O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um avanço expressivo nas ações de combate ao tabagismo. Entre os anos de 2022 e 2025, a distribuição de medicamentos para o tratamento da dependência de nicotina saltou de 19,5 milhões para 46,6 milhões de unidades em todo o país — um aumento de 138,51%.
Os dados, coordenados pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, refletem uma busca crescente da população por apoio especializado e gratuito no SUS para abandonar o cigarro. Apenas em 2024, mais de 421 mil brasileiros procuraram acolhimento na rede pública, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Olhar para esse avanço sob a ótica financeira revela o tamanho do benefício para o cidadão. Embora o tratamento seja integralmente gratuito na rede pública por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, os insumos representariam um peso significativo no orçamento familiar se fossem adquiridos no varejo farmacêutico privado. Além disso, o próprio hábito de fumar consome uma parcela silenciosa e severa da renda mensal do trabalhador.
O peso no bolso: a economia de largar o cigarro
Tratamento farmacológico no privado pode custar caro. um maço diário drena mais de R$ 4,3 mil por ano do trabalhador. Tabagismo gera custo anual de R$ 50 bi ao SUS
Para um fumante que consome, em média, um maço de cigarros por dia — com o preço médio estimado no Brasil em torno de R$ 12,00 —, o gasto mensal chega a R$ 360,00. Ao final de um ano, são R$ 4.320,00 drenados diretamente do orçamento familiar para manter o vício.
Quando esse cidadão decide buscar ajuda, o mercado privado de medicamentos impõe um segundo desafio financeiro. Um tratamento prolongado exige investimentos consideráveis em farmácias particulares. Levantamento da plataforma Consulta Remédios aponta que a variação de preços no mercado de medicamentos e adesivos de nicotina é ampla.
Abaixo, veja o ranking de distribuição do SUS em 2025 e a estimativa de custos que o cidadão deixa de pagar ao optar pelo tratamento gratuito na rede pública:
| Posição | Recurso Terapêutico | Unidades distribuídas pelo SUS (2025) | Função no tratamento | Preço médio estimado no varejo privado |
| 1º | Cloridrato de Bupropiona (150 mg) | 18.628.500 | Antidepressivo que ajuda a reduzir a fissura pelo cigarro. | R$ 50,40 a R$ 118,64 (Variação de 135,4% – Exige receita) |
| 2º | Adesivo de Nicotina (21 mg) | 8.897.007 | Terapia de reposição nicotínica (fase inicial/alta dependência). | R$ 65,00 a R$ 85,00 (Caixa com 7 unidades) |
| 3º | Adesivo de Nicotina (14 mg) | 8.135.477 | Terapia de reposição nicotínica (fase intermediária). | R$ 60,00 a R$ 80,00 (Caixa com 7 unidades) |
| 4º | Adesivo de Nicotina (7 mg) | 6.326.558 | Terapia de reposição nicotínica (fase final de desmame). | R$ 55,00 a R$ 75,00 (Caixa com 7 unidades) |
| 5º | Goma de Nicotina (2 mg) | 4.641.540 | Reposição rápida de nicotina para momentos de fissura aguda. | R$ 35,00 a R$ 50,00 (Caixa com 30 gomas) |
Nota: Os preços de mercado são baseados em dados de plataformas de monitoramento como o Consulta Remédios, apresentando variações conforme a região, marca e estabelecimento.
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Se para o cidadão a conta individual é alta, para o sistema de saúde o impacto é alarmante. Dados oficiais do Ministério da Saúde apontam que o tabagismo é responsável por mais de 161 mil mortes anuais no Brasil. Financeiramente, o cigarro gera um custo médico direto de mais de R$ 50 bilhões por ano aos cofres públicos para o tratamento de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), câncer de pulmão e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica).
Quando somados os custos indiretos — como a perda de produtividade por morte prematura ou incapacidade laboral —, a conta total do tabagismo para a sociedade brasileira ultrapassa os R$ 125 bilhões anuais. Em contrapartida, a arrecadação fiscal com impostos sobre produtos de tabaco gira em torno de R$ 12,2 bilhões, cobrindo apenas cerca de 10% dos prejuízos econômicos gerados pelo vício.
Diante desse cenário, cada cidadão acolhido pelo programa de cessação do tabagismo representa não apenas uma vida salva e uma economia direta no bolso do trabalhador, mas também a redução progressiva de uma sobrecarga bilionária na rede pública de saúde.
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Largar o cigarro é um processo complexo devido à forte dependência química e psicológica da nicotina. Por isso, o tratamento oferecido pela rede pública combina o suporte medicamentoso com o acompanhamento terapêutico.
Se você deseja parar de fumar, o caminho para acessar o programa gratuito é simples:
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Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima: Vá até o posto de saúde do seu bairro (ou Clínica da Família) e informe o interesse em participar do Programa Nacional de Controle do Tabagismo.
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Avaliação Clínica: O cidadão passa por uma consulta para avaliar o grau de dependência da nicotina, o estado de saúde geral e possíveis contraindicações aos medicamentos.
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Sessões de Terapia Cognitivo-Comportamental: O cerne do tratamento consiste em reuniões de grupo ou individuais conduzidas por profissionais de saúde, onde são ensinadas estratégias para lidar com os gatilhos comportamentais, o estresse e a abstinência.
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Retirada dos Medicamentos: Caso a equipe de saúde identifique a necessidade, é emitida a receita para a retirada gratuita da bupropiona, dos adesivos ou das gomas diretamente na farmácia do SUS.
O atendimento focado no tempo e na prontidão psicológica de cada paciente, associado ao uso correto das ferramentas terapêuticas, pode dobrar as chances de sucesso de quem decide abandonar o tabagismo em definitivo.
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