Já no início do outono, diversas regiões registram altas temperaturas, com período de chuvas irregulares. A mudança climática é a nova realidade no Brasil e milhares de vidas são impactadas pelo aquecimento global. Estudos mostram que a temperatura média global dos últimos 10 anos chegou a 1,15 °C acima da linha da base pré-industrial (1850-1900). Este é o período de referência para tais dados.

Já a área terrestre mundial afetada pela seca extrema aumentou de 18% na década de 1950 para 47% entre 2013 e 2022. As informações estão no relatório anual do clima, baseado nos dados dos satélites e modelos da Copernicus Climate Change Service (C3S), que tem por base o Programa Mundial de Pesquisa Climática (WCRP), e do Lancet Countdown. Mas o que poucas pessoas sabem é que as mudanças climáticas também podem afetar a saúde renal.

A hipertensão arterial, diabetes e obesidade são consideradas as principais causas de disfunções renais, agudas ou crônicas. Mas, os impactos do aumento da temperatura e das mudanças climáticas também estão sendo considerados nas pesquisas médicas. Em um congresso sobre doença renal na Europa, em 2017, médicos especialistas já apontavam o aquecimento global e a escassez de água como causadores do crescimento de casos de falência dos rins em todo o mundo.

“Já percebemos reflexos dessa realidade, com tantas adversidades climáticas, como grandes tempestades e longos períodos de seca. E essa realidade pode resultar em várias outras consequências, como escassez de água e doenças hídricas ou outras associadas”, afirma a Fundação Pró-Rim. 

Mudanças climáticas e aumento de casos de falência dos rins

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), são necessários 35 ml diários para cada quilo corporal. No fígado se concentra a maior quantidade de água do organismo (86%), seguido pelos pulmões (83%), rins e músculos (79%) cérebro e coração (73%), pele (64%) e ossos (31%). A água também é um importante componente do plasma sanguíneo, respondendo pelo transporte de nutrientes, oxigênio e sais minerais para as células.

A semana que celebra o Dia Mundial da Água (22/3) ressalta a importância da hidratação e chamar a atenção para alguns dados que podem impactar diretamente na saúde dos brasileiros. Neste contexto, é fundamental pensar na oferta de água para hidratação. A necessidade de consumo diário de água é um fato, mas com o calor excessivo que se tem enfrentado nos últimos meses, se torna ainda mais essencial. Pesquisas têm mostrado que uma boa hidratação no dia a dia pode diminuir o risco de diversos problemas de saúde, incluindo os renais.

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Água purificada é fundamental na hemodiálise

Médico nefrologista Antônio Amadeu Giannasi, responsável técnico da unidade da Pró-Rim em Palmas, no Tocantins (Foto: Divulgação)

Diante disso, o acesso à água potável é essencial para o bem-estar e saúde da população, tanto para prevenir e garantir o bom funcionamento dos rins. A doença renal pode ser prevenida e, quando diagnosticada de forma precoce, pode ser controlada, como informa o nosso especial Março Azul, que chama atenção para a saúde dos rins. A campanha deste ano tem como o lema “Exame de Creatinina para todos: porque todos têm direito ao diagnóstico e acesso ao tratamento”.

De acordo com a Fundação Pró-Rim, a água também é fundamental no tratamento da doença renal, uma vez que a água purificada é essencial no processo de hemodiálise.  Após ser purificada, será misturada ao sangue do paciente, juntamente com outros componentes, para ser filtrado na máquina fazendo o papel dos rins. Essa água, que precisa ser potável, ainda terá um tratamento específico na clínica, onde passará por filtração e processos químicos, para garantir sua pureza.

“A água é importante para o funcionamento de todas as células e sistemas de nossos organismos, impactando o funcionamento do rim, assim como de outros órgãos. E independentemente da temperatura, frio ou calor, precisamos fazer a ingestão correta de água. Mas, nos dias mais quentes, devemos evitar ficar horas expostos ao calor; e, estando ao ar livre, fazendo atividade física ou trabalhando, é preciso fazer a reidratação adequada”, ressalta o médico nefrologista Antônio Amadeu Giannasi, responsável técnico da unidade da Pró-Rim em Palmas (TO).

Qual a quantidade ideal a tomar de água?

Um adulto deve consumir pelo menos dois litros de água por dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 35 ml de água por quilo de peso, ou seja, uma pessoa com 60 kg precisará consumir 2,1 litros. Na prática, se manter bem hidratado significa tomar água suficiente durante o dia, e, consequentemente, esvaziar a bexiga sempre que necessário

Segundo Giannasi, a hidratação correta exige que esse consumo seja feito ao longo do dia, fracionando em várias porções, porque consumir uma quantidade muito grande de água em único momento causará uma sobrecarga aos rins.

“Outro ponto importante, a água não pode ser substituída por sucos, chás, café, refrigerantes ou outros líquidos”, exemplifica o nefrologista Amadeu. No entanto, ele chama atenção também para o excesso de água. “Acordar muitas vezes durante à noite para fazer xixi é sinal que a ingestão de água ao longo do dia foi em excesso”.

Em resumo, é preciso ficar atento aos sinais do corpo. “O nosso organismo, regulado pelo sistema renal, irá dizer quando devemos tomar água, quando sentimos sede. O que não pode é ignorar essa vontade ou ingerir outros líquidos que não seja água. Outra forma, observar a cor da urina, que não deve ser muito escura e nem clara demais, deve ter cor de suco de laranja lima – amarelo cítrico”, detalha Amadeu. Ele finaliza com

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