Com milhões de brasileiros acompanhando ofertas, contagens regressivas e “promoções imperdíveis”, a Black Friday, celebrada no dia 28 de novembro, se tornou uma das datas mais esperadas do ano — mas também uma das mais emocionalmente desgastantes. Muito antes do dia 28 chegar o excesso de estímulos, gatilhos de urgência e mensagens de consumo já começam a desencadear ansiedade, sensação de insuficiência e até compulsão por compras.
A temporada de compras que antecede o período natalino ativa mecanismos emocionais muito fortes, porque mistura recompensa imediata, comparação social e a narrativa do ‘aproveite agora ou perca. Para muitas pessoas, isso acaba levando a comprar por impulso e, depois, se arrependerem.
A combinação de preços baixos, pressão temporal e notificações constantes ativa sistemas de dopamina e recompensa, criando a sensação ilusória de oportunidade única. O problema é que essa sensação dura pouco. Assim que passa o impulso, entra a análise racional, e aí surgem culpa, frustração e até vergonha, especialmente quando o gasto compromete o orçamento ou não tem utilidade real. Esse ciclo emocional pode piorar quadros de ansiedade, estresse e baixa autoestima.
Além das promoções, as redes sociais reforçam a sensação de que “todo mundo está aproveitando menos você”. O resultado é uma pressão interna que transforma o ato de comprar em uma tentativa de pertencimento. A comparação social cria um sentimento de inadequação. A pessoa compra não porque precisa, mas para sentir que está acompanhando os outros. Isso é emocionalmente perigoso.
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O foco não deve ser demonizar a Black Friday, mas reconhecer seus gatilhos e distingui-los de reais boas oportunidades e de compra, e criar estratégias para não cair em armadilhas emocionais:
● Faça uma lista do que realmente precisa antes de começar a procurar ofertas;
● Se deseja comprar itens caros, como eletrodomésticos ou viagens, comece a pesquisar meses antes, para conhecer o preço real dos itens e evitar promoções falsas;
● Não se compare com os outros, especialmente nas redes sociais;
Evite compras em momentos de ansiedade, cansaço ou frustração, quando o impulso emocional é mais forte;
● Estabeleça um limite de gastos e respeite-o (se puder, separe um valor extra para poder gastar sem culpa com itens “fúteis” e que não vão comprometer seu orçamento);
● Deixe o produto “descansar” no carrinho por, no mínimo 24 horas: se a vontade persistir, a compra tende a ser mais consciente;
● Se a compra for parcelada, reflita por quanto tempo você vai ficar pagando por aquele produto ao longo do ano e se ele realmente vale a pena;
● Prefira produtos duráveis e necessários, não itens que prometem sentimentos imediatos de felicidade.
O consumo consciente não é só uma escolha financeira. É uma forma de autocuidado emocional.



