O uso de suplementos alimentares tornou-se um hábito comum entre os brasileiros, indo muito além do público que frequenta academias. No entanto, o crescimento desse mercado trouxe consigo um alerta: a proliferação de produtos sem comprovação científica que prometem desde a cura do diabetes até o aumento da ereção masculina.
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a fiscalização, proibindo a venda e determinando o recolhimento de diversas marcas por riscos à saúde e práticas fraudulentas. Uma grande operação foi deflagrada este mês em cinco fábricas de três estados – três em São Paulo, uma no Espírito Santo e outra no Rio Grande do Sul. Várias marcas vendidas pela internet também vêm sendo proibidas ou recolhidas do mercado. ota importante:
O perigo das promessas milagrosas para diabetes e ereção
Produtos como o Glicojax (para diabetes) e o Durasil (em gotas, para ereção) foram alvos de ações rigorosas. Ambos possuem origem desconhecida e utilizam publicidade enganosa, prometendo benefícios terapêuticos sem qualquer base científica. A Anvisa adverte que a legislação brasileira proíbe que suplementos alimentares aleguem cura ou tratamento de doenças. Tais promessas são exclusivas de medicamentos registrados.
Constatou-se que o Glicojax tem origem desconhecida e que sua propaganda tem sido feita de maneira irregular. O fabricante associa o seu uso a falsos benefícios terapêuticos, como “auxílio no controle da glicose sanguínea, suporte cardiovascular, suporte à saúde metabólica e controle da diabetes”. Tais benefícios não têm comprovação científica. Essa prática de divulgação é proibida.
Já o suplemento em gotas da marca Durasil foi outro produto proibido e que precisa ser apreendido. Com isso, ele não pode mais ser comercializado, distribuído, fabricado, divulgado e consumido. Tanto a origem quanto o fabricante do suplemento em gotas da Durasil são desconhecidos.
Apesar das irregularidades, o produto continua sendo divulgado no site Root Brasil e em plataformas de vendas on-line como o Mercado Livre e a Shopee. A divulgação do produto é feita de forma irregular, com promessas de falsos benefícios terapêuticos, tais como “alívio da dor, ereção mais forte, melhoria na função erétil, entre outros”
As resoluções que embasam essas apreensões podem ser lidas no Diário Oficial da União: RE 402/2026 e RE 406/2026.
Falhas graves de fabricação na Bioghen e Gecaps e falsificações do Equaly Body Protein
Nesta sexta-feira (27/02), a agência determinou o recolhimento imediato de todos os produtos da Bioghen Suplementos Nutricionais Ltda. Após inspeção, foram constatadas falhas críticas de higiene, ventilação inadequada e ausência de controle de alergênicos. A decisão detalhada pode ser consultada na Resolução (RE) 770/2026.
Situação semelhante ocorreu com a Gecaps Comercio de Produtos Naturais LTDA, que teve todos os seus alimentos e suplementos proibidos na última quarta-feira (25/02). A empresa operava sem estudos de estabilidade e utilizava alegações de saúde não autorizadas em seus rótulos. Os detalhes constam na Resolução (RE) 711/2026.
A Anvisa também emitiu um alerta de apreensão para um lote falsificado do suplemento Equaliv Body Protein Cacau. A fabricante oficial, Althaia S.A. Indústria Farmacêutica, denunciou que o produto vendido em plataformas de e-commerce apresentava embalagem de baixa qualidade, sem verniz e com tabela nutricional desalinhada. A proibição foi oficializada pela Resolução (RE) 661/2026.
Empresas sem licença e riscos à saúde
A fiscalização também interditou empresas que operavam de forma clandestina ou sem licença sanitária, como a I-Capsulas e a Livs Brasil. No caso da I-Capsulas, a Anvisa detectou o uso de ingredientes diferentes dos anunciados no rótulo, comprometendo a rastreabilidade e a segurança do consumidor.
Confira o resumo das principais empresas e produtos com irregularidades recentes:
| Empresa | Produto | Motivo da Ação |
| Organza Indústria | Todos os suplementos | Constituintes não autorizados |
| P2 Brasil | Insufree (gotas) | Nome e propaganda terapêutica indevida |
| Gustavo Teodoro | Linha “Glamorous” e “Ozem” | Origem desconhecida e efeitos colaterais (taquicardia) |
| Slok Indústria | Energy Coffee e Antioxidants | Falta de regularização |
| Cycles Nutrition | Recover, Shot e Relax Ritual | Extratos vegetais sem avaliação de segurança |
Como se proteger e denunciar
- Antes de iniciar qualquer suplementação, é essencial consultar um nutricionista ou médico e verificar se o produto possui registro ou notificação na Anvisa.
- Caso encontre produtos suspeitos, você pode realizar uma denúncia através dos Canais de Atendimento da Anvisa.
- Para saber mais sobre o que pode ou não conter em um suplemento, acesse o guia oficial de suplementos alimentares da Agência.
Anvisa retira de circulação azeites, cafés e fórmulas infantis
A ofensiva da Anvisa não se restringe ao mercado de suplementação. Recentemente, uma série de resoluções atingiu itens básicos da cesta do brasileiro e até produtos voltados para o público infantil. As irregularidades variam desde a presença de metais e bactérias até a falta de informações sobre a origem dos produtos, o que acende um alerta sobre a procedência do que chega à mesa das famílias.
Perigo nos doces: pó para decoração suspenso
A agência determinou o recolhimento do Pó para Decoração da marca Mago (Mago Indústria e Comércio). O motivo é alarmante: a detecção de materiais plásticos, resinas e pigmentos de composição desconhecida. Embora anunciado para uso culinário em plataformas de e-commerce, o produto oferece riscos por conter substâncias não autorizadas para o consumo humano. Os detalhes estão na Resolução (RE) 474/2026.
Fraudes no azeite e no café de açaí
O Azeite de Oliva Extravirgem da marca Campo Ourique foi proibido após laudos do LACEN/DF apresentarem resultados insatisfatórios. O produto, de origem desconhecida, omitia informações cruciais sobre sua fabricação.
Da mesma forma, o Café de Açaí da empresa DU Brasil foi retirado do mercado. Além da origem obscura, o produto utilizava ingredientes não autorizados e prometia curas milagrosas para diabetes e fibromialgia em seus rótulos — uma prática ilegal e perigosa. Veja a Resolução (RE) 473/2026 para mais informações.
Alerta para os pais: fórmulas infantis com excesso de nutrientes
Em uma ação que exige atenção redobrada dos responsáveis, dez lotes da fórmula infantil Alfamino (400g), da Nestlé, foram alvo de recolhimento. O produto apresentou níveis de selênio e iodo acima do permitido.
Embora sejam nutrientes essenciais, o excesso em bebês e crianças de até 5 anos pode causar toxicidade. No caso do iodo, o consumo desregulado pode afetar diretamente a tireoide, enquanto o excesso de selênio pode causar náuseas e queda de cabelo.
Confira os lotes afetados: 50310017Y2, 51060017Y1, 50720017Y1, 50710017Y4, 50290017Y1, 50280017Y2, 43510017Y1, 43480017Y2, 43110017Y2 e 41730017Y2.
Bactérias no leite condensado La Vaquita
O lote 183/3B do leite condensado semidesnatado La Vaquita (empresa Multlac Ltda) também foi reprovado. Análises do LACEN-RJ detectaram a presença de Estafilococos Coagulase Positiva, bactéria que em níveis elevados provoca graves intoxicações alimentares. A Anvisa retificou a norma para identificar corretamente a fabricante responsável pelo recolhimento do lote contaminado.
A segurança alimentar é o pilar central que conecta a saúde humana ao meio ambiente e à produção industrial. Quando um produto de origem desconhecida entra no mercado, ele quebra a cadeia de confiança e monitoramento, colocando em risco o bem-estar coletivo. Sempre desconfie de produtos com preços muito abaixo do mercado ou que não tragam informações claras sobre o fabricante no rótulo.
Com informações da Anvisa





