A iniciativa marca o mês de conscientização da doença de Parkinson que, segundo a OMS, afeta 1% da população mundial, sendo 200 mil casos no Brasil. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mais de 1 milhão de brasileiros terão essa condição até 2060. Apesar dos avanços médicos, o Parkinson ainda é subdiagnosticado e frequentemente reduzido ao tremor — uma visão simplificada que ignora impactos profundos na autonomia, comunicação e qualidade de vida dos pacientes.
O alerta é da Associação Brasil Parkinson, que acaba de divulgar uma carta, alertando para a urgência de mudanças estruturais no enfrentamento da doença no país, considerada hoje a condição neurológica que mais cresce no mundo. A entidade chama atenção para o sofrimento silencioso de milhares de brasileiros e para as falhas no acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
Segundo o manifesto, o cenário atual revela desigualdades importantes no sistema de saúde, especialmente no acesso a terapias complementares e acompanhamento contínuo. A Associação Brasil Parkinson, que há 40 anos atua no acolhimento e reabilitação de pacientes, defende uma mudança de paradigma no cuidado com a doença.
O documento propõe três frentes prioritárias de avanço no Brasil: diagnóstico precoce e qualificado, ampliação do cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS) e a construção de políticas públicas sustentáveis baseadas em evidência. A entidade reforça que o envelhecimento da população tende a ampliar significativamente o número de casos nos próximos anos.
Entre os pontos críticos, está o atraso no diagnóstico, muitas vezes causado pela falta de capacitação na atenção primária. Além disso, o modelo de tratamento ainda é centrado na medicação, sem incorporar de forma estruturada terapias como fisioterapia, fonoaudiologia e suporte psicológico — fundamentais para preservar a funcionalidade dos pacientes”, diz Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson.
Ao final, o documento reforça o papel da sociedade, gestores e profissionais de saúde na transformação desse cenário. “Mais do que ampliar o debate, é preciso transformá-lo em ação”, destaca o documento, que convida o país a olhar para o Parkinson com mais responsabilidade e compromisso”, destaca.
Leia a íntegra da carta abaixo:
CARTA ABERTA À SOCIEDADE, À CLASSE MÉDICA E AOS GESTORES PÚBLICOS
A Doença de Parkinson ainda é, no Brasil, uma condição subdiagnosticada, subtratada e frequentemente compreendida de forma limitada. Reduzi-la ao tremor é ignorar sua complexidade clínica, seu impacto funcional e, sobretudo, o sofrimento silencioso de milhares de brasileiros.
O Parkinson compromete autonomia, comunicação, mobilidade e qualidade de vida. Afeta não apenas quem recebe o diagnóstico, mas toda a sua rede de apoio. E, ainda assim, seguimos convivendo com atrasos diagnósticos, acesso desigual ao tratamento e ausência de políticas públicas estruturadas que contemplem o cuidado integral.
É diante desse cenário que a Associação Brasil Parkinson reafirma seu compromisso com a sociedade brasileira.
Ao longo de 40 anos, a Associação tem atuado de forma consistente na promoção da informação qualificada, no acolhimento de pacientes e familiares e na defesa de um modelo de cuidado que vá além do tratamento medicamentoso, integrando reabilitação, suporte emocional e acompanhamento contínuo.
Acreditamos que o enfrentamento do Parkinson no Brasil exige uma mudança de paradigma.
É fundamental avançar em três pilares centrais:
- Diagnóstico precoce e qualificado
A identificação dos sinais iniciais da doença ainda é um desafio, inclusive na atenção primária. Propomos a ampliação de programas de capacitação para profissionais de saúde, com foco em reconhecimento precoce e encaminhamento adequado, reduzindo o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico definitivo.
- Cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS)
O tratamento do Parkinson não pode se limitar à prescrição medicamentosa. Defendemos a incorporação estruturada de abordagens multiprofissionais no SUS, incluindo fisioterapia especializada, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico, garantindo funcionalidade e qualidade de vida ao paciente.
- Políticas públicas sustentáveis e baseadas em evidência
É urgente incluir a Doença de Parkinson de forma mais robusta nas agendas de saúde pública, com planejamento, financiamento adequado e integração entre os níveis de atenção. O envelhecimento da população brasileira e o aumento do número de casos em todo o mundo torna essa pauta ainda mais relevante e inadiável.
A Associação Brasil Parkinson se coloca como parceira técnica e institucional na construção dessas soluções. Nosso compromisso é contribuir com conhecimento, experiência clínica, articulação social e atendimento ao SUS em nossa sede, fortalecendo políticas públicas eficazes, humanizadas, promovendo saúde e bem-estar e reduzindo as desigualdades de acesso.
Mais do que ampliar o debate, é preciso transformá-lo em ação.
Neste mês de conscientização, convidamos gestores, profissionais de saúde, formadores de opinião e toda a sociedade a olharem para o Parkinson com mais profundidade, responsabilidade e compromisso.
Cuidar da pessoa com Parkinson é preservar sua dignidade, sua autonomia e seu lugar na sociedade.
E isso não pode esperar.
Agenda Positiva
Run for Parkinson 2026 inspira histórias de superação
A Run for Parkinson 2026 reúne corrida e caminhada com largada e chegada na Rótula das Cuias, em Porto Alegre, com expectativa de participação de cerca de 800 pessoas entre atletas, familiares, apoiadores da causa e integrantes da comunidade. É a primeira vez que Gilson vai participar.
Em 2025 vi várias pessoas com Parkinson participando da Run for Parkinson e prometi para mim mesmo que, quando tivesse a oportunidade em Porto Alegre, eu iria participar. Esta será minha primeira prova, e espero que não seja a última. Vou para competir, mas o principal é concluir a prova e mostrar que o exercício físico é um dos melhores remédios para retardar o avanço do Parkinson”, afirma Gilson.
A iniciativa busca ampliar o debate sobre a Doença de Parkinson e estimular hábitos saudáveis por meio da prática esportiva, incentivar o convívio social e reforçar a importância do movimento como aliado na qualidade de vida. A prática regular de exercícios é reconhecida por especialistas como uma ferramenta importante para ajudar no controle de sintomas motores e no bem-estar de quem vive com Parkinson.
A atividade é realizada pela Associação Parkinson do Rio Grande do Sul (APARS) e pela Associação dos Parkinsonianos de Minas Gerais (ASPARMIG), com organização do Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Sul (SESC/RS).
O percurso contempla caminhada de 2 quilômetros e corridas de 5 e 10 quilômetros, permitindo a participação de atletas amadores, corredores experientes e pessoas que desejam apenas caminhar em apoio à causa. Pessoas idosas e pessoas com deficiência contam com desconto nas inscrições.
A Run for Parkinson é mais do que uma corrida. É um gesto público de apoio, informação e acolhimento para milhares de pessoas que convivem com a doença. Cada participante ajuda a ampliar o conhecimento da sociedade e a mostrar que o movimento também é uma forma de cuidado”, destaca.
Com Assessorias






