Casos de dengue no Brasil devem dobrar em relação a 2023

Mudanças climáticas e 4 sorotipos influenciam em surto epidêmico. RJ já tem quase 80 mil casos de dengue, 9 mortes e 3 cidades em emergência

O número de casos de dengue em 2024 está mais alto, mas a letalidade é menor que 2023 (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)
Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

O Brasil poderá ter neste ano o dobro de casos de dengue que foi registrado em 2023. No total, o país já registrou 973.347 casos prováveis da doença em 2024, sendo 7.771 considerados grave e com sinais de alarme. Em todo o ano 2023, a soma de casos no ano foi de 1.658.816.

No ano passado, apenas o Estado do Rio de Janeiro decretou situação de emergência, e neste ano já são sete estados (Acre, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Distrito Federal), e 154 municípios também decretaram emergência em razão dos casos de dengue.

Em todo o Estado do Rio, segundo o Painel de Arboviroses do Centro de Inteligência em Saúde (CIS), divulgado nesta nesta quarta (28), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES.RJ), já são este ano 71.539 casos de dengue, com seis óbitos (dois na capital, um em Cachoeiras de Macacu, dois em Itatiaia e um em Mangaratiba).

Já o Painel Monitora-RJ, também do Governo do Estado, aponta que o número já chega a quase 80 mil – são 79.525 casos prováveis de dengue, além de 2.374 internações – e os óbitos subiram para 9. Além da cidade do Rio, que declarou epidemia logo no início de fevereiro, as cidades de Angra dos Reis e Itatiaia estão com decreto de emergência em vigor. O aumento de casos também levou o estado o governador Claudio Castro a declarar epidemia.

Indicadores de letalidade são mais baixos: menos mortes que 2023

A boa notícia – se é que existe em meio ao cenário de alta elevada de casos – é que, em todo o Brasil, os indicadores de letalidade estão mais baixos neste ano do que em 2023, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

“Em 2023 houve menos casos graves, mas mais óbitos até este momento”, explicou a secretária de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel.  O grupo que mais está adoecendo em 2024 é na faixa etária entre 20 e 49 anos. Os casos graves se concentram na faixa acima de 70 anos.

O maior número de casos de dengue no Brasil até agora já superou o pico de 2023, que foi entre o final de março e o começo de abril. Enquanto o pico em 2023 foi de 111,8 mil casos na semana epidemiológica 15, neste ano o país já teve 182,2 mil casos na semana 6 (de 4 a 10 de fevereiro).

“Não sabemos ainda se vai haver uma descida agora, se essa descida vai ser sustentada, se vai ser tão rápida como a subida”, disse a secretária.

De acordo com Ethel Maciel, o decreto de emergência permite solicitar recursos extras para o combate à doença. As portarias do governo federal com os repasses específicos para estados e municípios que decretaram emergência por dengue começaram a ser publicadas na terça-feira (27), “já com dinheiro na conta”.

Dados do painel de monitoramento de arboviroses mostram que o Brasil registrava, até terça-feira (27), 973.347 casos e 195 mortes confirmadas.

Veja os dados do DF e dos estados que decretaram situação de emergência:

Acre: 6.498 casos prováveis e nenhuma morte confirmada

Distrito Federal: 100.078 casos e prováveis 52 mortes confirmadas

Goiás: 58.201 casos prováveis e 13 mortes confirmadas

Espírito Santo: 33.410 casos prováveis e 3 mortes confirmadas

Minas Gerais: 332.306 casos prováveis e 35 mortes confirmadas

Rio de Janeiro: 75.804 casos prováveis 6 mortes confirmadas

Santa Catarina: 24.275 casos prováveis e 10 mortes confirmadas

Mudanças climáticas e quatro sorotipos de dengue

Ministra da Saúde (centro) explica as possíveis causas para surto epidêmico de dengue (Foto: Secom MS)

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, atribuiu às mudanças climáticas e circulação de quatro sorotipos de dengue ao mesmo tempo. Ela avaliou que há um aumento efetivo do número de casos muito elevado, um padrão atípico nesse início de ano.

“A gente já tem uma avaliação de que é possível que nós venhamos a ter o dobro de casos do ano passado por esse histórico de já ter tido um aumento em 2023 e pelos fatores de mudança climática e a circulação de mais de um sorotipo de dengue”, disse.

De acordo com a ministra, a mudança climática é um fator importante para o aumento da disseminação da dengue, já que neste ano o clima quente e úmido tem favorecido a propagação do mosquito. “Em 2024, há esse elemento atípico porque foge do padrão do que já conhecemos nos 40 anos em que temos epidemia de dengue”, disse.

Outra mudança importante neste ano é a circulação dos quatro sorotipos de dengue. Em muitos estados, onde havia a prevalência do sorotipo 1 já está aumentando para o sorotipo 2, pois as pessoas já têm a imunidade para o primeiro sorotipo. É o caso do Distrito Federal, onde 40% dos casos são provocados pelo sorotipo 2.

Além disso, este ano a doença está sendo registrada em cidades médias e pequenas, locais onde não havia antes a infecção por dengue nessa proporção.

“Há fatores ambientais, há fatores sociocomportamentais, que é a atenção de toda a sociedade no combate e há também fatores ligados à dinâmica do vírus, a sua variabilidade, ou seja as pessoas que ainda não estavam sujeitas à exposição a determinados tipos de vírus”, explicou a ministra.

Dia D de combate ao mosquito

Diante do elevado número de casos, no próximo sábado (2), o Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, vai realizar o Dia D de combate à doença. Com o tema Brasil Unido Contra a Dengue, serão realizadas ações de orientação para a população sobre os cuidados para evitar a disseminação da doença.

“É um momento de atenção do país, das autoridades sanitárias, do Ministério da Saúde, de um monitoramento muito próximo ao que está acontecendo nas diferentes regiões, estados e municípios, mas é também um momento que requer uma união não só de governos mas também da sociedade”, disse nesta terça-feira (27) a ministra da Saúde, Nísia Trindade.

Vacinação não é resposta ao surto, diz ministra

A ministra esclareceu que a vacina contra a dengue continuará a ser disponibilizada para os municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para a faixa etária entre 10 e 14 anos. Os imunizantes para as idades de 10 e 11 anos já foram distribuídos.

Segundo ela, o quadro atual da vacinação no país não é uma resposta para a situação de surto epidêmico, especialmente porque a vacina contra a dengue é composta por duas doses, com três meses de intervalo entre elas.

“Mesmo quem se vacinou [com a primeira dose] não está protegido, a vacina se torna efetiva quando todo o regime de doses é seguido”, disse, reforçando a importância das medidas de prevenção para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Fabricante da Qdenga vai aumentar produção

O laboratório Takeda, fabricante da vacina Qdenga, anunciou que vai ampliar a produção das doses contra a dengue por meio de uma parceria firmada com o laboratório indiano Biological E. Em nota, a Takeda informou que a Biological E. vai passar a produzir 50 milhões de doses da Qdenga por ano, permitindo alcançar a meta de entregar 100 milhões de doses até 2030.

Com o anúncio da Takeda, a expectativa é que mais cidades brasileiras possam ser contempladas e que outros grupos possam ser imunizados contra a dengue. De acordo com o comunicado, a parceria atende à necessidade específica de fornecer doses para programas nacionais de vacinação no intuito de ajudar a proteger populações mais vulneráveis.

“Essas doses serão, ao final, disponibilizadas para aquisição por governos de países endêmicos até 2030, no mais tardar, para apoiar programas nacionais de imunização”, destacou o laboratório Takeda.

A Qdenga foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro do ano passado e começou a ser distribuída este mês a 521 municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para a imunização de crianças e adolescentes. A seleção de municípios, de acordo com a pasta, foi necessária em razão da quantidade limitada de doses disponibilizada pelo fabricante.

RJ cria Observatório da Dengue

Estado do Rio lança mais uma plataforma para monitorar epidemia: o Observatório da Dengue RJ (Foto: Divulgação)

O Governo do Estado do Rio de Janeiro lançou mais uma plataforma para divulgar dados sobre a dengue. Agora é o Observatório Dengue RJ, que, segundo o Governo, “traz dados atualizados e transparência nas informações sobre o combate à epidemia da doença”.A plataforma digital hospedada no site da SES-RJ está disponível para consultas on-line por parte dos gestores públicos e da sociedade civil.

Além disso o site traz o Painel Monitora – que também inclui a aba “Arboviroses”, onde é possível acompanhar os números sobre dengue. Em outra plataforma, também há mapas detalhados sobre a doença. Além disso, a SES-RJ lançou um site exclusivo para a campanha 10 Minutos Salvam Vidas.  E também criou um ‘check-list’ para orientar a população a eliminar focos do mosquito.

De acordo com a Governo, o novo Observatório Dengue RJ permite consulta rápida por meio do mapa do Estado do Rio para consulta de seis categorias que desenham um retrato do quadro atual:

  • UPAs estaduais com atendimento ampliado,
  • atendimentos nas unidades municipais,
  • decreto de emergência das prefeituras;
  • municípios atendidos;
  • cidades com solicitação de auxílio e com óbitos confirmados.

Ao clicar em uma das opções, é possível saber quem recebeu, por exemplo, apoio para implantação de centros de hidratação.

Estado pode ter até 80 polos de hidratação

Além das ações virtuais, a pasta segue com as medidas já anunciadas no Plano Estadual de Combate à Dengue, como capacitação de 2 mil médicos para melhor diagnóstico e reforço em salas de hidratação. Foram criados 22 polos de hidratação, sendo 11 em UPAs estaduais, além de mais 11 em parceria com os municípios. Há mais 12 pedidos em análise pela secretaria, que tem capacidade para acomodar até 80 polos de hidratação em todas as regiões do estado.

No último dia 22 de fevereiro, a Secretaria de Estado de Saúde recebeu a primeira remessa de vacina contra dengue do Ministério da Saúde, destinada à faixa etária de 10 e 11 anos. Para o município do Rio, foram destinadas 141.710 doses; para Nilópolis, 3.080; Duque de Caxias, 21.113; Nova Iguaçu, 20.320; São João de Meriti, 10.806; Itaguaí, 3.365; Magé, 6.218; Belford Roxo, 12.709; Mesquita, 4.179; Seropédica, 2.159; Japeri, 2.517; e Queimados, 3.740.

Com informações do Ministério da Saúde e Gov-RJ

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!