Você já ouviu falar na ‘ciência do riso’? Saiba como ela faz bem pra saúde

Especialista em Gelotologia explica como o riso pode ser terapêutica. Crianças com autismo têm mais dificuldade de dar risada, diz fonoaudióloga

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Para bater de frente com a ‘síndrome da segunda-feira’, neste ano, o Dia Nacional do Riso – dia 6 de novembro – cai nesta segundona. Há alguns anos, a data tem sido dedicada ao riso (ao menos nas redes sociais brasileiras). A origem da comemoração é desconhecida, mas a mesma serve de justificativa para compreendermos como essa manifestação física da alegria pode ser benéfica à saúde.

Sim! O riso pode ser um remédio. A ciência afirma que o riso é um elixir para a saúde física e mental. Sorrir, apesar de ser um gesto simples, é uma expressão facial que mobiliza uma variedade de músculos faciais. Para sermos precisos, o simples ato de sorrir envolve a coordenação de aproximadamente 12 músculos faciais, enquanto o franzir da testa exige o dobro desse esforço.

Estudos na área atestam que esse gesto de felicidade proporciona benefícios terapêuticos, como a redução do estresse, a diminuição da ansiedade, a melhoria da depressão, o reforço do sistema imunológico e a desaceleração do processo de envelhecimento.

E já existe uma ciência para estudar o riso e suas diversas finalidades, e ela se chama Gelotologia. “Gelos” vem do grego e significa riso; e logos, vem do mesmo idioma, e significa palavra, estudo.  Para quem não sabe, não gosta ou tem vergonha de sorrir é bom começar a rever seu comportamento, para o seu próprio bem-estar.

É o que garante Allan Mazzoni, pesquisador e autor em Gelotologia. Ele é professor do curso de Enfermagem do Centro Universitário IBMR e doutor em Ciências da Saúde, quando defendeu a tese sobre o uso da terapia no cuidado com idosos.

“Esta pessoa requer um pouco de entendimento sobre o que é o elixir mágico da vida. Nós vivemos em um mundo complexo, que pode nos gerar transtornos de ansiedade e depressão, mas é preciso ter uma leitura mais dinâmica sobre os fatos. E também, não basta apenas sorrir. É preciso cultivar bons pensamentos, a boa amizade, o abraço e reconhecer o que há de melhor no ser humano e na vida”, explica,

Esse “cultivar”, explica Mazzoni, é estimular a mente com bons pensamentos. Afinal, o sorriso precisa ser verdadeiro. “Assim, a mente estará pronta para estimular o riso. Isso ocorre quando você perceber o melhor que há na vida e não focar tanto nas desgraças e na violência”, exemplifica o professor do IBMR, que integra o Ecossistema Ânima.

Não é ser indiferente às calamidades. É reconhecer que os acontecimentos são diversos e não somente tragédias. “O conceito da vida real é poder levar o melhor de dentro de si para o outro. É ajudar, confortar. Consciente disso, é possível virar a chave e abrir o portal do riso e poder sorrir livremente”, garante.

O que é risoterapia?

A gelotologia é conhecida como a ciência que pesquisa as diferentes formas de manifestação do humor no ser humano. Como terapia, tem-se a gelototerapia, conhecida também como Terapia do Riso ou Risoterapia.

“Nela, a pessoa é induzida ao riso, com o objetivo de liberar neurotransmissores como a serotonina, endorfina, dopamina, oxitocina e também a anandamida, que é conhecido como um hormônio endocanabinóide natural”, cita o professor do IBMR.

O professor cita alguns cursos ainda raros no Brasil para ensinar a sorrir. Mas, para quem procura solução rápida para o não saber sorrir, o professor alerta que a prática do riso e do bom humor requer muito mais do que fazer um curso. “Ela pede uma filosofia de vida”, resume.

Tido como o pioneiro no estudo da Gelotologia no mundo, William F. Fry foi professor da Universidade Stanford, nos EUA. Ele é autor do livro “Sweet Madness: A Study of Humor” (trad. literal: “Doce loucura: estudo do humor”).

Leia mais

Terapia do riso: palhaços levam alegria a crianças em hospitais
Dicas e truques para conquistar o sorriso perfeito
Ciência da felicidade: como recuperar o sorriso perdido na pandemia?
Dia do Riso: Você não sorri por vergonha dos dentes?

Crianças com TEA têm mais dificuldade para sorrir

Miguel Ferreira, que só conseguiu sorrir aos 3 anos, e a família (Foto: Divulgação)

Dia Nacional do Riso também celebra o poder do sorriso e a sofisticada habilidade de imitação e expressão, que desempenham um papel vital no desenvolvimento motor e cerebral. Por trás do que parece ser um gesto simples, existe um processo complexo de desenvolvimento motor e cerebral.

Marília Macêdo, fonoaudióloga da clínica médica Med Advance, destaca que a capacidade de sorrir se desenvolve em paralelo com o crescimento do cérebro e do sistema nervoso das crianças.  Desde bem pequenos, os bebês começam a imitar as expressões faciais dos adultos à sua volta, um processo crucial para o desenvolvimento social e emocional.

“Esse ato de imitar, incluindo o sorriso, é uma demonstração de uma habilidade cerebral em evolução,” afirma.

A especialista ressalta, entretanto, que o desenvolvimento motor e cerebral pode ser desafiador para algumas crianças. Algumas enfrentam atrasos no desenvolvimento, que podem afetar sua capacidade de sorrir. Esses atrasos podem estar relacionados a uma série de fatores, como condições médicas, genéticas ou ambientais.

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, às vezes podem ter dificuldades em imitar expressões faciais, incluindo o sorriso, devido às características da condição. Marília enfatiza que o foco da terapia fonoaudiológica é tornar o sorriso mais natural e apropriado para o contexto em que a criança está inserida.

“Algumas crianças com TEA têm dificuldade em discernir quando expressar suas emoções, o que depende do grau, nível e momento de desenvolvimento de cada criança. Cada caso é único e não pode ser generalizado”, destacou.

A rotina do menino que só passou a rir aos 3 anos e meio

Alguns casos são ainda mais desafiadores, com crianças que não sorriem. É o caso de Miguel Ferreira, de 5 anos, com TEA moderado. Ele começou a sorrir apenas aos 3 anos e meio. Sua mãe, Auricélia Ferreira, relata a jornada de Miguel e o papel essencial da Med Advance em seu diagnóstico e tratamento do TEA.

“O Miguel não sorria de forma espontânea. Ele parecia gostar de algo, mas não expressava isso com sorrisos. Era como se ele estivesse indiferente a todas as situações. Após quase 3 anos de acompanhamento multidisciplinar, ele aprendeu a expressar emoções e sorrir. O primeiro sorriso intencional dele foi emocionante. Qualquer progresso é significativo para famílias que convivem com o autismo, e ver um filho sorrindo de forma espontânea não tem preço”, contou.

É imperativo que essas crianças recebam o apoio necessário para desenvolver suas habilidades motoras e cerebrais, permitindo-lhes experimentar a alegria do sorriso e a conexão com os outros. Marília enfatiza que algumas crianças com TEA podem rir fora de contexto devido à dificuldade de compreender o momento apropriado para expressar suas emoções. O trabalho envolve a melhoria das habilidades sociais da criança, permitindo que ela expresse sentimentos de maneira mais adequada.

“Todas as crianças, independentemente de sua condição, são únicas, transparentes e seu sorriso aparecerá naturalmente à medida que desenvolvem a capacidade de se expressar”, enfatizou, acrescentando que é importante reconhecer a complexidade e a importância do desenvolvimento motor e cerebral que tornam o sorriso possível. “O sorriso de qualquer criança, incluindo aquelas com TEA, é sempre sincero, puro e transparente”, finalizou.

Com Assessorias
Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!