A busca incessante pelo padrão de beleza perfeito ganhou um novo capítulo de preocupação para as autoridades sanitárias brasileiras. No rastro do sucesso das chamadas “canetas emagrecedoras“, que podem causar o rápido esvaziamento de tecidos faciais — fenômeno popularmente conhecido como “rosto de Ozempic” —, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um novo informe de segurança.

O documento, publicado nesta quinta-feira (12) – veja aqui – alerta para os riscos severos do uso inadequado de preenchedores dérmicos, como como a hidroxiapatita de cálcio, ácido hialurônico, poli-L-ácido lático (PLLA) e os preenchedores permanentes à base de polimetilmetacrilato (PMMA), quando aplicados fora das indicações aprovadas.

De acordo com a Anvisa, a aplicação desses produtos em regiões anatômicas não indicadas ou em volumes superiores aos previstos pelos fabricantes aumenta drasticamente a probabilidade de eventos adversos. O alerta é parte de um esforço contínuo para conter a banalização de procedimentos invasivos que, embora prometam resultados imediatos, podem carregar consequências incapacitantes.

Os riscos por trás do volume excessivo

Os preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio e o poli-L-ácido lático (PLLA), são classificados como dispositivos médicos de alto risco (Classe III ou IV). O uso “off-label” (fora da bula) tem se tornado comum em consultórios para tentar compensar a perda de gordura facial e corporal decorrente de dietas ou medicamentos para perda de peso. No entanto, o preço dessa rapidez pode ser alto.

Entre as complicações graves relatadas pela agência e por sociedades médicas, destacam-se:

  • Embolia pulmonar: Ocorre quando o produto atinge a corrente sanguínea – como ocorreu recentemente com uma influenciadora de Goiás.

  • Cegueira: A oclusão vascular pode levar à deficiência visual temporária ou permanente.

  • Falência renal: Níveis elevados de cálcio no sangue e cálculos renais podem evoluir para insuficiência renal com necessidade de hemodiálise.

  • Inflamações crônicas: Respostas imunes como a inflamação granulomatosa, de difícil tratamento.

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Contexto brasileiro: a face da “Beleza Fatal”

O Brasil figura consistentemente no topo do ranking mundial de procedimentos estéticos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o aumento na demanda por procedimentos não cirúrgicos foi acompanhado por um crescimento proporcional de queixas sobre erros e complicações.

Especialistas apontam que a combinação da automedicação com emagrecedores e a pressão estética das redes sociais cria uma “tempestade perfeita”. Pacientes buscam preencher o rosto e o corpo para mascarar a flacidez acelerada, muitas vezes recorrendo a profissionais não qualificados ou aceitando volumes de substâncias que o organismo não é capaz de absorver de forma segura.

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Orientações para a segurança do paciente

Pacientes devem verificar volume e áreas adequadas para aplicação, diz Anvisa

A Anvisa e as sociedades médicas recomendam rigor absoluto antes de qualquer intervenção:

  1. Verificação do produto: Confirme se a substância possui registro ativo na Anvisa e exija o cartão de rastreabilidade do lote.

  2. Qualificação profissional: O plano de tratamento deve ser traçado por um profissional de saúde qualificado, que deve expor claramente os riscos imediatos e tardios.

  3. Respeito aos limites: Desconfie de promessas de transformações radicais com grandes volumes de preenchedores em uma única sessão.

  4. Atenção aos sintomas: Em caso de dor intensa, mudança de cor na pele ou visão turva após a aplicação, procure assistência médica emergencial imediatamente.

Denúncias sobre comercialização irregular ou promoção de uso não autorizado podem ser feitas pelo sistema Fala.BR da Ouvidoria da Anvisa. O especial Beleza Fatal do portal Vida e Ação segue acompanhando os desdobramentos da regulação estética no país para garantir que a saúde não seja sacrificada no altar da vaidade.

Com informações da Anvisa

 

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