O ‘padrão Einstein’ de qualidade prometido por um certo presidenciável fujão já é realidade no Sistema Único de Saúde (SUS). E está presente em grandes e pequenas iniciativas. Como por exemplo uma nova tecnologia baseada em inteligência artificial que promete transformar a triagem e a identificação de doenças de pele na rede pública de saúde.

Desenvolvido por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein, o sistema CUTIS-AI utiliza imagens de lesões cutâneas combinadas a dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos adaptados à realidade brasileira para apoiar o diagnóstico médico na Atenção Primária à Saúde.

A inteligência artificial já apresenta uma taxa de acerto de aproximadamente 80% e foi testada a partir da análise de cerca de 1,4 mil pacientes e mais de 4 mil imagens. O aplicativo pode ser utilizado inclusive em locais sem acesso à internet, servindo como uma ferramenta de suporte decisório para profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor oferta de especialistas, sem substituir a avaliação médica.

Doenças que podem ser identificadas

Entre os problemas passíveis de identificação pelo sistema estão:

  • Esporotricose

  • Leishmaniose cutânea

  • Hanseníase

  • Cromoblastomicose

  • Lobomicose

  • Tuberculose cutânea

  • Lesões por acidentes loxoscélicos (picada de aranha-marrom)

Respeito à diversidade de etnias no país

Diferente de modelos treinados exclusivamente com dados estrangeiros, o CUTIS-AI foi projetado para contemplar a diversidade da população do país. O secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior, ressalta a relevância da iniciativa:

Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial”.

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O papel do Proadi-SUS e a participação dos hospitais de excelência

Projetos de inovação digital como o CUTIS-AI são viabilizados pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O programa permite que hospitais de excelência sem fins lucrativos — como o Hospital Israelita Albert Einstein — direcionem seus recursos para o fortalecimento do SUS em troca da imunidade de contribuições sociais (imunidade tributária).

Esta semana o Ministério da Saúde anunciou um aporte de R$ 3,95 bilhões em imunidade tributária para o triênio 2027–2029 do Proadi-SUS, representando um crescimento de 18,6% em relação ao ciclo anterior. O montante financiará ações voltadas para a transformação digital (como a implementação de hospitais inteligentes, telessaúde e IA), pesquisas de alta complexidade e adaptação da rede pública às mudanças climáticas (AdaptaSUS).

Dentro desse orçamento global, o Einstein é responsável por 41 projetos, somando um investimento estimado em R$ 1,68 bilhão. Além dele, integram a rede de excelência do Proadi-SUS o Hospital Sírio-Libanês, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Hcor, o Hospital Moinhos de Vento, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o A.C. Camargo Cancer Center.

A integração entre saúde pública, saúde ambiental e tecnologias de ponta reforça a relevância das abordagens integradas na construção de sistemas de saúde mais resilientes, garantindo diagnósticos mais ágeis e acesso qualificado para a população em todas as regiões do Brasil.

Com informações do Ministério da Saúde e da Agência Brasil

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