A Urticária Crônica Espontânea (UCE) é uma forma frequente dos tipos existentes de urticária. Como o próprio nome já diz, as lesões surgem de forma espontânea, ou seja, sem que sejam identificadas causas ou fatores desencadeantes externos específicos. No Brasil estima-se que a doença atinja mais de 1 milhão de pacientes. A doença se manifesta com urticas e/ou angioedema.
Caracterizada por lesões avermelhadas na pele, coceira intensa e que interfere muito na qualidade de vida da pessoa, a urticária não é uma alergia, mas pode ser considerada um fenômeno imunológico e até uma doença autoimune que afeta mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, em diferentes faixas etárias.
Os impactos desta condição vão além das manifestações cutâneas, afetando também a saúde mental dos pacientes e a qualidade de vida de seus familiares. Tanto em adultos quanto em crianças, a doença pode impactar significativamente a qualidade de vida, afetando o sono, o bem-estar emocional e o desempenho escolar.
Um estudo multicêntrico de UCE em crianças, que contou com a participação de Larissa Brandão, membro do Departamento Científico de Urticária da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), mostrou que irritabilidade (49%), ansiedade (44%), distúrbios do sono (29%) e depressão ou tristeza (17%) estão entre os sintomas mais prevalentes nessa faixa etária.
O levantamento também mostrou que pacientes com sintomas extracutâneos tiveram maior intensidade do prurido (p=0,023), enquanto aqueles com sintomas neuropsiquiátricos apresentaram maior número de lesões e urticas (p=0,023). Para a alergista e imunologista Larissa Brandão, esses achados reforçam a importância de uma assistência que considere todos os impactos da doença.
A urticária crônica espontânea não afeta apenas a pele. Os sintomas emocionais e os distúrbios do sono podem comprometer significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes, independentemente da faixa etária. Por isso, durante o acompanhamento é fundamental investigar esses aspectos e oferecer um cuidado integral, que contemple não apenas o controle das lesões e do prurido, mas também o impacto da doença na saúde mental.“
A especialista destaca que reconhecer precocemente esses sintomas permite um acompanhamento mais abrangente e individualizado, contribuindo para melhorar a qualidade de vida e o controle global da doença.
Entenda os tipos de urticária crônica e como tratar
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a urticária é uma irritação da pele caracterizada por lesões avermelhadas e levemente inchadas, conhecidas como vergões, que coçam intensamente. Podem ser pequenas, isoladas ou se unir formando grandes placas avermelhadas, sempre acompanhadas de prurido.
Apesar de ser mais comum em adultos jovens entre 20 e 40 anos, a urticária crônica pode ocorrer em todas as faixas etárias. Estima-se que uma em cada cinco pessoas terá pelo menos um episódio da doença ao longo da vida
A doença pode ser classificada conforme a duração dos sintomas:
- Urticária aguda: quando os sinais e sintomas desaparecem em até 45 dias. É a mais frequente e ocorre, principalmente, nas crianças e adultos jovens;
- Urticária crônica: quando persistem por seis ou mais semanas. É a mais frequente no sexo feminino, com idade entre 25 e 45 anos.
Na urticária crônica, as urticas e/ou o angioedema (inchaço) podem surgir diariamente, na maior parte dos dias, ou de forma recorrente.
- Urtica é uma reação da pele caracterizada por empolações, placas ou vergões de tom avermelhado ou rosado, em alto relevo, que coçam bastante. As lesões costumam aparecer e desaparecer em poucas horas, sem deixar alterações residuais na pele.
- Angioedema é um inchaço mais profundo da pele ou mucosas (lábios, pálpebras, mãos, pés, língua), que pode ocorrer junto com as urticas (empolações) ou isoladamente.
A urticária crônica se divide em:
- Urticária Crônica Espontânea (UCE): É uma doença de pele inflamatória crônica, com duração de mais de seis semanas, caracterizada pelo aparecimento de urticas (lesões avermelhadas na pele) e/ou angioedema (inchaço sob a pele), que podem se desenvolver em qualquer parte do corpo, gerando coceira intensa e inflamação, sendo frequentemente dolorida. Mais frequente, ela não possui fator desencadeante identificado.
- Urticária Crônica Induzida (UCInd): A doença é desencadeada por fatores externos específicos, identificados pela história clínica e testes de provocação, como urticária ao frio (água fria, ar), calor, pressão tardia, dermografismo (atrito na pele), solar (pelos raios solares), vibratória (angioedema provocado pela vibração na pele), aquagênica (pela água em qualquer temperatura), e colinérgica (pelo aumento da temperatura corporal, como em exercícios e banhos quentes).
A urticária não é uma alergia, mas pode ser considerada um fenômeno imunológico. “A urticária também pode ser a manifestação de uma doença alérgica, e se manifestar por exemplo em casos de alergia alimentar ou aos medicamentos, por esse motivo o paciente deve sempre ser avaliado”, explica Alex Isidoro Ferreira Prado, médico especialista em Alergia e Imunologia pela USP e responsável pelo setor de infusões da Clínica Croce.
Com Assessorias




