Com as atenções voltadas para a reta final da Copa do Mundo, a exigência física dos atletas profissionais reacende o alerta para uma das lesões mais frequentes nos gramados e nas ruas: a entorse de tornozelo. O trauma representa cerca de 12% dos atendimentos de ortopedia em serviços de urgência e até 30% de todas as lesões no esporte.
O futebol e o basquete exigem intensamente dessa articulação. As lesões no tornozelo são responsáveis por 45% de todas as ocorrências médicas no basquete e por 31% no futebol. Da mesma forma, 29% de todas as lesões nas extremidades inferiores no futebol afetam essa articulação, sendo que 75% delas atingem os ligamentos laterais.
No entanto, a entorse de tornozelo também é comum na população em geral, registrando cerca de 2 milhões de casos por ano. Por isso, não é à toa que este é um dos traumas mais frequentes tanto em atletas profissionais quanto em praticantes de atividades físicas de fim de semana, que demandam movimentos intensos e mudanças bruscas de direção.
Sintomas e a importância do diagnóstico precoce
Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Dores Crônicas e Saúde Postural, a entorse de tornozelo causa muita dor e restringe severamente a amplitude de movimento dos pés. “Essa lesão também pode levar a problemas funcionais, incapacidade, osteoartrite pós-traumática e instabilidade crônica do tornozelo. Geralmente, essas condições ocorrem em cerca de 44% dos pacientes em até um ano após o trauma”, alerta.
Os principais sintomas da entorse de tornozelo incluem:
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Dor intensa na articulação;
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Dificuldade para caminhar ou apoiar o pé no chão;
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Inchaço na parte lateral do pé;
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Manchas roxas (hematomas) na pele, que podem surgir até 48 horas depois da torção;
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Sensibilidade ao tocar a região lateral do tornozelo.
Uma lesão que não tenha sido tratada corretamente e que acontece com bastante frequência, como é o caso da entorse, pode se tornar algo mais grave sem o diagnóstico e tratamento adequado”, afirma João Paulo, médico ortopedista e especialista em dor, medicina do esporte e tratamentos biológicos.
Para um direcionamento assertivo, o avanço tecnológico em exames de imagem é fundamental. “Os diagnósticos feitos pelo olhar experiente do médico com o acesso rápido aos resultados de raio-x e ultrassom facilitam toda a conduta terapêutica do paciente. Os exames de imagem são indispensáveis para a nossa conduta”, reforça o fisioterapeuta Allan Josefh.
Níveis de gravidade e riscos urbanos
Apesar de muitas vezes ser considerada uma lesão “leve”, é preciso ficar atento aos sinais. As entorses têm diferentes níveis de gravidade. Os casos leves são aqueles que não afetam diretamente as estruturas ósseas ou rompem totalmente os ligamentos.
Nas torções mais graves, a dor é praticamente insuportável, o inchaço é bem acentuado e o paciente não consegue colocar o pé no chão. Há muitos ossos pequenos no tornozelo e, por isso, fraturas ou luxações podem ficar mascaradas no exame clínico inicial, exigindo a confirmação por imagem”, explica Walkíria Brunetti.
Para além do esporte, o desenho urbano das cidades atua como um fator de risco. Pisadas em falso em calçadas irregulares, ruas esburacadas ou posicionamento inadequado do pé ao descer escadas e levantar-se da cama são causas frequentes de atendimento médico. No caso das mulheres, o uso frequente de saltos altos e plataformas em superfícies instáveis potencializa o risco de traumas.
O perigo da instabilidade crônica
Muitas pessoas que sofrem uma entorse mais leve negligenciam o tratamento, o que pode trazer consequências sérias a longo prazo. O principal risco desse descaso é a evolução para um quadro de instabilidade crônica na região.
Toda vez que a pessoa sofre uma torção e não realiza uma reabilitação adequada, os ligamentos podem cicatrizar de forma frouxa ou permanecer alongados. Isso enfraquece a estrutura e aumenta, de forma significativa, o risco de novos episódios”, adverte Walkíria.
Pacientes com instabilidade crônica passam a relatar dores, inchaço e sensação de calor na articulação durante caminhadas simples ou após passar muito tempo em pé, principalmente ao final do dia.
Como funciona o tratamento e a reabilitação
O tratamento inicial e imediato após a torção consiste na aplicação de compressas de gelo várias vezes ao dia, recomendadas nos primeiros três dias. Caso o inchaço persista após esse período, indica-se alternar compressas frias e quentes.
A reabilitação varia conforme a gravidade:
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Casos graves (com fratura ou luxação): Podem exigir imobilização temporária ou intervenção cirúrgica antes do início da fisioterapia.
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Casos leves a moderados: Utilização de talas ou órteses removíveis, associadas ao manejo da dor.
“Na fisioterapia, usamos recursos como terapia manual, ultrassom, eletroterapia e laser para reduzir a inflamação. Assim que a dor cede, inserimos exercícios terapêuticos de fortalecimento muscular, alongamento e treinos de equilíbrio (propriocepção). Esses aspectos são fundamentais para devolver a capacidade funcional e prevenir novos traumas”, finaliza a fisioterapeuta.
Dicas para proteger os tornozelos no dia a dia
Para prevenir a ocorrência e a recorrência de entorses, os especialistas recomendam:
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Treino de força: Aposte em exercícios focados no fortalecimento da musculatura que dá estabilidade aos tornozelos (como panturrilhas e músculos tibiais);
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Exercícios de equilíbrio: Pratique treinos de propriocepção (ficar em um pé só, por exemplo) para melhorar a resposta do corpo a desníveis;
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Alongamentos diários: Faça alongamentos nos pés durante o dia, atividade que pode ser realizada inclusive sentado no trabalho;
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Calçados adequados: Mulheres devem evitar saltos altos ao caminhar em ruas com superfícies irregulares;
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Calçados esportivos corretos: Durante práticas de alto impacto (corrida, basquete, vôlei), use tênis com bom sistema de amortecimento e suporte adequado para o arco do pé. Modelos de cano alto são excelentes opções para esportes de quadra.
Com informações de Assessorias de Imprensa.







