Ela ficou tão famosa durante a pandemia de Covid-19 que chegou a ser condecorada pela Rainha Elizabeth.  Hoje, se tornou referência e inspiração para muitas meninas e mulheres cientistas e um dos principais nomes da ciência no Brasil e no mundo. Sue Ann Clemens, a infectologista brasileira que liderou os testes da vacina Oxford/AstraZeneca, conversou com exclusividade com o Portal Vida e Ação durante a Fisweek 2025.

Questionada pela jornalista Rosayne Macedo, editora do Vida e Ação, sobre o que mudou no mundo da ciência desde a pandemia, a médica, que atua como professora na Universidade de Oxford, na Inglaterra, defendeu de forma incisiva a necessidade de mais apoio e investimento em pesquisas clínicas para o desenvolvimento de novos imunizantes.

O legado da Covid e o desafio da pesquisa nacional

Ela aproveitou a conversa para traçar o caminho que o Brasil deve seguir no cenário pós-pandemia. Em suas declarações, Sue Ann Clemens destacou que a principal lição do período pandêmico deve ser transformada em um legado de longo prazo para o país.

O legado do Covid em relação à P&D [Pesquisa e Desenvolvimento] foi o entendimento de que nós temos que fazer aqui no Brasil pesquisa de ponta a ponta, desde o desenvolvimento da molécula até o registro, introdução no mercado, e que isso vá para um mercado internacional.”

A cientista ressaltou que, atualmente, o Brasil frequentemente participa apenas de parte do processo, perdendo o produto para o exterior. Ela afirma que o país possui o potencial necessário para mudar esse cenário: “Nós temos a capacidade, talento e infraestrutura para fazer de ponta a ponta, mas isso não está acontecendo, faltam elos nos diferentes silos que nós temos.”

Capacitação e protagonismo feminino

Clemens também enfatizou a importância da qualificação profissional na saúde, ligando-a diretamente à capacidade de inovação do país.

Uma coisa que é crucial e que foi levantada essa bandeira durante o COVID é a capacitação. A gente não vai conseguir trazer mais inovação, tecnologia e com isso mais estudos para o Brasil também se nós não tivermos capacitação.”

Ela frisou que essa capacitação deve se estender à população, para que todos entendam o conceito e a necessidade da pesquisa clínica.

Além disso, a cientista celebrou a maior visibilidade e protagonismo feminino na ciência que a pandemia trouxe, notando que várias vacinas foram desenvolvidas e conduzidas por mulheres.

Nós sempre estivemos ali, a gente só não tinha visibilidade,” disse ela, destacando que, apesar de ser uma “profissão árdua” com “muita responsabilidade” por lidar com vidas, fica feliz em inspirar outros pesquisadores.

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1 Comment
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    5 de dezembro de 2025 at 11:52

    É revoltante essa lógica perversa! A Dra. Sue Ann tem razão ao pedir apoio, mas a independência financeira é crucial. O verdadeiro escândalo, porém, é outro: depois de tanto investimento público e suor do cientista, quem paga o preço final é sempre o trabalhador, espremido para custear medicamentos que deveriam ser um bem comum. É uma exploração dupla e inaceitável do conhecimento e do cidadão.

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