A síndrome de Down é uma condição genética causada por uma divisão celular atípica durante a fase embrionária da pessoa, ainda no útero materno. Tipicamente, o ser humano possui 46 cromossomos agrupados em 23 pares, que são responsáveis por abrigar todo o nosso código genético.

Já as pessoas com a síndrome têm um cromossomo extra no par 21 (o menor cromossomo humano). As pessoas com SD, em vez de dois cromossomos no par 21 , possuem três. Por isso, ela é conhecida também como a trissomia do cromossomo 21. Sendo assim, eles apresentam 47 cromossomos em suas células e não 46.

A cópia extra do cromossomo 21 resulta em características físicas distintas, como olhos amendoados, baixo tônus muscular e mãos e pés menores, e, muitas vezes, cognitivas específicas. Crianças nascidas com SD também podem ter um desenvolvimento físico, mental e intelectual mais lento do que outras crianças de sua idade, causando uma deficiência intelectual leve a moderada.

Por isso, crianças com síndrome de Down precisam ser estimuladas desde o nascimento para que sejam capazes de vencer as limitações da alteração genética. No entanto, cada pessoa com síndrome de Down é única e pode ter uma ampla variedade de habilidades e interesses.

Como têm necessidades específicas de saúde e aprendizagem, pessoas com SD exigem assistência profissional multidisciplinar e atenção permanente dos pais. O objetivo deve ser sempre habilitá-las para o convívio e a participação social.

“É essencial que bebês e crianças com síndrome de Down sejam acompanhadas desde cedo com exames diversos para diagnosticar o quanto antes quaisquer anormalidades cardiovasculares, gastrointestinais, endócrinas, auditivas e visuais. Muitas vezes, o tratamento precoce pode até impedir que essas questões cheguem a afetar a rotina do indivíduo”, explica Paulo Fernando dos Santos, psiquiatra e clínico geral na rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Emerson Brito, enfermeiro do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), por sua vez, reitera que a pessoa com SD deve ser estimulada desde cedo, como forma de ter seu desenvolvimento fomentado e para que seja capaz de vencer as limitações que essa condição lhe impõe.

Segundo Brito, por ser resultado de uma alteração genética, não existe nenhum tratamento específico ou medicamentoso para a síndrome de Down. Daí a importância de uma intervenção de uma equipe multi e transdisciplinar, composta por fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, nutrição e psicologia.

“O fundamental é que seja traçado um plano terapêutico individualizado para proporcionar o desenvolvimento e potencializar as habilidades que irão ajudar a criança a se integrar socialmente, se relacionar com o próximo, desenvolver sua própria autoestima e criar um futuro com maior independência e autonomia”, ressalta.

Diagnóstico pode ser feito ainda na gestação

Suzy Simões, gerente do CER (Centro Especializado de Reabilitação) IV M’Boi Mirim, gerenciado pelo Cejam,  em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, pontua que o diagnóstico da Síndrome de Down pode ser feito ainda na gestação, por meio de exames específicos, como o US morfológico fetal, confirmados com exame de amniocentese (coleta de líquido amniótico).

“Após o nascimento, o diagnóstico é confirmado através de cariótipo, o qual verifica justamente a posição dos cromossomos como forma de saber se a trissomia do par 21 está presente”, esclarece.

Apesar de a origem da síndrome ser desconhecida, ela é a alteração cromossômica mais comum em humanos e a principal causa de deficiência intelectual na população. “No Brasil, nasce uma criança com SD a cada 600 a 800 nascimentos, independentemente de etnia, gênero ou classe social”, explica Suzi.

5 dicas para iniciar a introdução alimentar em crianças com Down

Hipotonia e incoordenação da língua são fatores que devem ser levados em consideração ao diversificar alimentação de bebês

Celebrado em março, o mês da síndrome de Down visa conscientizar a população sobre a condição. A questão é especialmente importante para os responsáveis por bebês com síndrome de Down que já estão com mais de seis meses de vida, período no qual inicia-se a introdução alimentar.

Isso porque uma das características da síndrome é a hipotonia, diminuição de tônus muscular, o que pode comprometer a mastigação e deglutição. Com o objetivo de ajudar os pais de bebês com síndrome de Down, Juliana Wood, nutricionista da Sami, operadora que é a revolução dos planos de saúde, dá dicas para que a introdução de alimentos aconteça da melhor forma possível.

1. O que deve compor a introdução alimentos

Antes de pensar na introdução alimentar, é importante saber que a alimentação equilibrada deve estar presente na rotina da mãe desde a gravidez, e que o aleitamento materno exclusivo deve ser a única forma de alimentação do bebê nos primeiros seis meses de vida.

“A partir de então, a priorização da comida de verdade é de grande importância, não só nesse momento, como nos primeiros 1 mil dias da criança. Sendo assim, todos os bebês, não apenas aqueles com síndrome de Down, devem receber alimentos naturais, sem aditivos e conservantes quando começarem a pluralizar a alimentação”, explica a doutora.

2. Relação entre obesidade e síndrome de Down

Apesar da priorização dos alimentos saudáveis serem de suma importância para todas as crianças em fase de introdução alimentar, tal cuidado é ainda mais importante para bebês com síndrome de Down. O zelo é justificado pelo fato de que há uma tendência ao excesso de peso em indivíduos com a síndrome.

3. Introdução alimentar multidisciplinar

Para a doutora, o processo de introdução alimentar de um bebê com síndrome de Down deve ter um acompanhamento médico multidisciplinar. Isso porque um nutricionista, junto com um fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional garantirão um bom desenvolvimento de quem tem síndrome de Down.
O profissional em nutrição garante uma alimentação saudável logo na introdução alimentar, promovendo saúde, favorecendo a qualidade de vida e evitando o surgimento de outras complicações como a obesidade. Já o fonoaudiólogo estimulará a motricidade oral e a deglutição. Por fim, o terapeuta ocupacional auxiliará no desenvolvimento da motricidade fina, uma vez que a maioria dos portadores da síndrome de Down possui hipotonia generalizada e atraso no desenvolvimento psicomotor.

4. Mordedores são aliados

Como os bebês com síndrome de Down apresentam dificuldades na deglutição, é necessário fortalecer a musculatura da região e não há muito segredo para fazer esse exercício no dia a dia. Inclusive, na amamentação, o bebê já está fazendo os seus primeiros exercícios, pois os movimentos feitos exercitam os músculos orais. De forma semelhante, os mordedores também são úteis, pois auxilia no vedamento labial, mordida e na postura da língua para deglutição.

5. Quando a suplementação é necessária

“Segundo os especialistas, a deficiência de minerais e vitaminas em pessoas com Down tem sido verificada em diversos estudos clínicos”, explica a doutora. Os suplementos de zinco e o selênio, por exemplo, podem auxiliar na prevenção de infecções, problemas na tireoide e fortalecimento do sistema imunológico. Porém, só exames médicos podem comprovar a real necessidade da prescrição de suplementos.

Além disso, a suplementação pode ser evitada com uma alimentação equilibrada e rica em vitaminas e substâncias antioxidantes, pois o organismo das pessoas com síndrome de Down sofre mais com a ação de oxidantes, o que causa envelhecimento acelerado das células que reforçam o sistema imunológico.

Livros podem ser aliados no desenvolvimento e aprendizado

Títulos interativos, sensoriais e lúdicos servem como ferramenta de estímulo para crianças com Down

Celebrado desde 2006, o mês de março é o período de conscientização sobre a Síndrome de Down e, por se tratar de uma condição genética que causa o atraso no desenvolvimento das funções motoras do corpo e mentais, a Catapulta Editores selecionou quatro coleções que têm como propósito auxiliar no desenvolvimento dos pequenos servindo como instrumento de estímulo e aprendizado.

Para Carmen Pareras, diretora da Catapulta Editores no Brasil, os livros podem ajudar as crianças, mas também é necessário que os pais comecem desde cedo introduzir a leitura na vida dessas crianças.

“Nós sabemos que o processo não é fácil, mas quando falamos de crianças com Síndrome de Down, é importante ressaltar que os livros os ajudam bastante, principalmente se forem sensoriais e lúdicos. Por isso, é importante que a família introduza os livros desde cedo para além de ajudar no desenvolvimento mental, também auxiliar na criação das habilidades motoras”, explica.

Abaixo, confira os títulos escolhidos para começar a introdução à leitura na rotina das crianças:

Coleção Dedinhos – Com páginas texturizadas, as crianças descobrirão imagens feitas com quadrados, círculos e retângulos criados a partir de impressões digitais. As 6 obras possuem personagens lúdicos que vivem em um mundo de fantasia que combina fotografi­a e ilustração para reconhecer e aprender.

Coleção Toque e Escute – Esta coleção propõe experiências sensitivas às crianças os fazendo sentir como é a pele e quais sons os animais emitem. Com páginas cartonadas a coleção possui 7 títulos para os pequenos explorarem e conhecerem diversos animais.

Coleção Jogar e Aprender – A coleção possui 4 títulos com imagens lúdicas e divertidas que vão ajudar a reconhecerem os objetos, frutas, números e letras através de brincadeiras.

Pequenos Curiosos – Com 9 obras publicadas, a coleção possui páginas coloridas e cenários que se movimentam que além de encantar as crianças ao interagirem com o livro, também ensinarão assuntos como: Roupas, corpo, animais, sentidos e outros.

Todas as opções de livros podem ser encontradas nas principais livrarias do país, tanto em lojas físicas quanto online, além do e-commerce da editora no www.catapultalivros.com.br.

Com Assessorias

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