Preta Gil: ‘Meu casamento não superou um tratamento oncológico’

Preta Gil diz que entrou para estatística do abandono ao descobrir câncer. Mulher tem 6 vezes mais chances de ser abandonada após doença grave

Quando o amor desaparece e o abandono na efemeridade é mais um desafio (Foto: Reprodução/Instagram)
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Poucas lutas são tão intensas quanto a batalha contra o câncer. E durante esse desafio, 70% das pacientes diagnosticadas lidam também com o abandono de seus parceiros, segundo revelou um estudo recente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Nesse período de grande vulnerabilidade e a realidade emocional devastadora causadas pela doença, muitas mulheres ainda estão sujeitas ao peso adicional da solidão numa batalha que, por si só, já é tão árdua.

Preta Gil, uma personalidade admirada por muitos, viveu no último ano um dos momentos mais conturbados de sua vida após descobrir um câncer de intestino. Logo após o diagnóstico, a cantora e empresária precisou lidar com a traição e o término do casamento, durante o seu tratamento. O personal trainer Rodrigo Godoy a traiu no momento em que mais precisava de apoio.

“Infelizmente eu faço parte dessa estatística, sim, o casamento não superou um tratamento oncológico. Não é tão pragmático. A gente fica tentando justificar. Existem nuances em uma separação tão sofrida como foi a minha. Mas eu faço parte, sim. A gente não conseguiu passar por isso”, revelou Preta Gil ao programa “De frente com Blogueirinha”.

Em entrevistas recentes, Preta revelou que o ex a abandonou logo após o diagnóstico. “Ele não cuidou. Faço questão de falar isso porque essa é a realidade de várias mulheres no Brasil. Eu me separei dele antes de descobrir a traição, porque ele me abandonou com câncer”, conta Preta. Em sua força interior e no amor próprio, a cantora busca encontrar a determinação para enfrentar essa situação difícil e emergir ainda mais forte.

Abandono em momento delicado pode gerar ansiedade ou depressão

A frustração de ser abandonada em um momento tão delicado da vida potencializa a dor e pode até gerar ansiedade ou depressão. A construção de uma relação deve passar pela cumplicidade, empatia e, acima de tudo, pelo respeito.

“Quando enfrentamos tempestades em nossos relacionamentos, a conexão emocional se torna mais vital do que nunca”, destaca Henri Fesa, médium especialista em relacionamentos e fundador de uma casa de apoio espiritual.

No caso de Preta Gil e de inúmeras mulheres, a ausência de uma responsabilidade afetiva dificulta ainda mais o tratamento. A responsabilidade afetiva envolve a consciência de nossas ações e o impacto que têm sobre aqueles que amamos.

“Mais do que nunca, a honestidade, sobretudo diante de uma situação tão delicada, é fundamental. Conversar de forma honesta sobre o assunto e desenvolvê-lo é uma tarefa essencial em qualquer relacionamento. O diálogo e o entendimento mútuo são as bases para superar desafios juntos”, destaca Fesa.

Mulher tem 6 vezes mais chances de ser abandonada após doença grave

O índice de relacionamentos que acabaram quando a mulher ficou doente chegou a 20,8%. (Imagem: Unsplash)

Outro caso recente foi de Biah Rodrigues, esposa do cantor sertanejo Sorocaba, traída pelo marido logo após o nascimento do primeiro filho do casal e enquanto se recuperava de uma cirurgia e da Covid-19. “Em seguida, veio um adultério. Chegou num momento muito difícil para mim porque eu estava totalmente debilitada, vulnerável, em uma situação de saúde”, contou Biah, em entrevista.

Maicon Paiva, especialista em Relacionamentos e fundador da Casa de Apoio Espaço Recomeçar, fala da semelhança entre os dois casos. Segundo ele, famosas ou anônimas, milhares de mulheres passam por isso todos os anos, seja quando adoecem, ao engordar, na velhice ou no pós-operatório. Ensinadas a cuidar dos filhos desde a infância, as mulheres ficam mais desamparadas em situações de extrema fragilidade, como durante o tratamento de um câncer, na velhice ou no pós-parto. 

“As duas histórias trazem as protagonistas em momentos de extrema vulnerabilidade e ainda assim são traídas, negligenciadas e abandonadas por seus respectivos parceiros. Por mais assustador que pareça, essas situações ainda são comuns mundo afora. A tempestade passa e observamos que o abandono do parceiro é maior durante esses momentos de dificuldade’, afirma.

Maicon cita estudo feito pelas universidades norte-americanas de Stanford e Utah, em parceria com o Seattle Cancer Care Alliance, que mostrou que a mulher tem seis vezes mais chances de ser abandonada após a descoberta de uma doença grave. Ao observar por seis anos 515 pessoas, homens e mulheres, com câncer ou esclerose múltipla, os pesquisadores verificaram uma taxa de 11,6% de separação. O índice de relacionamentos que acabaram quando a mulher ficou doente chegou a 20,8%. Já quando o homem enfrentou problemas de saúde, o número de términos diminuiu para 3%.

Câncer e solidão feminina: quando os parceiros se vão

Mestre em Psicologia e Saúde, a psicóloga Ana Streit lembra que o amor e o compromisso representam pilares de apoio para qualquer pessoa, especialmente para mulheres que enfrentam a dolorosa batalha contra o câncer. O diagnóstico da doença desencadeia diversas reações e, em muitos casos, pode resultar em efeitos traumáticos que vão além da enfermidade.

“Ensinadas desde a infância a cuidar e contar com o apoio dos seus parceiros em momentos frágeis, é desolador quando isso não acontece. Quando a gente olha para essa porcentagem de mulheres que são deixadas sozinha para enfrentar um câncer, é chocante e entristecedor pela gravidade. Isso acaba deixando explícito o papel da mulher de servir, de cuidar e revela o contexto machista, que ainda, vivemos”, analisa.

Segundo ela, na maioria das vezes não há reciprocidade desse cuidado por parte do parceiro e isso traz à tona a má qualidade da relação, que talvez antes estivesse camuflada. “Em momentos difíceis da vida temos a oportunidade de reavaliar as relações e identificar quem pode ser verdadeiramente confiável, cuidadoso e companheiro”, diz Ana Streit.

“A doença causa ansiedade e baixa autoestima, já que muitas mulheres em tratamento perdem o cabelo, sobrancelha, e às vezes até o seio, como acontece em alguns casos com o câncer de mama. Nesse momento, o que a mulher mais precisa é de apoio, principalmente do parceiro. O bem-estar emocional dessa paciente pode, inclusive, minimizar quadros depressivos e ajudar na adesão ao tratamento”, explica.

 

A importância da rede de apoio no tratamento de câncer

A psicóloga Ana Streit comenta a importância da rede de apoio e da psicoterapia em momentos frágeis como o abandono na doença.

“A rede de apoio é um fator que não pode faltar em um tratamento de câncer. E ela pode ser composta por amigos, parentes, grupos de apoio e profissionais de saúde. Essa rede não vai oferecer apenas suporte emocional, mas também prático, ajudando as mulheres a lidar com os desafios físicos  mentais da doença”, explica.

Ainda de acordo com a especialista, a rede de apoio pode ajudar a reduzir o sentimento de solidão, fortalecer a resiliência das mulheres e auxiliá-las na jornada da recuperação. A troca de experiências e apoio mútuo nesse contexto pode ser um catalisador para o enfrentamento do câncer.

“A psicoterapia também pode fazer parte desse apoio, com ajuda profissional de um psicólogo a paciente pode se reerguer, reestruturar as suas forças e de fato reconstruir a sua história, e construir novas  relações”, finaliza Ana.

Para Henri Fesa, o Outubro Rosa é uma oportunidade se apresenta para conscientizar sobre o valor do diagnóstico precoce do câncer de mama e colo do útero.

“É um momento para refletir sobre a importância de se precaver e o quanto o apoio pode fazer a diferença durante os desafios da vida. Vale lembrar que o rosa representa a esperança e a luta contra o câncer, e também que responsabilidade afetiva é o alicerce que sustenta relacionamentos fortes e duradouros”.

Maicon também fala da importância do cuidado da mulher nestes momentos e faz uma recomendação para fortalecimento da saúde espiritual nos momentos difíceis. “A consulta espiritual pode ser um grande auxílio nestes momentos, para que ela possa encontrar uma paz e calma para superar esta fase”, comenta.

Dicas para lidar com a traição em momentos de vulnerabilidade

O especialista em Relacionamento Maicon Paiva traz algumas dicas de como lidar com a traição em momentos de vulnerabilidade.

  1. Reconheça que foi traído. Não finja que não aconteceu. Até porque você não apagará isso da memória, apenas mover para um lugar oculto da mente. E essa dor vai crescer e se alastrar, podendo infectar outros aspectos saudáveis da sua vida;
  2. Permita-se sentir. Há muitas emoções pelas quais uma pessoa passa quando descobre que foi traída. Estes sentimentos vão da raiva à depressão, mágoa e até mesmo desejo de vingança. Provavelmente, uma das emoções mais importantes que você sentirá será a raiva. Permita sentir todas as emoções, chore, grite, sinta raiva, este é seu momento de sentir tudo.

Permita-se viver esse momento. Sair com os amigos e conversar, caso se sinta confortável para isso, pode ser ótimo para seguir em frente, virar a chave e conseguir acordar no dia seguinte renovado e pronto para pôr a vida em ordem;

  1. Planeje como lidar com a traição. Após ter lidado com suas emoções, está na hora de ir atrás de coisas positivas para avançar em sua vida. E isso pode ser a parte mais difícil de lidar com a traição, por significar fazer escolhas que irão impactar o seu futuro. É nesse momento, por exemplo, em que você lida com a pessoa que o traiu. Para se sair bem, tenha um plano de ação.
  2. Peça ajuda. Não subestime o poder de um bom sistema de suporte. Pode ser um amigo ou até mesmo toda a sua família. Você poderá precisar de apoio emocional. Ao longo de todo o relacionamento, é preciso cuidados, mas nessa hora, buscar Acompanhamento Espiritual fará toda diferença em sua vida.

Com informações da Assessorias

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