Eles perderam os movimentos das pernas por conta de motoristas embriagados. Hoje, trabalham para ajudar a identificar condutores que não poderiam dirigir. Há 17 anos, Elaine Cristina Cordeiro teve a vida transformada após ser atingida por um motorista embriagado que realizou uma ultrapassagem perigosa. Na ocasião, ela havia acabado de passar em um concurso público e voltava para casa para contar a notícia à mãe. Elaine ficou quase dois anos em coma.

Saí de casa com um filho de oito anos e, quando acordei, ele já estava perto dos dez. A Lei Seca transformou a minha dor em missão. Hoje sou uma mulher feliz, tenho meus filhos, meus netos, e são eles a minha esperança e a razão de eu continuar lutando para que outras famílias não passem pelo que a minha passou”, contou Elaine .

Márcio da Silva Alcântara também relatou as consequências permanentes do acidente que sofreu. Atualmente, ele depende da mãe para os cuidados mais básicos do dia a dia. Ela enfrenta um câncer, situação que, segundo o agente, aumenta o temor sobre o futuro. Apesar das dores e limitações, Márcio afirma que encontrou no trabalho da Operação Lei Seca uma nova razão para seguir em frente.

Eu convivo com muitas dores, mas a Lei Seca me tirou da cama e me devolveu um propósito. Aqui eu tenho uma profissão e uma missão: usar a minha história para ajudar o próximo e evitar que outras pessoas passem pelo que eu passei”, afirmou Márcio.

Homenagem na Semana Nacional do Trânsito

Eliane e Márcio estão entre os 22 agentes cadeirantes da Operação Lei Seca que participaram de um encontro, nesta segunda-feira (21/09), que marcou o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência no Rio de Janeiro, integrou a programação oficial da Semana Nacional do Trânsito, no Palácio Guanabara. O objetivo era conhecer de perto o trabalho de conscientização desenvolvido pelo grupo em diferentes regiões do estado.

A Operação Lei Seca é uma política de Estado pela qual todos nós devemos brigar para manter e não deixar se esvair. Ela vai além de uma política de governo; é uma ação permanente de conscientização no trânsito. E a superação que vemos aqui, quando essas pessoas se doam para mostrar o próprio sofrimento e atuar em prol da sociedade, é algo maravilhoso”, ressaltou o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto.

Para o secretário de Estado de Governo, Marcos Simões, o encontro mostrou a dimensão humana do trabalho realizado pelo programa. “Foi um encontro muito emocionante. Ouvir essas histórias dos agentes cadeirantes da Operação reforça a importância desse trabalho sério e transparente. A Lei Seca salva vidas todos os dias e isso ficou claro nos relatos que ouvimos hoje, – pontuou o secretário.

Agentes foram vítimas da combinação álcool e direção

Os agentes que participaram do encontro integram a Coordenação de Educação da Operação Lei Seca, que conta com 26 agentes PcDs (Pessoas com Deficiência). Todos eles foram vítimas de acidentes de trânsito envolvendo a combinação de álcool e direção. Em palestras e abordagens educativas, o grupo compartilha suas próprias histórias e as consequências das colisões para suas vidas e famílias.

Além do trabalho de fiscalização nas ruas, a Operação Lei Seca mantém uma frente permanente de educação para alertar sobre os riscos no trânsito. Em 2025, foram realizadas 1.451 ações educativas em todo o Estado do Rio de Janeiro. Desse total, 454 foram palestras sobre os riscos do consumo de álcool associado à condução de veículos, alcançando 42.361 pessoas.

Em 2026, até o momento, a Operação Lei Seca já contabilizou 2.429 ações de fiscalização e abordou 270.083 motoristas. No período, foram registrados 22.383 casos de alcoolemia e aplicadas 83.868 infrações de trânsito. Desde a sua criação, o programa somou 44.744 operações de fiscalização, com mais de 5 milhões (5.064.945) de veículos abordados, 378.297 casos de alcoolemia e 1.200.968 infrações aplicadas.

Leia mais

Trânsito causa até 10 vezes mais sequelas que mortes, alerta CFM
Acesso a saúde é mais difícil para pessoas com deficiência
Como a tecnologia pode ajudar pessoas com deficieência

Tribunal de Justiça promove ação social com serviços para PCDs

Iniciativa acontece nos dias 23 e 24 de setembro, das 10h às 17h, no Palácio da Justiça, no Centro do Rio

Às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) revelou que o Brasil tem mais de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população do país, sendo 6,03% com deficiência severa e 1,23% com deficiência profunda.

A taxa de analfabetismo dessa parcela da população era doze vezes maior do que entre as pessoas sem deficiência. Ainda segundo o estudo, que cruzou dados do último Censo com outras fontes, em 2022, o nível de ocupação das pessoas com deficiência era de 29%, contra os 55,8% entre as pessoas sem deficiência.

No Rio de Janeiro, a data é marcada por um mutirão promovido pelo Tribunal de Justiça com dezenas de serviços de diferentes áreas para Pessoas com Deficiência (PCDs). O mutirão, já integrado ao calendário do Judiciário fluminense, chega à sua quinta edição visando à promoção da cidadania, da inclusão e do acesso a direitos. A ação social acontece nos dias 23 e 24, das 10h às 17h, no Palácio da Justiça, no Centro do Rio.

A iniciativa reunirá instituições públicas e organizações parceiras para oferecer atendimento gratuito, orientação especializada e encaminhamento de demandas em segmentos diversos. A proposta é aproximar serviços essenciais da população com deficiência e de seus familiares, contribuindo para o acesso a direitos e para o fortalecimento da rede de proteção social.

Durante os dois dias, serão disponibilizados serviços nas áreas de saúde e bem-estar, com orientações, vacinação, exames rápidos e atendimentos especializados. Também haverá atendimento relacionado à emissão e regularização de documentos, acesso a benefícios e programas sociais, além de orientações jurídicas e previdenciárias.

O público poderá ainda participar de atividades de informação e conscientização sobre direitos, acessibilidade e participação social. A programação busca ampliar o conhecimento sobre os mecanismos de proteção e garantir maior autonomia às pessoas com deficiência.

A ação integra as iniciativas do TJRJ voltadas à promoção da dignidade humana, da igualdade de oportunidades e da garantia de direitos. Ao reunir diferentes órgãos e instituições, o evento reforça a importância da atuação articulada para a construção de uma sociedade mais inclusiva e acessível.

Niterói recebe Segunda Corrida e Caminhada da Inclusão neste domingo (20)

Evento voltado à acessibilidade acontece na Praia de Icaraí

Em homenagem ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a Prefeitura de Niterói realiza, neste domingo (20), a 2ª Corrida e Caminhada da Inclusão, na Praia de Icaraí. A iniciativa é organizada pela Coordenadoria de Acessibilidade, por meio do Programa Niterói Inclusivo, em parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, a Secretaria Executiva e a regional de Icaraí, por meio da Orla Viva.

O evento é voltado à promoção da acessibilidade na cidade. A concentração vai ser às 7h30, com entrega dos kits no local. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pelo link. Os kits são limitados e serão entregues exclusivamente aos participantes inscritos.

Os participantes da corrida poderão usar o uniforme do evento, enquanto quem optar pela caminhada é convidado a vestir verde, cor que representa o mês de setembro e simboliza a campanha.

Com Assessorias

 

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *