Aos 48 anos, a jornalista Maju Coutinho anunciou na última sexta-feira, dia 28, que está grávida do seu primeiro filho. A apresentadora do Fantástico se junta a celebridades como Cláudia Raia, Ivete Sangalo, Gisele Bündchen, Sabrina Sato, Viviane Araújo, Fernanda Lima, Leandra Leal, Anne Hathaway e Mariana Rios que também engravidaram após os 40 anos.

Maju espera um menino, que já tem nome escolhido: Malik, um nome de origem árabe associado aos significados de “rei” ou “soberano”. O bebê é fruto do casamento com o artista visual Agostinho Paulo Moura, de 61 anos. Os dois estão casados desde 2009. Para Maju, será a estreia na maternidade; Agostinho já é pai de dois filhos.

Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular”, escreveu Maju no anúncio. Ela ainda apresentou Malik como um “filho desejado” e deu as boas-vindas ao menino com uma homenagem à canção “Boas-Vindas”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Para muitas mulheres, a maternidade após os 40 é uma escolha que envolve segurança financeira, estabilidade emocional e um planejamento mais detalhado, mas que também requer cuidados adicionais com o estilo de vida. Alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas e cuidados com a saúde mental são considerados essenciais por especialistas para assegurar uma gravidez tranquila.

Gravidez acima dos 40 aumentou 60% em 12 anos

A chamada maternidade tardia tem avançado com força em todo o Brasil nas últimas décadas e já reflete uma forte tendência comportamental. De 2010 a 2022, o número de brasileiras que se tornaram mães após os 40 anos cresceu 65,7%, de acordo com a pesquisa “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número saltou de 64 mil, em 2010, para 106 mil mulheres em 2022. Segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE em maio de 2025, o número de nascimentos de mães acima dos 40 anos chegou a 109.170 em 2023, mais do que o dobro dos 57.832 registrados em 2003. Em 2024, esse número já passou de 102 mil.

Dados do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) apontam que tem crescido o número de mulheres que engravidam na faixa etária dos 35 aos 39 anos, no Estado de São Paulo. Entre 2000 e 2024, o percentual de mães que tiveram filhos nessa faixa de idade subiu de 7,6% para 16,3%. As mães na faixa de 25 a 29 e de 30 a 34 anos concentraram 50% do total de nascidos vivos em 2024, superando o grupo de mulheres de 20 a 24, que liderava as estatísticas no ano 2000.

Mas, não é somente em São Paulo que esse fenômeno está sendo visto, conforme demonstra pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, apontam um crescimento de 81% nos casos de gravidez em mulheres com mais de 35 anos, entre os anos 2000 e 2020, em todo o país.

Cuidados e possibilidades para uma maternidade saudável

Especialistas orientam sobre cuidados e alternativas para quem deseja vivenciar a maternidade com segurança e saúde

A gravidez após os 40 anos, que antes era exceção, torna-se cada vez mais viável graças ao apoio da medicina e dos avanços reprodutivos. Apesar de inspirador, exige atenção especial e um acompanhamento médico cuidadoso para que o processo seja seguro e saudável. Embora a gravidez natural seja possível nessa faixa etária, especialistas em reprodução humana reforçam que a partir dos 40, os cuidados com a saúde da mulher e a avaliação médica criteriosa são essenciais.

Graziela Canheo, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da La Vita Clinic explica que com o avanço da idade ocorre uma redução natural no número e na qualidade dos óvulos, o que impacta tanto as chances de gravidez quanto os riscos de complicações.

Aos 40, engravidar naturalmente ainda é possível, mas é importante que a mulher e o casal façam um check-up completo, que identifique possíveis fatores que possam impactar a fertilidade e a saúde da gestação”, destaca. Exames como avaliação das trompas, ultrassom e dosagem hormonal, além de um controle de condições de saúde como hipertensão e diabetes, ajudam a assegurar uma gestação mais tranquila e monitorada.

Para aquelas que desejam adiar a maternidade, o congelamento de óvulos tem se mostrado uma alternativa valiosa. Como explica Paula Fettback, ginecologista especialista em reprodução humana pela FEBRASGO, a técnica permite que a mulher preserve óvulos mais jovens, aumentando as chances de uma gravidez segura no futuro e reduzindo os riscos de alterações cromossômicas.

O congelamento de óvulos, quando realizado antes dos 40, funciona como um seguro para as mulheres que, por diversas razões, preferem postergar a maternidade”, comenta Fettback.

Os avanços da medicina reprodutiva também têm oferecido alternativas que beneficiam as mulheres que desejam engravidar após os 40. A análise cromossômica embrionária e o cultivo embrionário com tecnologia timelapse, por exemplo, ajudam a identificar embriões viáveis e com maior potencial de implantação, o que aumenta as taxas de sucesso em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV).

Embora não possamos aumentar a quantidade de óvulos, essas tecnologias oferecem maior segurança e viabilidade ao processo de gravidez assistida”, explica Dra. Graziela. “A saúde da mãe e do bebê está diretamente relacionada a esses cuidados, e a escolha de profissionais capacitados faz toda a diferença no acompanhamento”, complementa a Dra. Paula Fettback.

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