Abril é um mês de celebrações que colocam os livros em evidência na formação educacional e cultural do público infantil, com destaque para o Dia Internacional do Livro Infantil (2/4), o Dia Nacional do Livro Infantil (18) e o Dia Mundial do Livro (23). Juntas, mais do que incentivar a leitura entre as crianças, essas datas reforçam a importância de criar experiências significativas com os livros.
Se incentivar as crianças a cultivarem o hábito da leitura já é difícil em tempos de redes sociais, imagine nas favelas brasileiras, onde o acesso ao livro é ainda mais difícil? Para romper essa barreira, Eliza Morenno, que tem mais de 15 anos de experiência nas áreas de literatura, narração oral e formação de leitores, leva o seu projeto “Bibliomala” até as comunidades do Rio de Janeiro.
Essa metodologia de mediação artística literária tem por objetivo apresentar livros infanto-juvenil em seus mais diversos formatos, passando pelo conceito expandido de leitura, livros ilustrados, narrativas visuais por imagens, tradições orais, entre outras linguagens. Clássicos e obras autorais de diversos escritores são apresentados ao público com uma abordagem lúdica, poética e educativa, despertando não apenas o gosto pela leitura, mas a potência transformadora da palavra.
“Bibliomala nas Bibliotecas Comunitárias” chega às comunidades do RJ
Iniciativa tem o objetivo de formar novos hábitos e mediadores de leitura com diversas atividades e doações de acervos
Ao longo dos últimos cinco anos, o projeto Bibliomala já impactou milhares de educadores, crianças, adolescentes e mediadores culturais, com passagens por escolas, festivais, bibliotecas públicas e instituições culturais, como a FLIP, a Bienal do Livro e o LER – Festival do Leitor. Agora o projeto chega às bibliotecas comunitárias, para reconhecer e fortalecer o papel vital que esses espaços desempenham em regiões de vulnerabilidade social.
Promover experiências de leitura que encantem, despertem o pensamento crítico e valorizem a escuta é o propósito do projeto “Bibliomala nas Bibliotecas Comunitárias”, que se propõe a romper com formatos tradicionais, conduzindo o público a uma jornada de descoberta, criação e formação em mediação de leitura.
“Bibliomala nas Bibliotecas” nasce do desejo de fortalecer as bibliotecas comunitárias. Voltada para leitores e leitoras, jovens e adultos das comunidades do entorno, voluntários, agentes culturais e educadores populares, a iniciativa expande uma metodologia já testada e aprovada. A ação prevê formações acessíveis, práticas sensoriais e encontros com escritores, promovendo a leitura como ferramenta de cidadania, diálogo e afeto.
A leitura, para além do decodificar de palavras, é um gesto de pertencimento e transformação. Em territórios onde o acesso ao livro ainda é desigual e o hábito de leitura não é amplamente cultivado, as bibliotecas comunitárias se afirmam como lugares essenciais de convivência, escuta e reinvenção da cultura – explica Eliza.
Nesta sexta-feira, Dia Mundial do Livro (24 de abril), a iniciativa chega à Casa Amarela, em Anchieta, com uma formação para mediadores de leitura e uma roda de conversa com o escritor e contador de histórias Augusto Pessôa. No dia 25, sábado, também às 10h, será a vez da Varanda Literária, em Duque de Caxias, com a participação do escritor e articulador cultural Henrique Rodrigues.
Na sequência, passará por mais comunidades nas Zonas Norte, Sul, Oeste e Baixada. Todos os encontros contam com a condução de sua idealizadora, a artista, educadora e mediadora de leitura Eliza Morenno. O projeto também prevê a doação de acervos literários, incluindo livros em Braille. Será a primeira vez que o projeto circulará com a chancela da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com Eliza, a meta é contribuir para a formação de cerca de 240 novos mediadores de leitura por meio do projeto, fortalecendo as bibliotecas comunitárias como espaços de convivência, escuta e transformação social, e estimulando a valorização das tradições orais e das narrativas periféricas.
Entre os nomes confirmados para as rodas de conversa e contações de histórias estão:
- Lúcia Moraes Tucuju, escritora e ativista das culturas amazônicas;
- Sônia Travassos, contadora de histórias e pesquisadora da oralidade, e
- Sonia Rosa, escritora e especialista em literatura infantojuvenil negro afetiva.
Todos com trajetórias marcadas pela literatura infantojuvenil e pelo compromisso com a diversidade, a oralidade e os territórios populares. Vozes que ampliam o repertório dos participantes e fortalecem os laços entre literatura e território.
Num país em que as políticas públicas de leitura ainda são frágeis e o desmonte cultural atinge com mais força os espaços periféricos, investir na formação de mediadores e no fortalecimento das bibliotecas comunitárias é um ato urgente de resistência e reencantamento. O Bibliomala nas Bibliotecas acredita que toda leitura começa com um encontro. E é nesse encontro que mora a verdadeira transformação“, reforça Eliza.
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‘Incentivo à leitura vai além do simples contato com os livros’
Dia Nacional do Livro Infantil e Dia Mundial do Livro reforçam o valor da leitura e da criação de vínculos com as obras
Além de colocar a infância e a formação do leitor no centro das atenções, datas como essas contribuem para aproximar as crianças da leitura desde cedo e reforçam seu papel no desenvolvimento emocional e cognitivo, reforçando a proposta de que o incentivo à leitura vai além do simples contato com os livros e passa pela criação de experiências mágicas.
Durante as datas de abril, o universo literário infantil é celebrado em todas as suas dimensões, reunindo autores, leitores, obras, contos de fadas e fábulas. “As iniciativas ajudam as crianças a criar experiências significativas com os livros, especialmente quando associam a leitura ao prazer, à descoberta e ao afeto. Ler é um gesto cultural, mas também profundamente emocional”, ressalta a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado.
Para ela, editoras, bibliotecas e órgãos governamentais podem promover encontros com autores, realizar contação de histórias, organizar feiras literárias, desenvolver projetos voltados ao hábito de ler e ampliar o acesso aos livros. Também é essencial investir em políticas públicas que garantam bibliotecas vivas e formação de mediadores de leitura”, conclui.
Os benefícios da leitura na infância
É um convite para que famílias, escolas e a sociedade reconheçam a leitura como um direito emocional, cultural e cognitivo da criança. Celebrar a literatura infantil é lembrar que o hábito de ler começa muito antes da alfabetização formal, e um bom livro não apenas ensina, ele provoca curiosidade, emoção e reflexão”, enfatiza.
Segundo ela, a leitura na infância traz uma série de benefícios, como o estímulo à linguagem, à imaginação, ao pensamento crítico e à empatia. “Ao escutar histórias, os pequenos aprendem a nomear emoções, compreender o mundo ao seu redor e construir sentido para suas próprias experiências”, explica.
Além disso, quando compartilhada, a leitura também fortalece o vínculo afetivo entre adultos e crianças. Paula orienta pais e educadores a observarem alguns critérios no momento da leitura.
É importante considerar a qualidade literária e estética, texto significativo, ilustrações expressivas, coerência entre imagem e narrativa, linguagem adequada à faixa etária e temas que dialoguem com o universo infantil. Um bom livro não apenas ensina, ele provoca curiosidade, encantamento e reflexão”.
6 leituras especiais para celebrar o mês da leitura
A especialista, que também atua com contação de histórias e é autora de livros infantojuvenis há 28 anos, lembra que o Dia Internacional do Livro Infantil (2/4) foi escolhida em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, considerado um dos maiores nomes da produção literária mundial, autor de clássicos como A Pequena Sereia e O Patinho Feio.
Ela aproveita a ocasião para listar seis obras, a começar pelas suas, para pais e educadores praticarem a leitura com as crianças nesse dia:
- Coleção Bem-me-Quer – Paula Furtado. Histórias que acolhem emoções e favorecem o autoconhecimento de forma lúdica e terapêutica.
- Coleção Conta Comigo – Paula Furtado. Narrativas que fortalecem vínculos, segurança emocional e a construção da autoestima infantil.
- A Árvore generosa – Shel Silverstein. Trata-se de uma metáfora delicada sobre amor, entrega e as transformações das relações ao longo da vida.
- O Vazio – Anna Llenas. História sensível sobre perdas e reconstrução emocional, com o objetivo de ajudar a criança a compreender sentimentos difíceis.
- As Nuvens de Cora – Corina Campos e Manoel Filho. Obra poética e afetiva que convida a criança a olhar para dentro e valorizar a imaginação, a sensibilidade e o encantamento com o mundo.
- Novas Histórias Antigas – Rosane Pamplona e Dino Bernardi. Resgata o simbólico dos contos tradicionais, que fortalece a conexão da criança com narrativas que atravessam gerações.
Com Assessorias










