O tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é multifatorial e envolve diferentes estratégias que vão desde psicologia, fonoaudiologia, psicomotricidade até terapias especializadas, como a ABA. Na busca por tratamentos mais acolhedores e menos invasivos,  algumas Práticas Integrativas Complementares (PICs) vêm sendo adotadas com sucesso no acompanhamento de pessoas com autismo.

Estas práticas já são largamente empregadas no Ambulatório de Doenças Neurológicas e do Desenvolvimento da Sétima Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. No local, a acupuntura adaptada para crianças autistas vem ganhando espaço como alternativa terapêutica.

O médico acupunturista Francisco Villela emprega com sucesso uma abordagem que dispensa o uso de agulhas, priorizando o conforto e o bem-estar dos pacientes. Inspirada nos princípios da medicina tradicional chinesa, a técnica consiste na estimulação de pontos específicos do corpo por meio de toques suaves, respeitando os limites do corpo infantil.

A ideia é promover o equilíbrio energético sem causar desconforto”, explica Villela. “Os resultados têm sido bastante positivos. As crianças toleram muito bem e saem beneficiadas”, afirma.

Durante o atendimento, os estímulos são aplicados até que o organismo da criança apresente resposta, momento em que a técnica é redirecionada para outras áreas do corpo. Segundo Villela, essa adaptação torna o tratamento mais acessível e melhora a aceitação entre as crianças, reduzindo medos e resistências comuns nessa faixa etária.

A  Acupuntura sem agulhamento faz parte de um conjunto de terapias voltadas ao cuidado integral oferecido pela instituição, que inclui também técnicas como as Barras de Access, voltadas à harmonização do fluxo energético entre corpo e mente.

A terapeuta transpessoal Patrícia Baron reforça a importância de uma visão integral do paciente. “O acolhimento e o respeito à individualidade são essenciais para promover qualidade de vida”, afirma.

Efeitos da homeopatia no desempenho de crianças autistas 

Duramente criticada nos últimos anos, a Homeopatia também vem apresentando resultados positivos em alguns casos de Autismo atendidos no ambulatório da Santa Casa no Rio, especialmente quando associada a outros tratamentos.

Um dos marcos no trabalho da instituição nesta área foi a publicação de estudo em periódico internacional em 2003, analisando os efeitos da homeopatia no desempenho cognitivo e motor de crianças autistas. 

A proposta é estimular a capacidade de adaptação do organismo e, em determinadas situações, reduzir gradualmente a necessidade de medicamentos convencionais, sempre com acompanhamento médico”, explica o médico Fábio Bolognani, chefe da Sétima Enfermaria da Santa Casa do Rio.

De acordo com a médica Georgia Fonseca, especialista em homeopatia com formação internacional, os acompanhamentos mais recentes indicam avanços em aspectos como cognição, comportamento e interação sociofamiliar após tratamento monitorado.

A abordagem com a Homeopatia inclui ainda o uso da chamada Terapia Cease, método baseado em princípios da isoterapia, que busca identificar e tratar possíveis fatores desencadeantes do quadro, desde o período pré-gestacional até a infância. A proposta, segundo ela, não é a cura, mas o restabelecimento do equilíbrio do organismo e a melhoria da qualidade de vida.

A homeopatia é mais uma ferramenta para auxílio do paciente. Não se levanta a bandeira da cura dos pacientes com autismo. O Cease é um método de tratamento homeopático estabelecido em cima de fundamentos bem definidos”, ressalta.

Crescem os diagnósticos de autismo em meninas

O autismo é uma realidade mundial. Hoje, estimativas indicam que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode atingir uma em cada 28 pessoas. Esse aumento está relacionado tanto à ampliação dos critérios diagnósticos quanto ao maior acesso à informação por parte da população e dos profissionais de saúde.

Isso mostra como a conscientização é fundamental, pois o transtorno está presente, de alguma forma, em praticamente todas as famílias”, afirma Fábio Bolognani.

De acordo com o médico, um avanço importante é o aumento da identificação de casos em meninas, historicamente subdiagnosticadas. Segundo ele, sinais mais sutis ou diferentes dos observados em meninos contribuíram, por décadas, para a invisibilidade desse grupo.

No nosso ambulatório, observamos uma mudança relevante. Antes, a proporção era de cinco meninos para uma menina. Hoje, temos uma relação mais próxima de três para uma, indicando um crescimento expressivo no número de diagnósticos femininos”, destaca.

Aumento de casos de autismo X alimentos industrializados

Além dos avanços clínicos, cresce o interesse científico sobre possíveis influências ambientais, sobretudo na alimentação, no desenvolvimento neurológico. Entre as hipóteses em investigação estão alterações na aromatase, enzima essencial para a maturação cerebral, possivelmente associadas à exposição ao Bisfenol A (BPA), presente em plásticos e embalagens.

Estudos também analisam o impacto de aditivos alimentares, como o propionato – conservante comum em produtos industrializados. Pesquisas experimentais sugerem possíveis alterações comportamentais relacionadas à substância, embora ainda não haja consenso científico definitivo.

Esse debate se conecta a um desafio recorrente no TEA: a seletividade alimentar. Padrões restritivos podem comprometer a nutrição adequada, exigindo acompanhamento profissional especializado.

A importância do diagnóstico precoce e combate ao estigma

Especialistas destacam aumento de casos e novos olhares sobre fatores ambientais

O Abril Azul, que tem como ponto alto o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril), instituído pela Organização das Nações Unidas, chama atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o TEA e combater o estigma que ainda impacta pessoas autistas e suas famílias em todo o mundo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno reúne condições do neurodesenvolvimento caracterizadas por diferentes níveis de comprometimento na comunicação, na interação social e no comportamento. Os sinais costumam surgir ainda na infância e acompanham o indivíduo ao longo da vida, com variados graus de autonomia e necessidade de suporte.

O TEA se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, além de uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva.

O conceito de “espectro” reflete essa diversidade. Enquanto algumas pessoas conseguem desenvolver atividades com independência, outras necessitam de acompanhamento contínuo. Também são frequentes condições associadas, como ansiedade, depressão, epilepsia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Santa Casa oferece terapias tradicionais aliadas a práticas integrativas

O Ambulatório de Doenças Neurológicas e do Desenvolvimento da Santa Casa no Rio atua em rede com instituições como o Ministério da Saúde, Hospital da Lagoa, ABBR e Acadin, fortalecendo o encaminhamento e o acompanhamento contínuo de pacientes.

O espaço funciona desde 1996 e já atendeu mais de 5 mil pessoas. O serviço cobra taxas mais acessíveis (de R$ 120 a R$ 150 cada consulta). Informações pelo telefone (21)

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