Em café com jornalistas nesta quarta-feira (4), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, detalhou a preparação brasileira e as prioridades que o país defenderá no encontro, utilizando a atuação do SUS como modelo para o mundo.
Vamos chegar à COP31 com força renovada para sustentar a saúde e o clima como prioridades da política externa brasileira e mostrar ao mundo o que estamos fazendo dentro de casa. As novas unidades de saúde financiadas pelo Ministério da Saúde já seguem diretrizes de construção resiliente, preparadas para os impactos das mudanças climáticas e para acolher a população em situações de calor extremo”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Foto: João Risi/MS
Preparação para emergências climáticas
A Força Nacional do SUS (FN-SUS) realizou, desde 2023, 104 missões em 25 estados, com 2.423 profissionais mobilizados, 86.918 atendimentos e 531 dias de atuação. A maior operação foi no Rio Grande do Sul, com 29.019 atendimentos e 763 profissionais. Agora, o Ministério da Saúde expande a FN-SUS para todas as regiões, com meta de resposta em até 12 horas.
Cinco bases regionais estão em funcionamento, em Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Manaus (AM) e Porto Velho (RO), e, até o fim do ano, serão instaladas as de Recife (PE), Fortaleza (CE), Campo Grande (MS) e Belém (PA).
A base de Manaus, instalada no dia 20 de outubro, atua nos impactos das queimadas na qualidade do ar. A equipe monitora 62 municípios em nove regiões de saúde e desenvolveu um painel interno para acompanhar a disponibilidade de oxigênio medicinal, que permite identificar rotas de abastecimento, definir meios de transporte e estimar o tempo de entrega dos insumos, especialmente na seca e na estiagem.
Outro eixo é a inteligência em saúde e clima. O Ministério da Saúde implementou oito Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs), em Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Santarém (PA) e no estado da Bahia.
Os centros apoiam gestores estaduais e municipais na análise de dados, na identificação de vulnerabilidades e na antecipação de riscos, além de integrar o setor saúde, a Defesa Civil e as universidades.
A estrutura de resposta inclui ainda a construção de 2.795 unidades básicas de saúde resilientes, a entrega de 4.056 novas ambulâncias do SAMU, a instalação de 783 soluções de água potável em áreas indígenas e a implantação de 20,8 mil cisternas no semiárido.
Niterói realiza simulado da OPAS para respostas a eventos climáticos extremos
Exercício foi realizado anteriormente apenas em Boa Vista, capital de Roraima, e vai testar estratégias de preparação e resposta do setor saúde
Niterói foi o segundo município brasileiro a realizar o simulado da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) voltado à preparação e respostas a eventos climáticos extremos. A atividade, realizada anteriormente apenas em Boa Vista, capital de Roraima, aconteceu com participação da Secretaria Municipal de Saúde, do Ministério da Saúde e da OPAS, no auditório do Hospital Municipal Carlos Tortelly, em Niterói.
O exercício teve como objetivo testar e aprimorar as ações previstas no Plano de Enfrentamento ao El Niño do município, com foco na capacidade de resposta da rede de saúde, na identificação oportuna de riscos e na integração entre diferentes setores da gestão pública.
A atividade contou com trabalhos em grupo, avaliação dos cenários e apresentação das observações dos avaliadores. Ao longo da programação, os participantes trabalharam com cinco cenários hipotéticos de risco progressivo. A dinâmica permitiu discutir decisões, avaliar a mobilização de equipes e recursos e identificar melhorias nos procedimentos de atuação, com atenção especial às populações mais vulneráveis.
Receber esse simulado da OPAS coloca Niterói entre os primeiros municípios do país a participar dessa iniciativa de preparação para eventos climáticos extremos. É uma oportunidade de avaliar nossos fluxos, aprimorar estratégias e fortalecer a integração entre os setores, garantindo uma resposta organizada e a continuidade do cuidado à população”, destacou a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, a iniciativa fortalece a preparação da cidade para situações de emergência.
Por ser um simulado de mesa, as situações foram discutidas em ambiente de planejamento. Ao final, foi elaborado um relatório com recomendações para fortalecer a governança e aperfeiçoar as estratégias municipais de enfrentamento aos impactos do El Niño.
A vice-prefeita de Niterói, Isabel Swan, destacou os esforços da Prefeitura no enfrentamento aos diversos eventos climáticos que podem afetar a cidade.
“Estamos trabalhando de forma integrada, com a participação de diversas secretarias, para preparar Niterói para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A cidade já tem uma trajetória importante de investimentos em prevenção, como as obras de contenção de encostas, o monitoramento de áreas de risco e a preservação ambiental. Agora, estamos avançando na organização dos protocolos de resposta para que o município esteja cada vez mais preparado para enfrentar eventos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor, estiagens e ressacas”, ressaltou a vice-prefeita.
Fonte: Ministério da Saúde e Prefeitura de Niterói




