Em meio à onda de fake news que invade a internet e causa danos irreparáveis na saúde pública – vide o exemplo da baixa cobertura vacinal verificada nos últimos tempos – vídeos publicados no Youtube têm propagado que um exame específico para detectar o câncer de próstata poderia, ao contrário, provocar a doença e fazê-la se alastrar pelo organismo. 

Não há evidência clínica de que biópsia de próstata CAUSE câncer de próstata ou que ESPALHE a doença localizada. Tais afirmações feitas por pessoas sem fundamentação científica, que criam uma realidade paralela de conhecimento e nela creem, podem levar muitos homens a óbito se essas “verdades” forem aceitam como fato”, alerta a Sociedade Brasileira de Urologia.

De acordo com a SBU, ao contrário do que afirmam os vídeos feitos por pessoas sem o menor grau de conhecimento para se manifestar sobre o assunto, há, sim, MUITOS estudos sobre biópsia de próstata, acurácia do método e morbidade.

Por isso, por meio de seu Departamento de Uro-Oncologia, a SBU divulgou uma nota pública nesta quarta-feira (17) em que repudia “comentários sem fundamentação científica, que podem dificultar a detecção precoce do câncer de próstata, tão estudado nos últimos anos”.

A Sociedade Brasileira de Urologia divulgou uma nota de esclarecimento ao público sobre vídeos publicados no Youtube que disseminam informações errôneas e distorcidas sobre a detecção do câncer de próstata através de biópsia transretal.

A entidade ainda ressalta que o câncer de próstata é o tumor mais incidente no homem com cerca de 68.220 casos/ano, de acordo com as estimativas de incidência do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

NOTA DE ESCLARECIMENTO E REPÚDIO

A SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA através do seu DEPARTAMENTO DE URO-ONCOLOGIA, vem a público esclarecer algumas publicações infundadas veiculadas na internet sobre detecção do câncer de próstata através de biópsia transretal.

1 – O câncer de próstata é o mais frequente nos homens e o que mais mata quando diagnosticado em estágios avançados.

2 – Nos estágios iniciais as formas de tratamentos multimodais oferecem seguimentos livre da doença ou até a cura em mais de 95%.

3 – Para ser diagnosticada na sua forma inicial a BIÓPSIA DE PRÓSTATA se faz necessária, sendo a ÚNICA forma de “encontrar” a doença.

4 – Para que o urologista solicite a biópsia deve haver indícios da presença da doença, como toque retal alterado (nódulos ou alteração da textura da glândula) e/ou, elevação do PSA, além de outros exames complementares.

5 – Nem todo toque retal alterado ou PSA elevado significa presença de câncer.

6 – A biópsia de próstata transretal retira através de agulha apropriada filetes de tecido prostático para confirmação ou não da presença de câncer.

7 – Após análise histopatológica dos fragmentos e classificação do grau da doença, o urologista pode optar por formas de tratamento individualizadas para cada caso.

8 – As opções de tratamento incluem vigilância ativa, cirurgias radicais, radioterapia, hormonioterapia e outras.

9 – Não há evidência clínica de que biópsia de próstata CAUSE câncer de próstata ou que ESPALHE a doença localizada.

10 – Tais afirmações feitas por pessoas sem fundamentação científica, que criam uma realidade paralela de conhecimento e nela creem, podem levar muitos homens a óbito se essas “verdades” forem aceitam como fato.

11 – Ao contrário do que afirmam os vídeos feitos por pessoas que parecem “leigas” no assunto, há, sim, MUITOS estudos sobre biópsia de próstata, acurácia do método e morbidade. 

12 – A SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA, através do seu DEPARTAMENTO DE URO-ONCOLOGIA, repudia comentários sem fundamentação científica – feitos por pessoas sem o menor grau de conhecimento para se manifestar sobre o assunto–, que podem dificultar a detecção precoce do câncer de próstata, tão estudado nos últimos anos.

13 – Tais comentários são, no mínimo, irresponsáveis.

Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia

Gestão 2018/2019

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