Chega ao fim um mês marcado por intensas mobilizações na saúde pública: o Agosto Lilás (enfrentamento à violência contra a mulher), o Agosto Laranja (conscientização sobre a esclerose múltipla), o Agosto Branco (prevenção ao câncer de pulmão e ao tabagismo) e o Agosto Dourado (incentivo ao aleitamento materno). Com a virada do calendário, a atenção se volta ao Setembro Amarelo.
O mês foi escolhido mundialmente para a campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. A data é lembrada no dia 10 de setembro e foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e endossada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância de falar abertamente do tema e apoiá-las por meio da informação.
Há dez anos, o PORTAL VIDA E AÇÃO dedica espaço permanente para debater esse tema tão sensível e urgente: a prevenção ao suicídio e os cuidados continuados com a saúde emocional. Ao longo de todo o mês de setembro, vamos trazer conteúdos importantes, selecionados com responsabilidade, ética e muita empatia para nossos leitores. O quadro VIDA E AÇÃO, que vai ao ar toda segunda-feira durante o programa Painel da Rádio Roquette Pinto, no Rio de Janeiro, abordou o tema nesta segunda, dia 31 de agosto.
Sofrimento silencioso, psicofobia e novos fatores de risco
O suicídio é considerado um problema de saúde pública complexo e multifatorial, mas que pode ser prevenido. Dados consolidados pela OMS apontam que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio no mundo a cada ano — sendo a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, levantamentos do Ministério da Saúde mostram que são registrados cerca de 15 mil casos anuais, o que representa uma média de 42 vítimas por dia, a maioria delas do sexo masculino.
Por trás das estatísticas, há um contingente de milhões de pessoas que enfrentam transtornos como depressão e ansiedade em absoluto silêncio. Um dos principais obstáculos para a busca de ajuda é a psicofobia — o preconceito e a discriminação direcionados a indivíduos com transtornos mentais ou deficiências psicológicas. Superar esse estigma é fundamental para criar ambientes seguros onde expressar a dor não seja visto como fraqueza”, disse editora Rosayne Macedo .
O sofrimento psíquico costuma ser intensificado por crises sociais e econômicas. O desemprego, a perda abrupta de renda e a incerteza financeira atuam como gatilhos severos de estresse e desesperança. A esse cenário, soma-se o crescimento do vício em apostas virtuais, conhecidas como bets.
O endividamento rápido, a perda de patrimônio e o comportamento compulsivo têm levado um número crescente de pessoas a quadros extremos de ansiedade e esgotamento mental, exigindo atenção redobrada de familiares e profissionais de saúde”, destaca a jornalista.
Saúde mental no trabalho e a atualização da NR-1
O ambiente corporativo também desempenha um papel central na proteção da saúde emocional. Uma importante iniciativa no país é a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
A norma passa a exigir que as organizações façam o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, atuando no combate ao assédio, à sobrecarga excessiva de tarefas e à pressão desmedida por metas. A criação de ambientes corporativos saudáveis e acolhedores é apontada por especialistas como uma ferramenta direta na prevenção do adoecimento mental e do suicídio.
Como reconhecer os sinais de alerta
Identificar mudanças de comportamento em pessoas próximas é decisivo para intervir a tempo. Após ouvir vários especialistas, editora Rosayne Macedo listou alguns dos principais sinais indicados por profissionais de saúde estão:
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Isolamento social: Afastamento gradual de amigos, familiares e atividades sociais habituais.
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Falas de desesperança: Expressões constantes ligadas a “querer sumir”, “não ver saída” ou sentir-se um fardo para a família.
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Alterações drásticas na rotina: Mudanças severas nos padrões de sono e apetite, desinteresse ou descuido com a higiene pessoal.
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Despedidas implícitas: Desfazimento atípico de pertences de valor emocional ou organização injustificada de pendências pessoais.
Ao identificar esses fatores, a orientação é oferecer uma escuta empática, sem julgamentos, críticas ou soluções simplistas, incentivando a busca por suporte especializado em psicologia e psiquiatria. “É fundamental buscar ajuda de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, que podem oferecer tratamento eficaz”, afirma a jornalista.
Além disso, é importante buscar ajuda em canais de atendimento disponíveis 24 horas por dia, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que há 64 anos oferece apoio emocional gratuito e confidencial. Em 2025, a entidade prestou mais de 2 milhões de atendimentos em todo o país. Também existem guias que fornecem informações valiosas sobre o tema, como “Suicídio: Informando para Prevenir.
Saiba como procurar ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece um trabalho voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo de forma anônima e sigilosa 24 horas por dia, sete dias por semana. Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, utilize os canais de atendimento gratuitos:
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Telefone: 188 (ligação gratuita nacional)
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Atendimento online: cvv.org.br (via chat)
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Por email: apoioemocional@cvv.org.br .
Para saber mais sobre a campanha e acessar os materiais de divulgação, acesse o site: setembroamarelo.org.br
Com informações do CVV
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