Dengue e outras arboviroses custam 3 bilhões ao ano para o país

O custo com benefícios pagos a trabalhadores afastados por arboviroses chega a R$ 24 milhões por ano no Brasil, aponta pesquisa

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Não são apenas vidas humanas que são ceifadas há décadas por um inimigo quase invisível que assusta ainda mais fortemente a população durante o verão. As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegyptidengue, chikungunya, zika e febre amarela – podem chegar a custar R$ 3 bilhões anuais ao país com gastos de internação, benefícios previdenciários, tratamento da doença e ações realizadas para controle do vetor.

Os dados são da pesquisa “Avaliação dos impactos de arboviroses no ambiente ocupacional brasileiro”, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan – Sesi), a pedido da biofarmacêutica Takeda, que analisou dados de redes de saúde, aspectos previdenciários e perda de produtividade por brasileiros em todas as faixas etárias e em ambos os sexos, sob diagnóstico de arboviroses, entre os anos de 2001 e 2023.

Em relação ao tratamento, a Firjan estimou que o custo médio para tratar a dengue grave (hospitalar) corresponde a 131% do valor do salário-mínimo federal vigente em 2023. Já considerando a renda média de um trabalhador brasileiro – R$ 2.923 –, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), cada caso de dengue pode levar a perdas financeiras que variam de R$ 240 a centenas de milhares de reais.

As medidas adotadas pelo Governo Federal, que compreende o repasse a estados e municípios para o controle do vetor, são as responsáveis pela maior parte desse gasto, chegando a um custo de R$ 1,5 bilhão por ano. Em 2016, ano em que houve registro do maior número de casos de arboviroses no país, os estados que mais fizeram investimentos em combate ao vetor foram Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro, nessa ordem.

“O estudo da Firjan conclui que as estimativas relacionadas aos custos com internação e hospitalização, benefícios pagos, os custos com o tratamento e, principalmente, os gastos anuais com medidas preventivas e de combate ao vetor, causam impactos significativos a curto e longo prazos na economia do país”, detalha Eduardo Almeida, diretor executivo de Acesso Estratégico e Public Affairs na Takeda Brasil.

O estudo inédito mostra os impactos econômicos e financeiros das arboviroses sobre o sistema de saúde e previdenciário e na produtividade de pequenas, médias e grandes empresas no Brasil.  “Esses dados mostram que é preciso implementar medidas de prevenção efetivas para reduzir o impacto que a dengue e outras arboviroses exercem na rotina dos brasileiros no ambiente de trabalho e na sociedade como um todo”, afirma.

Benefícios previdenciários e afastamento

Na análise previdenciária, os custos com benefícios pagos podem chegar a R$ 24 milhões por ano e afetar diretamente a produtividade das empresas. A Firjan estimou que foram mais de 13 milhões de dias (ou 32 anos) de trabalho perdidos devido a arboviroses, somando-se todos os beneficiários, no período analisado. Desse total, 86,7% estão relacionados à dengue.

O estudo também aponta que o afastamento da força de trabalho decorrente das arboviroses pode levar de 17 dias a até 11 anos e, em média, 57 benefícios são concedidos por mês motivados por arboviroses. Em relação ao gênero, mulheres em idade produtiva internam mais por dengue (62%) do que homens e isso se reflete na prevalência de pessoas do sexo feminino, com idade média de 40 a 49 anos e predominantemente moradores de regiões urbanas, como impactados por arboviroses no Brasil.

“Os afastamentos para tratamento acarretam perda de produtividade e outras perdas relacionadas, como mortes prematuras. O estudo traz dados importantes para o setor empresarial e das indústrias, mostrando que a conscientização sobre as arboviroses e a implementação de medidas de prevenção podem ser eficazes para diminuir esse impacto nos afastamentos e, consequentemente, na produtividade”, explica Leon De Franca Nascimento, pesquisador do Centro de Inovação SESI em Saúde Ocupacional e responsável pelo estudo.

Dengue responde por 90% dos afastamentos por arboviroses

 

Considerando as doenças transmitas pelo mesmo vetor, o Aedes aegypti, a dengue se destaca entre as arboviroses. Dos mais de 15 milhões de casos notificados para as quatro arboviroses durante o período do estudo, aproximadamente 90% desses foram de dengue e, quando causa afastamentos, uma parte significativa dos benefícios concedidos são de caráter permanente, como o benefício de amparo social à pessoa portadora de deficiência. Isto é particularmente relevante para a febre de chikungunya.

Para o ambiente ocupacional, outro dado relevante observado no estudo é a relação entre a faixa etária e casos de arboviroses. A força de trabalho é a mais afetada, com um maior percentual de casos das doenças em pessoas em idade produtiva, de 20 a 59 anos. Para complementar, a pesquisa verificou que aproximadamente 40% dos beneficiários se encontram em idade produtiva, entre 21-29, 30-39 e 40-49 anos.

Regionalmente, o Sudeste se destaca em relação aos dados previdenciários. Do total de brasileiros que recebem benefícios devido a arboviroses no país, 18% são do Rio de Janeiro, seguido de Minas Gerais, com 11%. Pernambuco, São Paulo e Ceará aparecem em seguida no ranking

Agenda Positiva

Exposição ‘Aedes: Que Mosquito É Esse?’ no Castelo da Fiocruz

O Museu da Vida da Fiocruz apresenta ‘Aedes: Que mosquito é esse?’ no Castelo Mourisco, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os cuidados e a importância do combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como dengue, Zika e chikungunya. A entrada é gratuita e a classificação, livre.

O público pode explorar o complexo universo do mosquito em diferentes formatos, por meio de recursos tecnológicos e visuais.Composta por painéis e diversos elementos interativos, a exposição está dividida nos módulos temáticos ‘Dengue’, ‘Zika’, ‘Chikungunya‘, ‘Febre Amarela’, ‘Os vírus – por dentro dos vírus’, ‘Um mosquito doméstico – o zumzumzum da questão’ e ‘Pesquisa em busca de soluções e controle – esforço conjunto’.  

Em um ambiente lúdico, sensorial e dinâmico, o visitante será instigado a encontrar potenciais criadouros do vetor, além de identificar e capturar o inseto. Interativa, a exposição conta com lupas, microscópios e óculos de realidade virtual (VR) para explorar o mundo do Aedes aegypti. Além disso, um jogo da memória da SC Johnson reforça a importância de se manter protegido dos mosquitos.

Uma das grandes atrações é a escultura gigante de um mosquito fêmea, com mais de dois metros, do artista plástico Ricardo Fernandes. A peça reúne sensores de proximidade que, ao serem acionados pelo visitante, projetam informações em uma tela sobre a anatomia e outros detalhes do mosquito.

Dois documentários premiados também integram o percurso expositivo: ‘O mundo macro e micro do mosquito Aedes aegypti – para combatê-lo é preciso conhecê-lo’ e ‘Aedesaegypti e Aedes albopictus: uma ameaça nos trópicos’, dirigidos por Genilton José Vieira, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).  

A nova temporada de ‘Aedes: Que Mosquito É Esse?’ é uma iniciativa do Museu da Vida Fiocruz, Casa de Oswaldo Cruz e Fundação Oswaldo Cruz, com a gestão cultural da Associação Amigos do Museu da Vida Fiocruz e apoio da Rede Dengue, Zika e Chikungunya da Fiocruz, e o patrocínio da SC Johnson. 

A mostra tem a curadoria de Waldir Ribeiro, Luis Carlos Victorino, Fernanda Gondra e Miguel Oliveira, e conta com a colaboração do Serviço de Itinerância do Museu da Vida Fiocruz, a partir das produtoras Milena Monteiro e Fabíola Mayrink. 

Serviço:
Exposição Aedes: Que mosquito é esse?
Até setembro de 2024
Horários de funcionamento: de terça a sexta, às 9h, 10h30, 13h30 e 15h; sábados, às 10h10, 10h50, 11h30, 12h10, 13h50, 14h30 e 15h10 (para visitar, é preciso retirar senha no Centro de Recepção do Museu da Vida Fiocruz*)
Onde: Salas 307 e 308 do Castelo Mourisco/Museu da Vida Fiocruz (Endereço: Av. Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro)
Classificação livre
Entrada gratuita

* A distribuição de senhas acontece no início do turno da manhã (10h) e no início do turno da tarde (12h), por ordem de chegada. Público limitado a 45 espectadores por grupo. Só é permitida a entrada mediante identificação prévia no Centro de Recepção do Museu da Vida Fiocruz.

Com Assessorias

 

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