A recente confirmação dos primeiros quatro casos humanos de febre do Nilo Ocidental no Brasil – dois em São Paulo e dois Santa Catarina, incluindo uma morte no estado catarinense – voltou a chamar atenção para a doença viral transmitida pela picada de mosquitos infectados. Embora a maioria dos casos evolua com sintomas leves, a infecção também pode provocar complicações neurológicas graves.
No entanto, especialistas reforçam que o cenário atual pede atenção e vigilância, e não pânico. Conhecida no continente africano há quase um século, a infecção apresenta evolução benigna na esmagadora maioria das ocorrências.
Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença”, tranquiliza o médico infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).
Entenda a doença, a transmissão e os sintomas
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus pertencente à mesma família dos vírus causadores da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. O vírus circula primariamente entre aves silvestres, que atuam como hospedeiras. A transmissão para humanos ocorre exclusivamente pela picada de mosquitos infectados — principalmente do gênero Culex (o pernilongo comum ou muriçoca). Não há contágio direto de pessoa para pessoa.
Cerca de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem qualquer sintoma. Nos 20% que apresentam manifestações clínicas, a grande maioria enfrenta quadros leves a moderados:
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Sintomas mais comuns: Febre repentina, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular, dor atrás dos olhos, falta de apetite, náuseas, vômitos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos.
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Sinais de alerta para formas graves: Menos de 1% dos infectados pode evoluir para complicações neurológicas como meningite ou encefalite, que se manifestam por confusão mental, tremores, convulsões ou alteração do nível de consciência, exigindo internação hospitalar imediata.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
| Etapa | Recomendações e Contexto Clínico |
| Diagnóstico | Realizado via avaliação clínica e exames laboratoriais específicos em unidades de saúde para quem apresenta sintomas e esteve em áreas de risco. |
| Tratamento | Não existe tratamento antiviral específico ou vacina disponível para humanos. O cuidado foca no alívio de sintomas com repouso e hidratação. Casos graves podem exigir suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). |
| Prevenção | Uso de repelentes, instalação de telas protetoras, eliminação de focos de água parada para combater o pernilongo e notificação de mortalidade atípica de aves às autoridades sanitárias. |
Panorama epidemiológico no Brasil
No estado de São Paulo, o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), confirmou dois casos: uma moradora de Ribeirão Preto de 34 anos, já curada, e uma adolescente de 18 anos em São José do Rio Preto, que permanece sob acompanhamento médico.
O Ministério da Saúde (MS) monitora o cenário nacional, que conta ainda com dois registros confirmados em Santa Catarina (com um óbito) e um caso provável sob investigação no Piauí.
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