A trágica morte da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, que vivia na Espanha e viajou a Goiânia para realizar um sonho estético, escancara uma tendência em forte ascensão: o turismo estético no Brasil e a busca acelerada por contorno corporal.

A liderança do país na área e os preços competitivos atraem milhares de brasileiros residentes no exterior. Ao mesmo tempo, a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” acelerou a perda de peso no mundo todo, criando uma demanda sem precedentes por procedimentos que corrigem a flacidez e o excesso de pele.

A febre das canetas emagrecedoras e o excesso de pele

Os medicamentos injetáveis para perda de peso facilitam a redução expressiva de medidas em poucas semanas. No entanto, a retração da pele e dos tecidos musculares não acompanha essa mudança rápida, levando à flacidez acentuada em regiões como abdômen, braços, coxas e mamas.

O cirurgião plástico Danilo Ferraz, membro especialista e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que o procedimento cirúrgico acaba sendo o caminho natural para o contorno corporal pós-emagrecimento, mas exige estabilização prévia:

Cada corpo responde de maneira diferente ao emagrecimento. É essencial avaliar fatores como qualidade da pele, idade, histórico de peso e saúde geral antes de indicar um plano cirúrgico. A estabilização do peso por um período adequado permite planejar com precisão as áreas a serem trabalhadas e garante resultados duradouros, minimizando riscos”, afirma o médico.

O perigo do turismo cirúrgico e o tempo de planejamento

A corrida contra o tempo por quem mora fora do país e aproveita curtas temporadas no Brasil para operar é um fator que preocupa os médicos. Muitas vezes, a ansiedade de resolver pendências estéticas em uma única viagem leva ao encurtamento do tempo de pré-operatório, falta de consultas presenciais adequadas e à tentativa perigosa de realizar múltiplos procedimentos de uma só vez.

A cirurgia pós-emagrecimento ou de harmonização facial exige um preparo rigoroso do organismo. Para que a intervenção traga os benefícios desejados para a autoimagem e a qualidade de vida, o planejamento precisa se sobrepor à pressa.

O que checar antes de agendar uma cirurgia no Brasil

Para garantir a segurança do paciente e evitar tragédias decorrentes de decisões precipitadas, especialistas recomendam que brasileiros vindos do exterior e residentes no país adotem os seguintes cuidados:

  • Qualificação profissional: Confirmar se o médico possui Registro de Qualificação de Especialidade (RQE) ativo na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e registro regular no conselho regional de medicina.

  • Consulta presencial criteriosa: Evitar fechar diagnósticos e planos cirúrgicos definitivos apenas por trocas de mensagens ou consultas virtuais rápidas.

  • Avaliação de risco pré-operatório: Realizar exames laboratoriais completos, cardiológicos e de imagem localmente antes de autorizar qualquer entrada em centro cirúrgico.

  • Estrutura de emergência: Exigir que o procedimento seja conduzido em hospital credenciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com suporte de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

  • Tempo de recuperação garantido: Reservar período suficiente de permanência no país para realizar o acompanhamento pós-operatório presencial e prevenir complicações tardias.

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