A praticidade agora é a maior aliada da ciência: se o tempo é curto para ir ao posto de saúde, a vacina vai até onde o estudante está. Começou nesta sexta-feira (24/4) em todo o país a Semana de Vacinação nas Escolas, uma ofensiva estratégica para elevar as coberturas vacinais brasileiras, que enfrentaram quedas drásticas nos últimos anos.
Entre os dias 24 e dia 30 de abril, a ação não apenas facilita a vida das famílias, como também marca no Brasil a Semana de Vacinação nas Américas (25 de abril a 2 de maio), reforçando um movimento continental para blindar a saúde pública contra ameaças que julgávamos superadas.
‘Fim da disciplina do negacionismo científico na educação básica’
Além do calendário básico, a estratégia inclui a imunização contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que não se vacinaram na idade recomendada, chegando à unidade de ensino médio e Educação de Jovens e Adultos nesse caso.
A vacinação é realizada por profissionais de saúde, mediante autorização dos pais ou responsáveis. A ação integra o Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação, e pretende alcançar 27 milhões de estudantes em 104,9 mil escolas de 5.544 municípios
O governo também reforça o uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. Lançada em abril de 2025, a ferramenta já soma mais de 3,3 milhões de acessos e permite acompanhar o histórico de vacinas e consultar as próximas doses.
Agora, o aplicativo tem uma nova funcionalidade e passou a enviar lembretes automáticos para pais, mães e responsáveis, de acordo com a idade das crianças, incentivando a atualização da caderneta.
Com a vacinação nas escolas, estamos extinguindo a disciplina do negacionismo científico da educação básica. É a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos, atingindo um índice cinco vezes superior à média mundial. Isso é motivo de comemoração, mas não para que as escolas e as equipes de saúde da família baixem a guarda”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O cenário é de atenção máxima. A queda histórica na busca pelos imunizantes, agravada pela desinformação e pelos impactos da pandemia, deixou o Brasil vulnerável ao retorno de doenças graves.
O sarampo, que chegou a ser eliminado e depois retornou ao território nacional, é o maior exemplo desse perigo. Essa doença altamente contagiosa que pode ser fatal ameaça voltar a circular de forma endêmica se a meta de 95% de cobertura não for atingida.
Sem a proteção coletiva — a chamada imunidade de rebanho —, doenças como poliomielite, meningite e rubéola podem voltar a circular livremente. Vacinar nas escolas é uma resposta direta a esse risco, garantindo que o país reconstrua sua barreira de defesa e não retroceda décadas em conquistas na saúde.
Aumento nas coberturas infantis
Em comunicado, o Ministério da Saúde destacou a reversão da queda histórica nas coberturas vacinais registrada nos anos anteriores, agravada pelos impactos da pandemia de covid-19. De acordo com a pasta, em 2025, todas as vacinas do calendário infantil apresentaram aumento de cobertura em relação a 2022.
A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, chegou a 92,96% de cobertura, ante 80,7% em 2022, mantendo o Brasil livre do sarampo, mesmo diante do avanço de casos na América do Norte.
A vacinação contra o HPV também avançou. Entre meninas de 9 a 14 anos, a cobertura chegou a 86,11%, e entre meninos, a 74,46%. No público feminino, o índice é cinco vezes superior à média mundial. Além disso, 11 estados já atingiram a meta de 90% para o sexo feminino e três estados para o sexo masculino, resultado importante para a prevenção do câncer de colo do útero.
No caso da meningite, a cobertura da vacina meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025. O número de crianças protegidas é quatro vezes maior em 2025, em relação a 2020.
Entenda a campanha de vacinação nas escolas
Confira a apresentação da campanha
Veja como acessar o Meu SUS Digital
Incentivo à vacinação por mensagens diretas ao cidadão
O Ministério da Saúde também usa a tecnologia como aliada para lembrar as famílias quando é a hora de vacinar. A Caderneta Digital de Vacinação da Criança, no ar há um ano, contabiliza mais de 3,3 milhões de acesso no período – é o mini app mais acessado do Meu SUS Digital.
E, a partir de agora, uma nova funcionalidade: quem está cadastrado, recebe lembretes (push) conforme a idade das crianças, incentivando a ida aos postos de saúde o quanto antes para atualizar a caderneta.
Por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança no aplicativo Meu SUS Digital, pais, mães e responsáveis podem acompanhar, em tempo real, o histórico de vacinas, consultar a previsão das próximas doses.
Outra medida é o Governo na Ponta, que consiste no envio de mensagens de serviço para o cidadão, via whatsapp e pelo GovBr. O incentivo à vacinação começou no ano passado, seguindo o calendário de campanhas nacionais de vacinação, com um total de 5 milhões de mensagens enviadas – sendo 2,2 milhões via whatsapp. Este ano, o número já é 20 vezes maior, com 39 milhões de disparos, sendo 10,2 milhões via whatsapp.
Reforço do programa ‘Saúde na Escola’
Nos últimos anos, o Programa Saúde na Escola tem registrado avanços significativos na saúde de crianças e adolescentes. Entre 2022 e 2025, as atividades de prevenção de violências cresceram 175,4%, a verificação da situação vacinal aumentou 119% e as ações de saúde mental subiram mais de 233%, passando de cerca de 7 mil registros em 2020 para quase 99 mil em 2025.
A Política Nacional Integrada da Primeira Infância conta com a participação ativa do Ministério da Saúde. É fundamental que as crianças se vacinem na idade adequada e tudo isso deve estar articulado com a escola. Por exemplo, a matrícula e a permanência na escola está ligada ao cartão de vacinação”, reforçou o ministro da Educação, Leonardo Barchini.
Leia também no Vida e Ação, na seção Vacinas Salvam:
Vacinação é direito da criança e dever legal dos pais: o que diz o ECA
Mais do que uma escolha individual, a vacinação é um dever legal dos pais e responsáveis, garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O artigo 14 do ECA é claro: “É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.
Negligenciar o calendário vacinal pode gerar consequências jurídicas, já que o direito à saúde é prioridade absoluta. O Supremo Tribunal Federal (STF) também já reafirmou que a vacinação obrigatória é constitucional, prevalecendo o bem-estar coletivo sobre crenças particulares.
O descumprimento do calendário vacinal pode levar a sanções, já que o direito da criança à saúde e à vida prevalece sobre decisões individuais dos responsáveis Portanto, enviar a autorização assinada para a escola não é apenas um gesto de cuidado, mas o cumprimento de uma responsabilidade civil. Com isso, s pais cumprem seu papel cível e garantem a segurança biológica de toda a comunidade escolar.
Como participar
- Para que o aluno seja vacinado, os responsáveis devem assinar o termo de autorização enviado pela escola.
- Também é recomendado que a criança leve a caderneta física, embora as equipes possam consultar o histórico pelo sistema digital.
- Para quem prefere o controle na palma da mão, o aplicativo Meu SUS Digital agora envia alertas via WhatsApp para lembrar as datas de cada dose.
Prevenindo a próxima crise
Neste contexto de crise climática e pressões ambientais, a importância do conceito de Saúde Única (One Health) torna-se ainda mais evidente. A integração entre a saúde humana, animal e ambiental guia as ações do portal Vida e Ação, lembrando que a proteção de nossas crianças nas escolas é um elo vital para evitar que novos patógenos se espalhem em um mundo em constante transformação.
Fontes: Agência Brasil, Ministério da Saúde e Estatuto da Criança e do Adolescente.





