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Violência contra mulheres: ensiná-las técnicas de autodefesa ajuda?

Muito se fala sobre medidas de proteção à mulher, mas ensiná-las sobre técnicas de defesa pessoal poderia ajudar nos casos de violência doméstica, em que o ‘inimigo’, muitas vezes, mora ao lado, ou melhor, dentro de casa – muitas vezes, na mesma cama?

É adequado ensinar defesa pessoal a mulheres em situação de vulnerabilidade e risco social, em vez de oferecer-lhes meios de garantir seus direitos quando violados? Como elas empregariam essas técnicas aprendidas? Nas ruas ou dentro de casa, uma vez que sabemos que muitos agressores são pais, padrastos ou outros parentes e pessoas próximas?

No mês de julho, por exemplo, o projeto ‘Menina, Moça-Mulher’, promovido pelo Instituto Carlos Chagas, no Rio de Janeiro, promoveu de defesa pessoal com foco na prevenção e noções básicas de segurança, utilizando técnicas para a defesa pessoal feminina.

Segundo a assessoria, apesar de o projeto atender meninas a partir de 12 anos, esta oficina especificamente foi direcionada apenas a mulheres com mais de 18 anos. Segundo o instituto, as aulas foram ministradas por “um profissional capacitado em defesa” e “não têm como objetivo agredir, mas sim possibilitar que essas mulheres se defendam de possíveis agressores”.

“São técnicas de imobilização momentânea para que a mulher consiga fugir e buscar ajuda. O objetivo da aula é ensinar essas mulheres a identificar agressões físicas e/ou psicológicas, o que é defesa pessoal, que toda e qualquer agressão deve ser denunciada e que a culpa nunca é da mulher”, informou a instituição.

O Instituto Carlos Chagas justifica a iniciativa com dados sobre a violência contra a mulher, uma triste realidade no Estado do Rio de Janeiro. Segundo o levantamento “Elas Vivem: dados que não se calam”, da Rede de Observatórios da Segurança, houve um aumento de 45% nos casos de violência contra a mulher em 2022. Ao todo, foram 545 casos registrados contra 375 em 2021. O estado quase dobrou o número de 2021, quando foram registrados 375 eventos na mesma pesquisa.

Espaço oferece ações de educação em saúde, direitos reprodutivos e sexuais

Com sede na Lapa, no centro do Rio, o projeto Menina-Moça, Mulher atende adolescentes e mulheres a partir de 12 anos de idade, que estão em situação de vulnerabilidade social oferecendo também atendimentos ginecológico e psicológico totalmente gratuitos. No campo da prevenção, são desenvolvidas ações de educação em saúde, direitos reprodutivos e sexuais, acesso aos métodos contraceptivos e preservativos, além de serviços de contracepção e planejamento familiar e cuidado com os filhos.

Durante o mês de julho, além das aulas de defesa pessoal, que chamaram a atenção deste espaço, foram oferecidas oficinas de artesanato, com confecção de bijuterias e bonecas africanas; de informática, com ensino sobre utilização do pacote office e noções básicas da internet, além de oficinas de empreendedorismo e para encarregadas de serviços gerais.

Além de ações de proteção da saúde e integridade da mulher, o espaço procura preencher as lacunas existentes na proteção e assistência social desse público, oferecendo serviços de capacitação e geração de renda, incluindo oficinas de empregabilidade, que ajudam para entrevistas de emprego e preparação de currículo. O projeto também conta com auxílio na retirada de documentos, suporte emocional e habilidades comportamentais.

“O Menina, Moça Mulher foi pensado para todas as mulheres em situação de vulnerabilidade que precisem de atendimento especializado. Também oferecemos apoio na regularização de documentos e cursos de capacitação para a geração de trabalho e renda”, explica o cirurgião plástico Ricardo Cavalcanti Ribeiro, presidente do Instituto Carlos Chagas e um dos idealizadores da iniciativa.  

Krav Magá: técnica de defesa pessoal israelense foi usada na pandemia

O israelense Avigdor Zalmon, que trouxe a arte do Krav Magá direto do exército de Israel para o Estado de São Paulo e é presidente da Federação Internacional de Krav Magá, diz que esta é a única modalidade reconhecida mundialmente como técnica de defesa pessoal. Todos os anos, a entidade promove aulas gratuitas especiais e exclusivas para mulheres em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. O objetivo, segundo a entidade, é “ensinar as mulheres e meninas a se defenderem das agressões”.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança a cada dois minutos uma mulher é agredida no Brasil, e durante a pandemia esses números só aumentaram. Com o aumento de casos de agressão por conta do isolamento social imposto pela pandemia, a Federação chegou a oferecer aulas gratuitas online para as mulheres em março de 2021. Somente na primeira semana, mais de 450 mulheres se inscreveram.

“Com o isolamento houve um aumento nos registros de violência contra as mulheres no Brasil e no mundo. Por isso queremos ensinar como elas podem se defender de forma adequada, oferecendo capacidade técnica e conscientização sem colocar a vida em risco. A proposta é a de usar o Krav Magá apenas como último recurso”, afirmou, na ocasião, o presidente da entidade.

Por meio dos treinos, as mulheres podem aprender a se defender, superar o medo da violência e do bullying, recuperar a autoestima, além de reforçar a autoconfiança de andar mais seguras na rua”, prometia a Federação Internacional de Krav Magá, que tem por finalidade promover, desenvolver, fomentar, massificar e democratizar a prática no Brasil.

“Ser mulher significa estar sempre alerta a perigos que podem vir de onde elas menos esperam e com as aulas de Krav Magá elas aprendem a se defender de diversos tipos de ataques para que consigam voltar para casa ilesas e com segurança”, afirma Avigdor Zalmon.

Técnica também é usada para evitar abusos nos blocos de carnaval

A técnica de defesa pessoal israelense, que é a mais difundida no mundo, também é muito difundida pela Federação no período que antecede o Carnaval. Isso porque costumam aumentar as denúncias de abusos contra mulheres neste período, especialmente nos blocos de rua.

Segundo Avigdor Zalmon, o krav magá faz com que os praticantes consigam se defender e sintam-se mais seguros nas ruas, mas antes de tudo, eles aprendem a evitar os conflitos e usar as técnicas somente em último caso. O instrutor israelense ensina algumas técnicas simples que podem livrar mulheres de situações abusivas, como durante shows e blocos de carnaval, por exemplo.

“São medidas simples, mas que podem livrar a mulher de situações, no mínimo, constrangedoras e até abusivas. A primeira delas é o soco no rosto do agressor, que pode ser aplicado com a mão aberta ou fechada, sempre mirando o nariz, a boca ou os olhos”, comenta.

Depois vem o chute ou a joelhada nas genitálias, isso costuma doer bastante. Se acertar, vai deixar o agressor com muita dor e vai neutralizá-lo”, explica Zalmon.

Já o dedo nos olhos também é bastante dolorido e impossibilita a pessoa de reagir por um certo tempo, o suficiente para correr e pedir ajuda. Mas lembre-se, só aplique em caso de abuso ou agressão.

Importante lembrar que beijar à força ou passar a mão sem consentimento é considerado crime e pode resultar em até cinco anos de prisão. Esse tipo de investida chama-se importunação sexual e basta que a vítima não concorde com o ‘sinal avançado’ para que o crime seja caracterizado. Mesmo assim, denúncias de violência sexual contra as mulheres continuam ocorrendo, especialmente durante os blocos de carnaval.

Com Assessorias

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