A busca por soluções rápidas de emagrecimento e ganho de massa muscular continua alimentando um perigoso mercado clandestino no Brasil. Em um novo desdobramento das fiscalizações sobre medicamentos e insumos de saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição e a apreensão de diversos produtos comercializados sem registro, com destaque para fórmulas clandestinas vendidas na internet como “Ozempic Natural”.
A ação amplia o cerco que o órgão regulador vem promovendo contra a pirataria na saúde pública, logo após ordenar a apreensão de um lote falsificado da caneta emagrecedora Mounjaro (tirzepatida). As resoluções foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) ao longo da primeira semana de agosto de 2026.
O principal alerta da Resolução 3.055/2026 atinge os produtos batizados comercialmente de Ozempic Natural, Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold. Nenhum deles possui registro sanitário, e as empresas responsáveis pela comercialização não têm autorização de funcionamento junto à Anvisa. A agência proibiu categoricamente a fabricação, importação, distribuição, venda, propaganda e uso de todos os lotes dessas marcas.
Suplementos adulterados também na mira da Anvisa
A fiscalização também atingiu o segmento dos suplementos alimentares:
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Falsa ozonização e propaganda enganosa: A Anvisa determinou o recolhimento de todos os suplementos alimentares fabricados pela Lemavi Atacadista (Ozonteck). Inspeções sanitárias constataram ausência de estudos de estabilidade, falhas de rastreabilidade e falsas alegações terapêuticas para o sistema digestivo, hepático e cardiovascular — atribuições exclusivas de medicamentos. A fiscalização confirmou ainda que a alegação de “ozonização” dos produtos era propaganda enganosa, sem comprovação técnica de uso do gás.
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Falso ômega 3 na internet: O lote B25 2501951 do suplemento Omegafor Plus (Vitafor), com validade para 08/27, teve sua apreensão decretada. A fabricante original denunciou o lote pirata, vendido em plataformas de comércio eletrônico, à Polícia Civil de Minas Gerais.
- Sais não registrados com falsas promessas: Linha de sais marinhos e quânticos (como Quanqton Ocean Salts e Sal Perfeito), promovida na internet com promessas ilegais de “prevenção de câimbras”, “recuperação muscular para atletas” e “hidratação celular”.
Produtos à base de cannabis medicinal
- Hormônios, sais milagrosos e produtos de cannabis sem origem: A Anvisa também emitiu alerta sobre a falsificação do medicamento Nebido (testosterona), frequentemente buscado de forma ilícita para ganho rápido de massa muscular. A fabricante original, Grünenthal do Brasil, confirmou não reconhecer o Lote KT0S5T4, que apresenta padrões de impressão divergentes na embalagem.
- Associações e empresas sem autorização de funcionamento: Suspensão e apreensão de todos os produtos derivados de cannabis da Associação Canábica Nordeste (Acanne) e da Vitanabis Intermediação, além da proibição de gases medicinais da empresa C Alles Ribeiro e da interdição do aplicativo médico Glic (Afya Participações).
Outras proibições emitidas na mesma semana incluem:
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Farmácias de manipulação: Proibição de produtos das farmácias Puríssima e Citrus por realizarem propaganda e venda de fórmulas padronizadas pela internet sem a devida prescrição médica individualizada.
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Repelentes reprovados: Interdição cautelar por 90 dias dos repelentes Above Protec FPS 30 (Lote 189952), Above Protect Aerossol (Lote 205688) e Repellere Aerossol (Lote 2601001449), após laudos do Instituto Adolfo Lutz mostrarem níveis insatisfatórios de DEET (princípio ativo que afasta os insetos).
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Saneantes: Proibição de venda do desinfetante Flex Ox (Montreal Química) por falta de registro.
Guia de proteção: Como não cair em golpes na internet
A profusão de promessas milagrosas em redes sociais e marketplaces exige atenção redobrada dos consumidores. A Anvisa e especialistas em vigilância sanitária orientam a adoção de medidas preventivas antes de adquirir qualquer insumo de saúde:
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Desconfie do termo ‘Natural’ com nome de remédio: Termos como “Ozempic Natural” ou “Cápsula Milagrosa” são estratégias puramente mercadológicas de produtos sem comprovação científica de eficácia e segurança.
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Suplemento não é remédio: Suplementos alimentares servem para suporte nutricional. Qualquer marca que prometa “curar”, “tratar doenças”, “emagrecer X quilos” ou “substituir medicamentos” está cometendo infração sanitária.
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Consulte o registro no painel da Anvisa: Todo medicamento, suplemento com indicação específica, cosmético ou dispositivo médico precisa estar regularizado. Exija a apresentação da nota fiscal e compre apenas de farmácias e drogarias autorizadas.
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Verifique lote e embalagem: Ao adquirir injetáveis ou hormônios, observe a qualidade da impressão da caixa, o número do lote e a presença do lacre de segurança. Em caso de dúvida, entre em contato direto com o SAC do fabricante oficial.
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Denuncie irregularidades: Encontrou produtos suspeitos ou propagandas enganosas? Registre a denúncia na plataforma oficial do Governo Federal, a Fala.BR.
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Fontes Oficiais:
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