Mais da metade dos médicos não usam estratégias de marketing

Realidade deve mudar com nova regra para publicidade médica. Veja 4 dicas de marketing médico. Cirurgião usa animações em redes sociais

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Uma pesquisa realizada pela Livance em 2021, aponta que mais da metade dos médicos, 55% dos entrevistados, não usam estratégias de marketing para divulgação de seus serviços e a maioria deles indica falta de conhecimento na área para a criação de suas divulgações. Porém, a pesquisa revela que o número coletado em 2021 foi 60% maior do que o coletado no ano anterior, o que indica que cada vez mais médicos estão buscando investimento em marketing como forma de divulgação.

Esta realidade pode mudar com a nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada nesta quarta-feira (13), que altera as regras de publicidade médica. Segundo o especialista em marketing e estratégia de negócios, Frederico Burlamaqui,  a publicidade médica é regulada pelo CFM e a nova resolução traz grandes possibilidades para que esses profissionais se posicionem e divulguem seus trabalhos, independente da área de atuação.

“O marketing médico é uma importante ferramenta para a divulgação dos serviços e para a captação de pacientes. A quantidade de médicos é cada vez maior e a concorrência cada vez mais acirrada. Ou o médico se vê como um negócio ou ele não vai atingir suas expectativas de sucesso profissional”, afirma o especialista.

Além disso, ressalta, os pacientes estão cada vez mais conectados, buscando conteúdo e referências no ambiente digital antes mesmo de marcar a consulta. “As indicações ainda são uma base forte para a captação de clientes, porém muitas vezes isso não é suficiente, sendo importante que os profissionais médicos saibam se posicionar nas mídias para garantirem ainda mais a credibilidade de seus serviços”.

Entre as principais vantagens do marketing médico, o especialista elenca o estabelecimento de um bom relacionamento com o público, maior conhecimento do público-alvo, propagação de conteúdo relevante, mensuração de resultados, oferta de comunicação em diferentes canais, melhor custo-benefício e construção de uma autoridade na internet.

Para alcançar esses objetivos, Frederico indica que o primeiro passo é entender o que se quer com o marketing médico. “Como em todo o processo de marketing, é primordial definir os objetivos da marca, entendendo o que se quer atingir, que pode ser um número maior de agendamentos, maior visibilidade, propagação de conteúdo e ganho de autoridade, mais faturamento, etc.”, explica.

Com o objetivo bem estruturado fica mais fácil entender quais ações de marketing e comunicação são necessárias. “A marca precisa ocupar um espaço na mente do seu consumidor. É importante ser lembrado por uma característica que diferencie o trabalho do médico dos demais”, completa.

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4 dicas para um bom marketing médico

– Marketing de conteúdo: a geração de conteúdo relevante deve ser a base das ações de marketing médico. Se o médico quer se tornar uma autoridade na área, ele pode investir em criar conteúdo para pessoas comuns buscando esclarecer dúvidas, como para colegas de profissão, com temas mais aprofundados. Já se o objetivo for ter mais clientes na clínica, o profissional pode trabalhar conteúdos sobre a importância de exames médicos preventivos, acompanhamento médico especializado e esclarecimento sobre as suas especialidades.

– Tenha uma identidade de marca clara e atrativa: a identidade de marca é aquilo que vai ficar registrado na memória das pessoas, podendo ser o nome do médico(a) ou da clínica. Neste processo é importante pensar nas cores usadas, fontes e demais questões visuais que possam ser marcantes ao seu público. Uma vez que a identidade esteja criada, ela deve estar em todas as comunicações, inclusive nas redes sociais, conteúdos e vídeos.

– Esteja ativo no ambiente digital: a presença digital tem a grande capacidade de posicionar melhor a clínica, para isso invista em canais de propagação de conteúdos e que contem com um atendimento ágil para caso de dúvidas dos pacientes. As redes sociais são ótimas para isso, assim como o whatsapp, lembrando que se deve ter uma equipe treinada para dar respostas. Estar bem pontuado no Google também é importante, assim como disponibilizar depoimentos de pacientes que reforcem a tradição e o atendimento ágil e humano realizado pelo corpo clínico.

–  Invista em Comunicação Estratégica: É importante utilizar ferramentas digitais que ajudam na comunicação e na captação de pacientes. Ela pode ser feita por meio de um site com linguagem adequada e acessível, design responsivo e fácil navegabilidade, com formulários de contato, otimização (SEO) para os buscadores de pesquisas, geração de conteúdo relevante em blog posts, e-books e newsletter, presença nas redes sociais, entre outras ações que irão colocar o médico em contato com seus pacientes também no ambiente digital.

Médico que usa animações para divulgar seu trabalho aprova novas regras

Em um momento em que o Conselho Federal de Medicina (CFM) apresenta novas regras para publicidade médica no Brasil, que trazem  mudanças significativas nas práticas de divulgação médica, o cirurgião plástico Josué Montedonio Nascimento, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da American Society of Plastic Surgeons, exemplifica como a divulgação responsável pode impactar positivamente a relação entre médico e paciente. Dr Josué usa o recurso de animações para divulgar seu trabalho nas redes sociais.

‘’Comecei a usar as ilustrações porque todo dia via publicações sensacionalistas na tentativa de atrair pacientes e pessoas em busca de melhora da auto estima e isso pode gerar inúmeras inseguranças e questionamentos’’, comenta Dr Josué, que é graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (2004), sócio da Associação Paulista de Medicina e da Sociedade Brasileira de Queimaduras e membro da Federación Latino Americana de Queimaduras. 

Segundo ele, as animações ajudam de forma divertida a enfrentar um mal que tem se tornado cada vez mais comum devido ao uso excessivo das redes sociais, a distorção de autoimagem ou, em termos mais técnicos, o transtorno dismórfico corporal. “A crescente exposição a imagens de corpos considerados “perfeitos” e a constante comparação com o próprio corpo, resultado do tempo significativo gasto nas redes sociais observando as vidas e aparências alheias, está associada ao aumento da prevalência desse transtorno”.

Entenda as mudanças da nova resolução

O plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou suas regras para a publicidade médica: a Resolução CFM nº 2.336/2023, publicada no dia 13 de setembro de 2023 no Diário Oficial da União, entrará em vigor 180 dias após a publicação e permite que o médico divulgue seu trabalho nas redes sociais, faça publicidade dos equipamentos disponibilizados no seu local de trabalho e, em caráter educativo, use imagens de seus pacientes, ou de banco de fotos.

Além de permitir ao médico mostrar o seu trabalho, a nova resolução também autoriza a divulgação dos preços das consultas, a realização de campanhas promocionais, o uso das imagens dos pacientes, investimentos em negócios não relacionados à área de prescrição do médico, além de outras permissões

Sob a nova resolução, médicos podem continuar a publicar imagens de “antes e depois” de tratamentos, incluindo procedimentos estéticos, contanto que obtenham o consentimento explícito de seus pacientes. Além disso, o CFM definiu diretrizes claras para o uso de imagens de pacientes, proibindo a promoção de medicações ou métodos não comprovados cientificamente.

Conselho, em sua recente resolução, abordou questões cruciais relacionadas à conduta dos médicos em relação ao uso de imagens de pacientes e propaganda médica. Uma das diretrizes estabelecidas é que a especialidade médica não deve ser anunciada de forma enganosa, especialmente quando se trata de imagens de pacientes.

“No entanto, a resolução não proíbe selfies de médicos com pacientes famosos ou celebridades da mídia, desde que essas imagens não prometam resultados específicos. Isso permite que os médicos compartilhem momentos com figuras públicas sem comprometer a ética médica”, destaca Dr Josué.

Por outro lado, a resolução também enfatiza que os médicos não devem garantir resultados positivos aos pacientes, uma vez que a reação de cada organismo aos procedimentos médicos pode variar significativamente.

Além disso, o Conselho Federal de Medicina destaca a importância de distinguir entre ser pós-graduado e ser especialista. Esta distinção é relevante para manter a transparência na comunicação médica e evitar que os pacientes sejam enganados por afirmações falsas de especialização.

Com Assessorias

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