principalmente para bebês prematuros com problemas pulmonares; bebês com doenças cardíacas graves; fibrose cística; problemas neuromusculares; problemas nas vias aéreas; e para bebês imunocomprometidos ou com síndrome de Down”, conta Dr. Werther.

Uma medida de combate revelada pela Dra. Anna é a imunoprofilaxia com anticorpo monoclonal para VRS, ministrado em dose única a bebês que tiverem de 0 a 8 meses no período de sazonalidade. “O ‘Nirsevimab’ também já é aprovado pela Anvisa, e deve chegar no segundo semestre”.

Sinais de que é hora de ir ao hospital

Quem já lidou com bebês sofrendo com a bronquiolite, sabe como são bem-vindas as novas formas de tratamento que acabam de chegar ao Brasil.

“A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos pulmonares. Quando o bebê pega algum vírus, a inflamação aumenta a produção de secreção, o que leva à diminuição das vias respiratórias, dificultando a respiração”, resume Paulo Telles, pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).  Nas formas mais graves, a bronquiolite pode levar a internações, sendo a principal causa entre bebês de até 2 anos.

Dr. Telles reforça a importância de observar os sintomas. “O grande risco é porque o corpo aumenta a frequência das respirações para manter a oxigenação, mas esse esforço pode levar a fadiga muscular e insuficiência respiratória”, detalha. Por isso, ele atenta ao período que vai do terceiro ao quinto dia: “É aí que a tosse pode piorar e a criança começará a respirar mais rápido”.

Ele explica quando é hora de procurar atendimento numa unidade hospitalar:

  • Esforço para cada respiração, como se tivesse corrido ou feito exercício;
  • Respiração muito acelerada, dificultando a fala ou choro;
  • Costelas puxando a cada respiração (chamadas de retrações);
  • Respiração com chiado, barulho de assobio;
  • Respiração mais rápida do que o normal, acima de 40 vezes por minuto;
  • Lábios ou o rosto azulados ou arroxeados;
  • Prostração excessiva ou sinais de desidratação.

4 dicas para prevenção do vírus da bronquiolite

Ainda não temos a vacina para a prevenção ao vírus sincicial respiratório. Portanto, a principal forma de contrair o vírus é por meio de secreções respiratórias e pelo contato com pessoas infectadas com o VSR ou qualquer adenovírus.

Para aqueles que buscam evitar as complicações respiratórias nesta época do ano, existem diversas ações preventivas que podem ser incorporadas ao cotidiano. As principais indicações envolvem manter uma boa ventilação nos ambientes frequentados, reforçar a higiene das mãos, assegurar um bom nível de hidratação ao longo do dia e evitar transições entre ambientes com diferença expressiva na temperatura (choque térmico).

“Além disso, é essencial a lavagem de mãos e adequação do ato de tossir, especialmente em famílias com crianças de alto risco. Evitar exposição à fumaça de cigarro. E manter o calendário de vacinação em dia, pois as variações nas doenças virais são modificadas por muitos fatores, logo, a vacinação é uma das práticas mais eficazes de prevenção, assim como bons hábitos alimentares, acompanhados da prática regular de atividades físicas e agendamentos periódicos com especialistas”, finaliza o especialista.

Como prevenção, seguem as recomendações especialmente para crianças abaixo de um ano:

1. Evitar aglomeração e preferir lugares ventilados;

2. Visitar a criança apenas se tiver certeza de que não está doente;

3. Usar máscara de proteção;

4. Fazer sempre a higienização das mãos com álcool no caso de contato com a criança.

Com Assessorias

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