Por que o Brasil demorou para comprar vacinas? Em vídeo publicado nesta semana, o biólogo Átila Iamarino retoma um dos episódios mais graves da pandemia de Covid-19 no Brasil: a recusa de vacinas da Pfizer em 2020 e a negociação paralela da vacina indiana Covaxin.
Para Átila, não se tratou de negacionismo, mas de negócio. A tese é ancorada em reportagens da revista Piauí, do Correio Braziliense e em investigações da CPI da Pandemia.
O churrasco no Lago
Segundo reportagem da Piauí citada por Átila, em julho de 2020, o diretor-presidente da Precisa Medicamentos teria se encontrado com o senador Flávio Bolsonaro em um churrasco no Lago Paranoá para negociar a Covaxin, vacina ainda sem eficácia comprovada.
Um mês depois, em agosto de 2020, o governo federal recebeu oferta formal da Pfizer de 70 milhões de doses por metade do preço. A oferta não avançou.

“Não me responsabilizo se alguém virar jacaré”
A partir dali, o então presidente Jair Bolsonaro passou a fazer declarações públicas contra vacinas em geral e contra a Pfizer em particular, como no discurso em Porto Seguro em que afirmou que não tomaria a vacina e que não se responsabilizaria se alguém virasse jacaré- antes ele queria dizer ‘chipamzé’.
A vacina mais cara
De acordo com documentos do Ministério das Relações Exteriores revelados pela imprensa e mostrados no vídeo, o governo federal aceitou pagar US$ 15 por dose da Covaxin — valor apontado como 1.000% acima da estimativa do fabricante. A vacina se tornaria a mais cara negociada pelo Brasil.
O contrato só não foi pago porque foi barrado por órgãos de controle. A Procuradoria da República chegou a ver indícios de crime na compra, conforme matéria da Folha de S. Paulo citada por Átila.
Enquanto o governo ignorava as vacinas com eficácia já comprovada, clínicas privadas tentavam importar 5 milhões de doses da Covaxin da Índia por US$ 4 a dose — preço muito menor que o negociado pelo poder público. O governo também chegou a editar medida para permitir compra privada de vacinas, criticada na época por furar a fila do SUS.
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O custo do atraso
Átila lembra o impacto humano: o Brasil concentrou cerca de 80% das mortes de grávidas e puérperas por Covid no mundo em um determinado momento, e 1,3 milhão de crianças ficaram órfãs de pai ou mãe no auge da pandemia.
Estudos publicados na National Library of Medicine, citados no vídeo, estimam que mais de 100 mil mortes poderiam ter sido evitadas com vacinação mais precoce. O governo federal precisou ser obrigado pelo Congresso e pelo STF a comprar vacinas e seguir um Plano Nacional de Imunização.
Irmãos Miranda e ameaça
O vídeo recupera ainda o depoimento dos irmãos Miranda na CPI, que afirmaram ter alertado o então presidente sobre irregularidades na compra da Covaxin e que teriam sido ameaçados depois disso.
Do passado ao presente
Ao final, Átila faz uma conexão com o presente, ao citar propostas recentes ligadas a Flávio Bolsonaro, como a defesa de sua equipe econômica de substituir servidores públicos por IA, e lembra que o mesmo grupo político já propôs, no passado, que o SUS pagasse o Hospital Albert Einstein — referência a uma coluna de Elio Gaspari no jornal O Globo.
A conclusão do divulgador: a gestão da saúde durante a pandemia foi guiada por interesses comerciais. “Isso não é negacionismo, é negócio. Mataram de milhares de vidas”, afirma. O vídeo teve grande repercussão nos comentários, com muitos relatos de luto e pedidos de responsabilização.
Para assistir na íntegra: reel original no Instagram @oatila.
NOTA DA REDAÇÃO – Vida e Ação reforça que vacinação é a forma mais eficaz e segura de prevenir formas graves de Covid-19. Em caso de dúvidas, procure uma Unidade Básica de Saúde.



