Uma grave e triste constatação, apontada por pesquisas recentes, mostra que o número de internações de adolescentes por estresse e ansiedade cresceu 136% nos últimos 10 anos. Mas o que está acontecendo com os nossos meninos?
Apesar de já terem passado por essa etapa da vida, a adolescência é, geralmente, a fase que os pais mais temem viver com os filhos. Sempre existe aquela sensação de desconforto e insegurança sobre como enfrentar esse momento, já que muitas das maiores preocupações familiares acabam sendo depositadas nesse período, em que até mesmo as relações se tornam mais complexas.
A adolescência é o período de transição entre a infância e a vida adulta e é marcada por um intenso processo de amadurecimento, envolvendo transformações físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Trata-se de uma fase naturalmente desafiadora. Motivo pelo qual os adolescentes demandam maior apoio emocional dos pais para conseguir lidar com tantos desafios.
Nessa etapa, é comum que o jovem deixe de enxergar os pais como figuras absolutas de referência, como acontecia na infância, quando eram vistos como grandes heróis. Aos poucos, surge a necessidade de desenvolver autoconfiança e construir suas próprias percepções sobre o mundo, a partir das próprias experiências, valores e ideias.
Também é nesse período que acontece a puberdade, acompanhada de alterações físicas importantes e da vivência do luto pela perda do corpo infantil, da identidade infantil e dos papéis da infância. Ou seja, mais do que nunca, fica evidente que uma adolescência emocionalmente saudável começa na infância, sendo construída através do diálogo, acolhimento e segurança emocional familiar.
Ao entrar nessa fase da vida, o jovem inicia uma intensa jornada de construção da própria identidade. É nesse momento que começa a experimentar sentimentos, perceber conflitos internos e compreender a necessidade de aprender a gerenciar emoções.
A adolescência também é uma fase importante para a formação de um ego saudável, pois é durante a juventude que buscamos entender quem somos, definindo crenças, valores, desejos e metas pessoais.
E, justamente à medida que amadurece, o adolescente passa a desejar mais autonomia, liberdade e independência emocional. Ao mesmo tempo, precisa aprender a lidar com frustrações, limites e “nãos”, o que aumenta ainda mais os níveis de estresse, ansiedade e insegurança emocional.
Enfim, a adolescência, como todas as outras fases do desenvolvimento humano, tem potencial para ser um momento incrível da vida, apesar de toda a turbulência emocional presente no processo de autoconhecimento.
No entanto, hoje sabemos ainda mais que viver essa fase pode não ser simples. Por isso, torna-se essencial encontrar equilíbrio emocional, acolhimento e suporte psicológico para enfrentar os desafios desse período de forma mais saudável.
Esse cenário preocupa e revela uma necessidade urgente de novas políticas, abordagens e estratégias voltadas para saúde mental, comportamento e desenvolvimento emocional dos adolescentes.
Apesar de ser uma fase marcada por descobertas, o que vemos atualmente são jovens relatando sentimentos constantes de vazio, revolta, ansiedade e falta de sentido na vida.
Esse sofrimento emocional pode ser intensificado pela explosão hormonal, pelas mudanças no corpo e na mente, pelo excesso de informações, pelas redes sociais e pelos estímulos constantes da atualidade.
Tanto que muitos adolescentes vivem em busca de pertencimento. Precisam sentir-se acolhidos, aceitos e integrados a grupos sociais. Por isso, experimentam diferentes tribos e formas de comportamento na tentativa de reduzir o desamparo emocional e a sensação de solidão.
Ou seja, diante dos próprios conflitos internos, muitos vivem em constante batalha com a autoestima, tentando combater inseguranças, medos e sentimentos de inadequação, o que reforça ainda mais a necessidade de cuidado com a saúde emocional e psicológica nessa fase da vida.




