Mais de 15 mil cães e gatos vítimas da tragédia climática no Rio Grande do Sul – que matou 180 pessoas e ainda mantém milhares de pessoas desalojadas –  permanecem aguardando por uma chance. Alguns estão há mais de dois meses confinados em locais apertados e desconfortáveis nos abrigos superlotados que foram improvisados no estado para receber os animais resgatados.

A superlotação dos abrigos temporários para animais é crítica e necessita de soluções emergenciais por parte do poder público e de toda a sociedade organizada. Mas a proposta do governador Eduardo Leite (PSDB) de pagar R$ 450 a cada pessoa que adotasse um desses animais, repercutiu mal entre as ONGs de proteção animal que atuam no estado (veja abaixo por que). O Governo acabou desistindo da ideia.

Além de cobrar medidas mais efetivas para resolver o problema social e sanitário, as organizações que atuam na causa animal no estado buscam, com apoio da iniciativa privada, soluções para ajudar a agilizar o processo de adoção responsável desses animais – inclusive por moradores de outros estados, de forma remota -, até reconectar os animais perdidos a seus tutores, com uma ‘forcinha’ da Inteligência Artificial (IA).

O ‘Tinder dos pets’ resgatados: IA para localizar animais perdidos

Por meio da plataforma Encontre Já.Aí, que funciona com apoio de IA, os abrigos e donos podem subir imagens dos pets, e a tecnologia faz um ‘match’ com base nas características físicas fornecidas. Quando um match é encontrado, as informações são repassadas ao dono. A plataforma mantém as imagens no banco de dados até que um match ocorra, possibilitando o reencontro entre animais e seus donos.

Encontre Já  foi criado por um grupo de pessoas do Rio Grande do Sul, que se mobilizaram para ajudar animais e tutores a se reencontrarem após a tragédia das chuvas e contou com o apoio das marcas Pedigree e Whiskas, ambas da Mars Petcare. A ideia do ‘Tinder’ dos pets resgatados no Sul é genial – afinal, todo animalzinho é, sem dúvida, o amor da vida de alguém!

AdoteRS incentiva doação responsável

Para facilitar a adoção de animais e o reencontro de tutores com pets perdidos nas enchentes, o Instituto Ampara Animal, em parceria com a Pedigree Adotar é Tudo de Bom, lançou a plataforma online AdoteRS, com o objetivo de ajudar a aliviar a superlotação nos abrigos, oferecendo uma forma organizada de adoção e reencontro.

Para adotar um animal resgatado, os interessados devem acessar o site adoters.org.br, se identificar com um animal e ler as descrições para garantir compatibilidade com seu estilo de vida. A responsabilidade e o cuidado com o novo companheiro são essenciais.

Pessoas que resgataram animais vítimas das enchentes e buscam ajuda para encontrar adotantes podem fazer o cadastro na plataforma e gerenciar o processo de adoção de forma autônoma. Protetores de animais no RS devem cadastrar os cães e gatos disponíveis para adoção em seus abrigos. As entrevistas serão realizadas pelos próprios abrigos, com apoio do Ampara Animal, que fornecerá um termo de adoção.

PetEsperança: live com famosos para adoção de animais do RS

A atriz Glória Pires participa da live de lançamento do projeto que incentiva adoção remota de animais resgatados no Sul (Foto: Reprodução de internet)

Outra iniciativa que o Instituto Ampara Animal acaba de lançar também o projeto PetEsperança, focada em promover a adoção remota de animais do Rio Grande do Sul. A primeira live do projeto será realizada neste domingo (7), das 13h às 17h, no Instagram @amparaanimal.

Durante a live, são apresentados ao vivo alguns animais que ainda estão no abrigo no Rio Grande do Sul e buscam por um lar. Os interessados poderão realizar entrevistas no mesmo dia e já adotar um novo amigo.

O processo de adoção será 100% responsável, incluindo triagem, entrevista e assinatura do termo de adoção. Todos os pets disponíveis para adoção já estarão castrados, vacinados e vermifugados.

Os animais adotados serão transportados para São Paulo. A Ampara Animal e a Pedigree se responsabilizam pelo traslado dos animais para algumas cidades, facilitando o processo de adoção para quem estiver interessado.

O evento contará com o apoio de influenciadores que participarão voluntariamente da transmissão online, como a atriz Glória Pires. Outros influenciadores e celebridades – como Lais Conter. Diego Rodrigues, Gabriel Sater, Maicon Santini, Celso Zucatelli, Jéssica Rodrigues e Valentina Bulc – também vão apresentar a campanha para suas audiências.

O evento incluirá um formulário e uma equipe para entrevistar os candidatos durante a live, e o transporte dos animais será organizado pelo Instituto Ampara Animal.
Adote um animal do Rio Grande do Sul
Se você quer adotar um animal resgatado do RS, siga o passo a passo::

  • Entre no site adoters.org.br
  • Clique no pet.
  • Leia as descrições para garantir que esse animalzinho combina com seu estilo de vida.
  • Tenha responsabilidade e cuide bem do seu novo companheiro.

Você resgatou algum animal vítima das enchentes e quer ajuda para encontrar um adotante para ele? No site “adoters” e faça um cadastro para ter autonomia no processo de adoção.
Se você é protetor no RS:

  • Cadastre o cão ou gato disponível para adoção no seu abrigo.
  • A entrevista será feita pelo próprio abrigo.
  • A Ampara disponibilizará um termo de adoção para ajudá-los.

O que é preciso para adotar um animalzinho resgatado do Sul

Antes de adotar, é importante saber:

  • É necessário ter mais de 21 anos.
  • Proporcionar conforto, saúde e bem-estar ao animal.
  • Adaptar a residência para evitar fugas ou acidentes, incluindo tela de proteção para gatos.
  • Ser paciente e compreensivo no período de adaptação.

Após a decisão e a concordância de todos na residência, os interessados devem entrar em contato com a protetora responsável pelo animal via e-mail.

Para aqueles que desejam encontrar seus pets desaparecidos, a Ampara Animal criou uma página centralizada com informações para ajudar nesse processo. Para aqueles que não podem adotar, o Instituto Ampara Animal está com equipes de veterinários no RS realizando atendimentos e precisa de ajuda. Contatos podem ser feitos pelo e-mail: doers@amparanimal.org.br.

ONGs de proteção animal reagem a projeto que prevê indenizar quem adotar animais resgatados no Sul

Para especialista, proposta não leva em conta que muitos podem ser abandonados, especialmente em uma situação de calamidade pública

Um projeto de lei do governador Eduardo Leite apresentado recentemente, que propõe indenizar quem adotar animais resgatados no Rio Grande do Sul, foi mal recebido por ONGs de proteção animal que atuam no estado desde o início das chuvas, enchentes e alagamentos.

O GRAD – Grupo de Resposta a Animais em Situações de Desastre apresentou ofício no qual diz entender que o PL tem a intenção de buscar lares para os milhares de animais que se encontram nos abrigos atualmente.

Porém, alerta que “o incentivo à adoção através de compensação pecuniária é algo preocupante, que irá gerar uma série de problemas em um futuro próximo, não irá atender ao interesse dos animais e tampouco promover a guarda responsável”.

O documento sugere a realização de uma audiência pública em caráter de urgência com a participação da sociedade civil para que se possa alinhar uma solução que atenda aos interesses da sociedade e dos animais, promovendo de fato uma transformação no atual cenário.

Para Yuri Fernandes Lima, sócio do Bruno Boris Advogados e especialista em bem-estar animal, trata-se de uma iniciativa extremamente perigosa.

Se em uma situação normal já é complicado, em um cenário de calamidade pública se torna ainda pior, já que muitas pessoas, estando extremamente carentes, são capazes de adotar o animal apenas para obter o benefício, os abandonado em seguida”, alerta. 

No último dia 26, o Governo do RS desistiu de dar continuidade ao projeto após encontro de Leite com representantes e profissionais da causa animal. O PL, que seria encaminhado à Assembleia Legislativa ainda no fim de junho, previa o pagamento de R$ 450 reais por animal, em duas parcelas, para quem adotasse até dois pets resgatados da enchente

Ao todo, de acordo com o texto do projeto, a expectativa do estado era desembolsar R$ 7 milhões ao todo pela adoção dos 15.259 animais de estimação abrigados em 353 locais em todo o estado, com maior concentração em Canoas (5.335 animais) e Porto Alegre (4.223).  Na prática, quem adotar um animal, receberia R$ 450 de ajuda de custo e cada pessoa poderá adotar até dois animais.

“O incentivo para adoção será pago para aquelas pessoas que desejarem adotar um animal de estimação afetado pelas enchentes, mas que não têm condições de arcar com os custos”. O valor previsto “considera gastos básicos de cuidados com animais de estimação durante seis meses” .

A ‘indenização’ seria paga em duas parcelas, uma logo após ser realizada a adoção do animal e outra após três meses, quando se previa um acompanhamento para garantir o bem-estar do animal adotado. Além disso, todos os animais postos para adoção já estariam castrados e microchipados, por meio de uma parceria com hospitais universitários veterinários, Ministério Público do Rio Grande do Sul e o Grad.

Com Assessorias

 

 

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