O impacto do consumo de álcool na saúde do brasileiro está mudando de face. O relatório Álcool e Saúde dos Brasileiros 2025, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), revela que, embora as internações causadas exclusivamente pela bebida tenham caído, houve um salto alarmante nos casos onde o álcool é o fator determinante para outras doenças.

Entre 2010 e 2024, as internações parcialmente atribuíveis ao álcool cresceram 50,3%. No balanço geral, as hospitalizações ligadas ao consumo subiram 24,2%. O cenário de mortalidade também preocupa: apesar de uma leve melhora pós-pandemia, os óbitos em 2023 permaneceram 10,2% acima do registrado em 2010.

O envelhecimento do consumo e a sobrecarga renal

Um dos dados mais impactantes do novo panorama é o envelhecimento do perfil de adoecimento. Entre pessoas com 55 anos ou mais, as internações dispararam 105% no período analisado. Esta foi a única faixa etária que registrou um aumento consistente de mortes.

Nesse grupo, o álcool agrava condições como cirrose, doenças cardíacas e hipertensão. Para a Nefrologia, o recado é urgente: o álcool não agride apenas o fígado, mas atua como um tóxico sistêmico que compromete os rins de forma progressiva.

A hipertensão ao longo dos anos literalmente cozinha os rins”, resume o nefrologista Winglerson Cordeiro, da Fundação Pró-Rim.

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Geografia do impacto: os estados que mais internam

O mapa da saúde brasileira mostra disparidades regionais acentuadas no impacto do álcool (dados de 2024 por 100 mil habitantes):

Ranking Maiores Taxas de Internação Taxa
Paraná 282,1
Espírito Santo 267,3
Mato Grosso do Sul 256,3

No quesito mortalidade, o Espírito Santo lidera com 47 óbitos por 100 mil habitantes. Na outra ponta, o Amazonas apresenta a menor taxa de internação (69,0), embora especialistas alertem para a subnotificação, onde problemas renais causados pelo álcool são registrados apenas como “hipertensão” ou “infecções”.

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Binge Drinking: o perigo do “porre” para os jovens

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Apesar de um aumento no número de brasileiros que se declaram abstêmios (de 55% para 64%), o Brasil segue acima da média mundial no consumo abusivo episódico, o chamado binge drinking.

Enquanto a média global de consumo é de 5,5 litros de álcool puro por adulto ao ano, o brasileiro consome 7,7 litros. Esse padrão de “beber pesado” está diretamente ligado a:

  • Lesão renal aguda;

  • Rabdomiólise (destruição muscular que entope os filtros renais);

  • Acidentes de trânsito e traumas graves.

A “tempestade perfeita”: álcool + anti-inflamatório

Uma prática comum e perigosa foi destacada pelo Dr. Winglerson: o uso de anti-inflamatórios para curar a ressaca.

  1. Desidratação: O álcool inibe o hormônio antidiurético, fazendo o corpo perder água.

  2. Bloqueio renal: O anti-inflamatório reduz a proteção dos vasos que levam sangue aos rins.

  3. Resultado: A combinação reduz drasticamente a filtragem sanguínea, podendo causar falência renal em poucas horas.

 

Sinais de alerta: quando a ressaca esconde algo grave

O rim é um órgão resiliente, mas não indestrutível. Fique atento aos sinais após o consumo excessivo:

  • Redução ou interrupção da urina;

  • Urina escura (cor de chá ou refrigerante de cola);

  • Inchaço no rosto, braços ou pernas;

  • Dor lombar e confusão mental.

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Como proteger seus rins (Manual de Hidratação)

Para reduzir os riscos, especialmente em climas quentes como o do Brasil, o especialista recomenda:

  • Regra do 1 para 1: Para cada copo de álcool, beba um copo de água mineral.

  • Cálculo deágua: Ingira entre 30ml e 40ml de água por quilo de peso (ex: 70kg = aprox. 2,5 litros/dia).

  • Observe a cor: Urina amarelo-palha é o ideal. Se estiver escura, é sinal de emergência.

Para facilitar o entendimento sobre os cuidados com a saúde renal, a Pró-Rim oferece e-books gratuitos, como:

O foco, reforça a equipe da fundação, é chegar antes da emergência. Em um país que interna e mata cada vez mais idosos por causas associadas ao álcool e vê crescer a demanda por diálise, preservar a função renal deixou de ser apenas um conselho de consultório e se tornou um desafio central de saúde pública.

Fonte: Pró-Rim / / Relatório CISA 2025.

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