Elas por Elas: projeto social ajuda mulheres a romper ciclo de violência

ONG oferece apoio, acolhimento e profissionalização a vítimas de violência doméstica, reféns da dependência financeira e emocional do agressor

Vítima de relacionamento abusivo, Maria do Carmo fez curso no Instituto Elas por Elas. "Lá pude conhecer as  histórias até piores do que as minhas", conta (Foto: Arquivo pessoal)
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Projetos sociais liderados por mulheres – muitas delas, inclusive, vítimas de violência doméstica, como a Ana Paula, que falamos aqui – são fundamentais para ajudar outras mulheres a romper esse ciclo e reconstruir suas vidas. Iniciativas se multiplicam pelo país, revelando a força das mulheres e, sobretudo, sentimentos como empatia, solidariedade e sororidade.
Um bom exemplo vem de Paranoá, que tem um dos maiores índices de violência doméstica e feminicídio do Distrito Federal. Lá, o Instituto Elas por Elas atua na proteção, capacitação, esclarecimento e apoio a mulheres vítimas de violência, principalmente em Paranoá. A entidade oferece apoio emocional e profissional para mulheres do DF, mas também de todo o Brasil.
Maria do Carmo Soares, auxiliar de enfermagem e vítima de abuso doméstico, é uma das mulheres atendidas pelo Elas por Elas, onde fez fez curso de penteado e cabeleireira. Além de aprender uma nova  profissão, ela ampliou sua rede de relacionamentos e encontrou apoio e acolhimento no momento em que mais precisava.
“Conheci o projeto através do Nuiam, onde fazia acompanhamento psicológico devido a uma separação de um relacionamento abusivo, no qual desenvolvi uma dependência emocional que já estava quase me levando a uma depressão.  O curso pra mim foi essencial, não só na aprendizagem, mas também no apoio na hora que mais precisei”, conta.
Maria do Carmo diz que sua expectativa em relação ao projeto foi superada. “”Quando recebi o convite do curso, a minha intenção não foi obter renda, apesar de o curso contribuir para isso, o que é muito bom também. Mas entrei para me libertar da situação que eu estava passando e, no curso, eu pude me distrair com as aulas práticas, trocando os pensamentos negativos por positivos”, aponta.
Hoje, ela conta que coloca em prática os conhecimentos adquiridos no curso para melhorar sua própria autoestima e com um adicional: “Também ganhei a amizade das colegas. Lá eu tenho  uma rede de apoio e de conselhos, conheci pessoas diferentes e pude conhecer as  histórias até piores do que as minhas. Isso me fortaleceu muito”, relata Maria do Carmo.

Violência doméstica e dependência econômica

Thaíse Arcuri e Gilma Spínola, fundadora e presidente do Instituto Elas por Elas (Foto: Divulgação)
Além de cursos de capacitação na área de culinária, costura, beleza e eventos, o Instituto Elas por Elas oferece cursos on-line profissionalizantes por meio de uma comunidade que é frequentemente alimentada com mensagens de apoio, incentivo e coragem. O projeto também oferece inclusão no mercado de trabalho, seja via emprego formal ou empreendedorismo, proporcionando oportunidades de trabalho e renda nas próprias residências.
“O Instituto é estruturado em três pilares: Resgatar, Reconstruir e Recomeçar. Nossa proposta é dar um direcionamento para a construção do projeto de vida dessas mulheres”, explica. “Elas precisam resgatar a si mesmas, pois a violência doméstica, seja qual for, física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial, aprisiona e afeta a autoestima, e a identidade da mulher”, explica Gilma Spínola, presidente do instituto.
Fundadora do Instituto Elas por Elas, Thaíse Arcuri é agente da Polícia Civil na Delegacia da Mulher do DF e convive com essa triste realidade diariamente. “Percebi que muitas mulheres vivem em uma espécie de prisão, pois não conseguem sair do ciclo de violência em virtude da dependência econômica, razão pela qual busquei a possibilidade de fornecer cursos em que elas possam trabalhar em casa”, relata.

Casa é o espaço de maior número de agressões

Em 2013, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou o primeiro relatório com estimativas da prevalência de violência física e/ou sexual provocadas por parceiro íntimo ou não, tendo sido produzida a partir de uma extensa e sistemática revisão de 141 surveys em 81 países conduzidos entre os anos de 1990 e 2012.

No diagnóstico mais recente, publicado em 2021, foram incluídos 366 estudos em 161 países realizados entre 2000 e 2018. Os resultados globais indicam que 27% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos experimentaram violência física ou sexual provocada por parceiro ou ex-parceiro íntimo, que 13% tinham sofrido a violência nos últimos 12 meses.

Para a presidente do Instituto Elas por Elas, os números indicam, portanto, que a violência contra meninas e mulheres é um problema global, expressão máxima das desigualdades de gênero e que exige esforços nacionais e internacionais para sua superação.

“A violência que atinge meninas e mulheres tem como raiz os diferentes valores atribuídos culturalmente a mulheres e homens que determinam expectativas sobre seus comportamentos. É a desigualdade de gênero nas relações entre homens e mulheres, consolidada ao longo de centenas de anos, que delineia as assimetrias e produz relações violentas através de comportamentos que induzem as mulheres a submissão”, afirma Gilma.

Com informações do Instituto Elas por Elas

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