Sei que aparecer falando com aquela boca mole assusta, mas estou bem. Tive dificuldade para falar, negócio muito doido, mas não tive confusão mental, tontura, nada além de não conseguir pronunciar bem as palavras”.
O episódio envolvendo o veterano do Jornalismo esportivo brasileiro acendeu um alerta global sobre os impactos do calor excessivo na saúde. Em períodos de temperaturas elevadas — especialmente quando associadas à exposição prolongada ao sol e a jornadas intensas de trabalho —, o organismo sofre alterações que vão desde desconfortos leves até emergências médicas graves.
A atual Copa do Mundo tem sido marcada por fortes ondas de calor no Hemisfério Norte. Com a chegada do verão, órgãos de meteorologia dos Estados Unidos preveem uma combinação de calor extremo e tempestades, com termômetros oscilando entre 32 °C e 38 °C. A junção de alta temperatura, forte umidade relativa do ar e aglomeração de pessoas faz a sensação térmica disparar, resultando em mal-estar generalizado.
O impacto do estresse térmico no sistema cardiovascular
Segundo o cardiologista Carlos Eduardo Zanoni, professor do curso de Medicina da Uniderp, o calor intenso faz com que o corpo trabalhe dobrado para manter a temperatura interna adequada, gerando uma sobrecarga nos sistemas vitais.
Quando somos expostos a temperaturas muito elevadas, ocorre a dilatação dos vasos sanguíneos e uma maior perda de líquidos e sais minerais através do suor. Isso pode provocar queda da pressão arterial, tontura, dor de cabeça e náuseas. Em casos graves, o paciente desenvolve exaustão pelo calor ou insolação, uma condição que pode ultrapassar os 40 °C corporais e exige atendimento médico imediato por risco de danos aos órgãos”, explica Zanoni.
O cardiologista Jorge Koroishi, do Hcor, complementa que o suor é a principal ferramenta de termorregulação do corpo, mas o excesso de transpiração sem a devida reposição é um gatilho perigoso. “Nos indivíduos com nível de hidratação baixo, o calor pode causar fadiga, palpitação e oscilação abrupta na pressão arterial”, alerta.
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Grupos de maior risco
Embora o calor extremo afete qualquer indivíduo, os cuidados devem ser redobrados para:
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Idosos e crianças;
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Gestantes;
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Trabalhadores externos;
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Portadores de doenças crônicas (como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e diabetes).
Fique atento: sinais de alerta do corpo
Se você ou alguém próximo estiver exposto ao calor e apresentar os sintomas abaixo, busque um local fresco e interrompa as atividades:
| Sintomas Iniciais | Sinais de Gravidade (Emergência) |
| Tontura ou fraqueza excessiva | Confusão mental |
| Dor de cabeça intensa | Perda de consciência / Desmaio |
| Náuseas e vômitos | Pele muito quente e avermelhada |
| Batimentos cardíacos acelerados | Diminuição do suor (mesmo sob calor intenso) |
Como proteger o corpo e refrescar o ambiente
Para reduzir os danos causados pelo estresse térmico, os especialistas recomendam uma mudança ativa de hábitos nos dias mais quentes:
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Hidratação estratégica: Beba água mineral, água de coco ou sucos naturais mesmo sem sentir sede. Evite bebidas alcoólicas, pois elas aceleram a desidratação.
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Alimentação leve: Insira mais frutas, legumes e verduras na dieta, evitando frituras e alimentos gordurosos que tornam a digestão mais lenta e pesada.
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Climatização do ambiente: Mantenha ventiladores estrategicamente posicionados para criar correntes de ar, utilize climatizadores e umidificadores e feche cortinas nos horários de sol direto.
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Cuidados com o sol: Evite a prática de exercícios ao ar livre entre 10h e 16h. Use filtro solar, roupas leves, claras e chapéus.
Clima e saúde: a importância da Saúde Única (One Health)
O mal-estar de Alex Escobar e o cenário climático da Copa de 2026 não são eventos isolados. Eles refletem a urgência das discussões sobre o conceito de Saúde Única (One Health), que aborda de forma integrada a saúde humana, animal e ambiental.
As crescentes ondas de calor extremo são consequências diretas do desequilíbrio ambiental e das mudanças climáticas globais. Quando o meio ambiente adoece e as temperaturas atingem níveis históricos, a resposta é imediata na saúde pública: aumento de internações cardiovasculares, surtos de desidratação e agravamento de doenças crônicas. Tratar a saúde humana sem mitigar a crise climática e proteger os ecossistemas se tornou impossível.
Com Assessorias
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