A recente cirurgia realizada pela atriz Larissa Manoela para o tratamento da endometriose trouxe nova visibilidade a uma condição que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Aos 25 anos, a artista já declarou publicamente o desejo de construir uma família no futuro. Ela já revelou em entrevista que pretende ter dois filhos com o marido, André Luiz Frambach.

Em junho deste ano, Larissa apareceu com a barriga inchada após passar por procedimento para retirada de ‘focos de endometriose’. O caso acende o debate sobre a importância do diagnóstico precoce e os caminhos da medicina para preservar a chance de maternidade, diante de uma das principais causas de infertilidade na idade reprodutiva.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição acomete cerca de 10% das mulheres em idade fértil. No entanto, a desinformação ainda prevalece, fazendo com que muitas pacientes convivam com dores incapacitantes por anos até receberem a confirmação médica.

O que é a endometriose e como ela afeta a fertilidade?

A endometriose é caracterizada pelo crescimento do endométrio — tecido que reveste o interior do útero — para fora da cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse processo gera uma inflamação crônica na pelve.

Conforme explica Alessandra Evangelista, ginecologista especializada em Reprodução Humana da Clínica Vida (RJ) e integrante do Fertgroup, o cenário inflamatório impacta negativamente a qualidade dos óvulos e a implantação do embrião.

O ambiente inflamatório pode prejudicar a qualidade dos óvulos e dificultar a implantação do embrião no útero. A endometriose também pode criar cicatrizes internas, que obstruem as trompas, ou atingir os ovários, formando cistos. Neste caso, tanto a própria doença quanto as cirurgias necessárias para removê-la levam à diminuição da quantidade de óvulos disponíveis”, detalha a especialista.

Os 5 principais sinais de alerta

Para evitar o diagnóstico tardio, os especialistas recomendam atentar-se aos principais sintomas da doença:

  1. Cólicas menstruais intensas: Dor progressiva e incapacitante que atrapalha as atividades diárias e tende a piorar com o tempo.

  2. Dor profunda durante a relação sexual: Desconforto no “fundo da pelve” durante a penetração, provocado por inflamações e aderências próximas ao canal vaginal e colo uterino.

  3. Alterações intestinais ou urinárias no período menstrual: Dor ao evacuar ou urinar, podendo incluir sangramentos atípicos nesses períodos, indicando focos na bexiga ou intestino.

  4. Dor pélvica crônica: Dor constante na região do baixo ventre na maior parte do mês, presente nos estágios mais avançados.

  5. Dificuldade para engravidar: Conforme dados da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), de 30% a 50% das mulheres com endometriose enfrentam a infertilidade.

Ao notar qualquer sinal de alerta, a orientação inicial é consultar um ginecologista de confiança para avaliação clínica e solicitação de exames de imagem avançados, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou a ressonância magnética da pelve.

Caminhos para a maternidade e tratamentos modernos

O diagnóstico da condição não representa o encerramento do planejamento familiar. A medicina reprodutiva conta com alternativas estratégicas:

  • Congelamento de óvulos: Recomendado de forma preventiva para pacientes que possuem a doença mas não planejam engravidar no momento. O procedimento protege o futuro reprodutivo caso a enfermidade avance ou necessite de intervenções cirúrgicas agressivas à reserva ovariana.

  • Fertilização in Vitro (FIV): Tratamento altamente eficaz para quem deseja engravidar imediatamente, unindo o óvulo e o espermatozoide em laboratório e superando barreiras anatômicas e inflamatórias pélvicas.

  • Cirurgia especializada (laparoscopia): Em cenários específicos, a remoção das lesões ajuda a restaurar a anatomia e suaviza o quadro inflamatório, favorecendo a gravidez natural ou otimizando as taxas de sucesso de uma futura FIV.

  • Inseminação artificial: Indicada unicamente para quadros leves onde as trompas não foram comprometidas.

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