Recentemente, o Brasil alcançou a marca de 7 mil pessoas com superdotação, colocando o país em oitavo lugar no ranking mundial da Mensa Internacional, principal organização de alto QI do mundo. Apesar disso, há uma baixa visibilidade do tema, que prejudica a identificação de crianças e adultos com altas habilidades pelos institutos de pesquisa. As crianças com altas habilidades costumam demonstrar, desde cedo, um desempenho acima da média em áreas como o raciocínio lógico, criatividade e linguagem, mas, esses sinais podem passar despercebidos pelos pais.

Pior: muita gente acredita que crianças com altas habilidades – os chamados superdotados ou superinteligentes – não precisam de apoio porque já apresentam um desempenho acima da média. Mas não é bem assim. Muitos desses alunos enfrentam dificuldades emocionais, sociais e acadêmicas quando não são adequadamente identificados e estimulados.

A análise é da médica psiquiatra Danielle Admoni, colunista do PORTAL VIDA E AÇÃO, que é especialista em Infância e Adolescência pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e atua como supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).

Pode parecer para quem vê de fora que superdotação é algo que só traz vantagens, mas muitas dessas crianças têm dificuldades emocionais relacionadas a isso. Por exemplo, às vezes não querem se destacar, então deixam de tirar boas notas e acabam indo mal na escola, ou vão se desinteressando pelos estudos”, diz Danielle.

Acontece também daquele aluno aprender muito rápido e passar a bagunçar na aula porque já entendeu o conteúdo, ou muitas vezes nem quer ir mais para a escola porque está desestimulada.

Assim como crianças que têm deficiências, aquelas com altas habilidades também precisam de um programa mais particularizado para elas, de desafios adequados e oportunidades de aprofundamento”, explica Danielle.

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Desempenho escolar ou altas habilidades?

Segundo Mariana Bruno Chaves, pós-graduada em psicopedagogia e especialista em educação na rede Kumon, “muitos pais não conseguem diferenciar o que é um bom desempenho na escola, do que de fato são as altas habilidades, por isso, é importante estar atentos a sinais como curiosidade intensa, aprendizado rápido, memória acima do esperado e grande sensibilidade emocional”.

Mariana conta que a falta do entendimento dos pais ou professores pode prejudicar o desenvolvimento: “Algumas famílias negam essas capacidades por não compreender as necessidades da criança, já outras acabam sendo exacerbadas, reforçando muito as altas capacidades apresentadas pela criança, gerando uma pressão em corresponder às expectativas”.

A especialista ressalta a importância da família em saber lidar com esses talentos sem atrapalhar os processos da infância: “Os pais têm que entender que mesmo com as altas habilidades, o filho ainda é uma criança e irá passar pelas mesmas etapas de desenvolvimento do indivíduo. Dessa forma, a família deve estimular a criatividade e a curiosidade, buscando desenvolver interações sociais com outras crianças”.

Nova lei prevê suporte adequado às famílias

Para a psiquiatra, a nova Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD), que entrou em vigor no último dia 18 de junho, representa um avanço importante para uma parcela de estudantes que frequentemente passa despercebida dentro do sistema educacional.

A nova lei ajuda a dar visibilidade a essas necessidades e cria uma estrutura para que escolas e famílias possam oferecer o suporte adequado”, afirma a Dra Danielle

Segundo ela, a falta de identificação pode trazer consequências significativas para o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes já que, quando o potencial delas não é reconhecido, pode-se observar desmotivação, baixo rendimento em relação às capacidades do aluno, problemas de comportamento, ansiedade e até evasão escolar.

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A seguir, Mariana lista os principais sinais de que a criança pode ter altas habilidades.

1.      Aprendizado rápido – absorvem novos conhecimentos com facilidade e precisam de poucas repetições para aprender.

2.      Vocabulário avançado – utilizam palavras complexas para a idade e se expressam muito bem verbalmente.

3.      Curiosidade intensa – fazem muitas perguntas e demonstram interesse profundo, às vezes inusitado, por diferentes assuntos.

4.      Memória excepcional – lembram-se de detalhes com precisão por longos períodos, mesmo após contato único com a informação.

5.      Interesse por temas complexos – gostam de assuntos que fogem ao comum para a idade, como astronomia, história ou ciência.

6.      Criatividade elevada – criam histórias, soluções originais e novas formas de brincar.

7.      Habilidade em resolver problemas – encontram soluções de forma autônoma, com raciocínio lógico elaborado.

8.      Sensibilidade emocional – demonstram empatia e reagem intensamente a críticas ou emoções desde cedo.

Mariana reitera que as características descritas não resumem o perfil de uma criança com altas habilidades, e nem confirmam diagnósticos, mas indicam que pode ser interessante para os pais buscarem ajuda especializada, com psicólogos ou profissionais da educação.

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